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AUDIÊNCIA GERAL > “Se não nos preocuparmos uns com os outros, não podemos curar o mundo”, destacou o Papa

ago 12, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

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Vatican News – O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a pandemia de coronavírus, na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (12/08), realizada na Biblioteca do Palácio Apostólico. O Pontífice enfatizou que a pandemia evidenciou a nossa vulnerabilidade e mostrou também que estamos todos interligados. “Se não nos preocuparmos uns com os outros, a começar pelos últimos, por aqueles que são mais atingidos, incluindo a criação, não podemos curar o mundo”, frisou o Papa.

Pandemia trouxe à luz patologias sociais mais vastas
Francisco lembrou o compromisso de “muitas pessoas que nestes meses estão demonstrando amor humano e cristão pelo próximo, dedicando-se aos doentes, arriscando a própria saúde. Eles são heróis”, disse o Papa, acrescentando:

No entanto, o coronavírus não é a única doença a ser combatida, mas a pandemia trouxe à luz patologias sociais mais vastas. Uma delas é a visão distorcida da pessoa, um olhar que ignora a sua dignidade e a sua índole relacional. Por vezes consideramos os outros como objetos, objetos para serem usados e descartados. Na realidade, este tipo de olhar cega e fomenta uma cultura do descarte individualista e agressiva, que transforma o ser humano num bem de consumo.

Contudo, à luz da fé sabemos que Deus olha para o homem e para a mulher de outro modo”, disse ainda o Pontífice, enfatizando que Deus “nos criou não como objetos, mas como pessoas amadas e capazes de amar, nos criou à sua imagem e semelhança. Desta forma, deu-nos uma dignidade única, convidando-nos a viver em comunhão com Ele, em comunhão  com os nossos irmãos e irmãs, com respeito por toda a criação. Em comunhão, em harmonia, podemos dizer. A criação é uma harmonia para a qual somos chamados a viver. Nesta comunhão, nesta harmonia que é comunhão, Deus nos doa a capacidade de procriar e preservar a vida, trabalhar e cuidar da terra. Entendemos que não é possível procriar e preservar a vida sem harmonia. Será destruída”.

Nos Evangelhos, temos um exemplo desse olhar individualista, “que não é harmonia, no pedido feito a Jesus pela mãe dos discípulos Tiago e João. Ela gostaria que os seus filhos pudessem sentar-se à direita e à esquerda do novo rei. Mas Jesus propõe outro tipo de visão: a de servir e dar a vida pelos outros, e confirma isso, restituindo a vista a dois cegos e tornando-os seus discípulos“.

“Procurar fazer carreira na vida, ser superior aos outros destrói a harmonia. É a lógica do domínio, de dominar os outros. A harmonia é outra coisa, é serviço.”

A harmonia nos leva a reconhecer a dignidade humana
O Papa disse ainda que devemos pedir “ao Senhor que nos conceda um olhar atento aos irmãos e irmãs, especialmente aos que sofrem”.

O Concílio Vaticano II evidencia que esta dignidade é inalienável, porque foi criada à imagem de Deus”, frisou ainda Francisco, citando uma passagem da Constituição Pastoral Gaudium et spes.

Ela é a base de toda a vida social e determina os seus princípios operacionais. Na cultura moderna, a referência mais próxima ao princípio da dignidade inalienável da pessoa é a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que São João Paulo II definiu «uma pedra miliária, posta na longa e difícil caminhada do gênero humano», e como «uma das mais altas expressões da consciência humana». Os direitos não são apenas individuais, mas também direitos sociais dos povos e das nações. Com efeito, o ser humano, na sua dignidade pessoal, é um ser social, criado à imagem do Deus Uno e Trino.

Nós somos sociais, precisamos viver nesta harmonia social, mas quando há egoísmo, o nosso olhar não vai para os outros, para a comunidade, mas volta para nós mesmos e isso nos torna feios, maus, egoístas. Destrói a harmonia.

Contrastar a indiferença
Segundo Francisco, “esta consciência renovada pela dignidade de cada ser humano tem sérias implicações sociais, econômicas e políticas”, e acrescentou:

Olhar para o irmão e para toda a criação como uma dádiva recebida do amor do Pai suscita um comportamento de atenção, cuidado e admiração. Assim o fiel, contemplando o seu próximo como um irmão e não como um estranho, olha para ele com compaixão e empatia, não com desprezo ou inimizade. E contemplando o mundo à luz da fé, se esforça por desenvolver, com a ajuda da graça, a sua criatividade e entusiasmo para resolver os dramas da história. Ele concebe e desenvolve as suas capacidades como responsabilidades que fluem da fé, como dons de Deus a serem postos ao serviço da humanidade e da criação.

Ao trabalharmos para curar um vírus que atinge indistintamente todos, a fé nos exorta a comprometermo-nos séria e ativamente a contrastar a indiferença pelas violações da dignidade humana. Essa cultura da indiferença que acompanha a cultura do descarte”, disse ainda o Papa. “A fé exige sempre que nos deixemos curar e converter do nosso individualismo, tanto pessoal quanto coletivo. Um individualismo partidário, por exemplo”, frisou ele

Francisco concluiu a sua catequese, pedindo ao Senhor para que nos “restitua a vista” a fim de que possamos “redescobrir o que significa sermos membros da família humana e que este olhar se traduza em ações concretas de compaixão e respeito por cada pessoa e de cuidado e tutela pela nossa Casa comum”.

FONTE
Vatican News

“Vossa Santidade me dá a confirmação de que Deus está verdadeiramente perto dos últimos”, escreve mãe de gêmeas batizadas pelo Papa

ago 11, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

As gêmeas e a mãe e a equipe médica - HPBG

A visita à Basílica de São Pedro, uma imensidão que vista pela primeira vez quase arrebata, mas que se detém diante da estátua (La Pietà) com Nossa Senhora segurando Jesus sem vida. De repente, o resto da imensidão perde o interesse, enquanto irrompe impetuosa uma pergunta sobre aquele “corpo sem culpa” de Cristo que faz lembrar “o corpo de minhas filhas negadas à normalidade em meus braços igualmente impotentes. Por quê?” É uma das passagens mais eloquentes da carta endereçada ao Papa por Hermine Nzotto, a mãe das gêmeas siameses da República Centro-Africana, submetidas dois mês atrás a uma extraordinária operação de separação craniana e cerebral no Hospital Bambin Gesù (Menino Jesus) de Roma. Duas meninas, Ervina e Prefina, que Francisco batizou dias atrás na Casa Santa Marta durante uma cerimônia reservada.

A ponte dos pobres
Na carta, Hermine Nzotto relata sua vida como uma “menina da floresta”, nascida num vilarejo a 100 km da capital Bangui, a cidade onde em 2015 o Papa iniciou o Jubileu da Misericórdia ao abrir a porta santa da catedral. Uma porta que para a mãe das duas meninas é muito mais do que isso. “Batizar minhas miraculadas Maria e Francisca por Vossa Santidade me dá a confirmação de que Deus está verdadeiramente perto dos últimos”, escreve Hermine. “Se amanhã minhas filhas poderão estar entre as crianças mais sortudas do mundo, ou seja, ir à escola e aprender o que eu ignoro e que agora também eu aspiro saber, para ser capaz um amanhã de ler os versículos da Bíblia para minhas filhas, então não foi uma porta santa que o senhor abriu em Bangui em 2015 e que foi fechada um ano depois, mas construiu uma ponte para a eternidade onde os necessitados, como eu fui, podem atravessar, e as pessoas de boa vontade como a equipe de médicos que cuidam de minhas inseparáveis separadas” – diz ao Papa a autora da carta.

“Vossa Santidade sabe do que é que o mundo precisa” 
No pouco mais de uma página da carta, Hermine Nzotto agradece repetidamente aos médicos do Bambin Gesù, desde Mariella Enoc, presidente do Hospital pediátrico, ao Dr. Carlo Efisio Marras, responsável pelo departamento de Neurocirurgia, cuja equipe “milagrosamente separou e ressuscitou” seus bebês. “A oração – conclui Hermine Nzotto – é o que pode unir os povos da terra; rezarei a Maria pelo senhor, mas não preciso pedir-lhe igualmente, porque quem, como Vossa Santidade, desafiou o perigo das picadas de mosquitos e a rebelião de 2015 na República Centro-Africana, sabe pedir a Maria aquilo de que o mundo precisa.”

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Vatican News

ANGELUS > “Ter fé significa, em meio à tempestade, manter o próprio coração voltado para Deus”, indicou o Papa

ago 9, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

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Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

        A passagem do Evangelho deste domingo (cf. Mt 14,22-33) narra Jesus que caminha sobre a água do lago durante uma tempestade. Depois de alimentar as multidões com cinco pães e dois peixes – como vimos no domingo passado – Jesus ordena aos discípulos que subam na barca e regressem à outra margem. Ele se despede das pessoas e depois sobe na colina, sozinho, para rezar. Ele mergulha na comunhão com o Pai.

        Durante a travessia noturna do lago, a barca dos discípulos fica bloqueada por uma súbita tempestade de vento. A uma certa altura, eles veem alguém que caminha sobre a água na sua direção. Assustados, pensam que seja um fantasma e gritam de medo. Jesus tranquiliza: ‘Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!’. Pedro, então, responde: ‘Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro,caminhando sobre a água.’. E Jesus lhe diz: “Vem!”. Pedro sai da barca e dá alguns passos; depois o vento e as ondas assustam ele, que começa a afundar. “Senhor, salva-me!” grita ele, e Jesus o agarra pela mão e diz: ‘Homem fraco na fé, por que duvidaste?’.

Esse relato é um convite a nos abandonarmos com confiança a Deus em cada momento da nossa vida, especialmente na hora da provação e da perturbação. Quando sentimos forte a dúvida e o medo, e parece que afundamos, não devemos ter vergonha de gritar, como Pedro: “Senhor, salva-me! (v. 30). É uma bela oração! E o gesto de Jesus, que imediatamente estende a sua mão e agarra aquela do seu amigo, deve ser longamente contemplado: Jesus é isso, é a mão do Pai que nunca nos abandona; a mão forte e fiel do Pai, que sempre e só quer o nosso bem.

Deus não é o furacão, o fogo, o terramoto – como recorda hoje também o relato do profeta Elias -; Deus é a brisa leve que não se impõe mas que nos pede para ouvir (cf. 1 Reis 19,11-13). Ter fé significa, em meio à tempestade, manter o próprio coração voltado para Deus, para o seu amor, para a sua ternura de Pai. Jesus queria ensinar isso a Pedro e sos discípulos, e também a nós hoje. Ele sabe bem que a nossa fé é pobre e que o nosso caminho pode ser perturbado, bloqueado por forças adversas. Mas Ele é o Ressuscitado, o Senhor que passou pela morte para nos levar para um lugar seguro. Mesmo antes de O começarmos a procurar, Ele está presente ao nosso lado. E à medida que nos erguemos das nossas quedas, Ele nos faz crescer na fé.

A barca à mercê da tempestade é a imagem da Igreja, que em todas as épocas encontra ventos contrários, às vezes com provas muito duras: pensemos a certas perseguições longas e ferozes do século passado. Nesses tempos, pode existir a tentação de pensar que Deus o abandonou. Mas, na realidade, é precisamente nesses momentos que resplandece ainda mais o testemunho da fé, do amor e da esperança. É a presença de Cristo Ressuscitado na sua Igreja que dá a graça de testemunhar até o martírio, do qual brotam novos cristãos e frutos de reconciliação e paz para todo o mundo.

Que a intercessão de Maria Santíssima nos ajude a perseverar na fé e no amor fraterno, quando as trevas e as tempestades da vida questionam a nossa confiança em Deus.

FONTE
Vatican News

Papa Francisco envia 250 mil euros para a Igreja no Líbano

ago 8, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Igreja de Saint Maron - Beirute

Vaticano - O Santo Padre enviou através do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral uma primeira ajuda de 250.000 euros em apoio às necessidades da Igreja libanesa nestes momentos de dificuldade e sofrimento. Este dom pretende ser um sinal da preocupação de Sua Santidade para com a população afetada pela explosão no porto de Beirute, significando Sua paterna proximidade para com aqueles que estão sofrendo e se encontram em dificuldades.

A ajuda foi enviada através da Nunciatura Apostólica em Beirute e será usada para auxiliar as pessoas afetadas pela terrível explosão, que causou várias mortes e milhares de feridos e desalojados, destruindo ao mesmo tempo edifícios, igrejas, mosteiros, instalações civis e de saúde. Diante das necessidades urgentes, uma imediata resposta de socorro foi dada pelas estruturas católicas, através de centros de acolhimento para pessoas deslocadas, junto com a ação da Cáritas Líbano, Cáritas Internationalis e várias Cáritas irmãs.

Todos nos unimos ao convite do Papa Francisco, expresso durante a Audiência geral de 5 de agosto passado, assim que ele tomou conhecimento dos fatos: “rezamos pelas vítimas e suas famílias; e rezamos pelo Líbano, para que, com o compromisso de todos os seus componentes sociais, políticos e religiosos, possa enfrentar este momento tão trágico e doloroso e, com a ajuda da comunidade internacional, superar a grave crise que está atravessando“.

FONTE
Vatican News

SEMANA NACIONAL DA FAMÍLIA > “Eu e minha casa serviremos ao Senhor”

ago 7, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Dentro do Mês Vocacional, a Igreja no Brasil celebra, na segunda semana de agosto, a Semana Nacional da Família, uma mobilização de grupos e comunidades que ocorre, desde 1992, com momentos de oração, formação e reflexão. Neste ano, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propôs como tema “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24, 15).

Para animar a Semana Nacional da Família – do Dia dos Pais até o dia 15 de agosto – a Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF), organismo vinculado à Comissão Vida e Família da CNBB, elabora o subsídio “Hora da Família”, que começou a ser editado desde a vinda de São João Paulo II ao Brasil, em 1994. Neste ano de 2020, o material ganhou duas versões, uma com encontros mensais e outra especialmente preparada para a Semana Nacional da Família, agora chamada “Hora da Família Especial”. O subsídio possui roteiro para os sete dias da semana com atividades que envolvem toda a família, sugestões de oração e de cantos. O material está disponível na versão impressa e também no aplicativo Estante Pastoral Familiar, numa versão digital. “O Hora da Família se coloca a serviço da Igreja e da construção do Reino de Deus começando em nossas casas. Aproveitem cada encontro e animem sua comunidade a vivenciarem os temas propostos como um itinerário de aprofundamento da fé em família a serviço da comunidade”, motiva o bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão para a Vida e a Família da CNBB, dom Ricardo Hoepers.

Recordando a celebração das diversas vocações pela Igreja neste mês de agosto, o assessor da Comissão para a Vida e a Família e secretário executivo da CNPF, padre Crispim Guimarães, ressalta que o Hora da Família Especial, em comunhão com a Igreja, “celebra a vocação comum: ser família. Na família todas as vocações nascem e se encontram”.

Celebrar em tempos de pandemia
O bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RS) e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joel Portella Amado, recordou em mensagem o momento desafiador da pandemia do novo coronavírus, que tem imposto limites ao agir Pastoral “ameaçando e mesmo levando embora tantas vidas”.

Segundo dom Joel, o lema deste ano, “Eu e minha serviremos ao Senhor”, é muito adequado para o momento que estamos passando: “Eu tomo mesmo a liberdade de compreender o lema do seguinte modo: ‘Eu e minha casa serviremos ao Senhor com pandemia ou sem pandemia, no modo presencial ou no modo virtual’. Isso porque, em qualquer condição uma família que se volta para o Senhor em atitude de fé, atitude traduzida em escuta da Palavra de Deus e no serviço a Deus através do próximo, aqui está um aspecto irrenunciável da nossa fé”.

O casal coordenador nacional da Pastoral Familiar, Luiz e Kátia Stolf, deseja que seja possível fazer uma Semana da Família abençoada mesmo com a pandemia, com o isolamento social: “que possamos fazer em nossas casas, a nossa pequena Igreja doméstica, acontecer também a Semana da Família, com nossos filhos, com nossos netos, enfim, com aqueles que convivem conosco. Aproveitemos esse momento especial de graça que Deus está nos dando para realizar e também celebrar a Semana da Família”. Luiz e Kátia motivam a participação da forma disponível, seja nas comunidades, nas paróquias ou nas suas casas, com um grupo de conhecidos online, de forma virtual. “Que muitos frutos possamos estar colhendo a partir dessa semana”.

Programação Nacional
Com a motivação para a promoção de programações paroquiais, diocesanas e regionais, a Comissão Nacional da Pastoral Familiar fará dois momentos em âmbito nacional para abrir e fechar a Semana Nacional da Família. No sábado, dia 8, haverá uma live com abertura do presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, e formação sobre o tema da Semana Nacional da Família, a partir das 10h, no canal da Pastoral Familiar no Youtube. André Parreira, sua esposa e seus filhos, da diocese de São João Del Rei (MG), aprofundarão o tema da Semana Nacional da Família. Também participa da transmissão ao vivo a psicóloga portuguesa Marta Pimenta, que falará sobre “A família no pós-pandemia”.

INTENÇÃO DO PAPA > Rezemos, com Francisco, pelo Mundo do Mar

ago 3, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Papa Francisco dedica as intenções de oração universal do mês de agosto ao mundo do mar

O Papa Francisco dedicou suas intenções de oração universal no mês de agosto, com início neste sábado, ao mundo do mar e às pessoas que trabalham e vivem dele: pescadores, marinheiros, trabalhadores de transporte aquaviário, etc. Na Igreja no Brasil, existem duas ações voltadas para este campo: a Pastoral dos Pescadores e o Apostolado do Mar. O bispo de Brejo (MA) e referencial da Pastoral dos Pescadores pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom José Valdeci Santos Mendes,  chama a atenção para a realidade dos pescadores, sobretudo dos pescadores artesanais. “Os pescadores e pescadoras artesanais têm o mar como um território de onde tiram o seu sustento. É necessário defender o seu direito ao território e não deixar que a pesca industrial tome conta”, defendeu. Segundo ele, a maior parte dos pescados que são consumidos provém da pesca artesanal.

A secretária executiva da Pastoral dos Pescadores, Ormezita Barboza de Paulo, disse que a Pastoral se junta, neste mês de agosto, ao Santo Padre nesta corrente de oração. “O mar abriga e acolhe centenas de milhares de trabalhadores no mundo todo, pessoas que têm sua vida marcada pelo balanço do mar e das águas. A realidade deste povo é marcada  por muitos desafios”, disse. Uma dos problemas enfrentados pelos trabalhadores do mar, conforme Ormezita, é a exposição destes à exaustivas cargas de trabalho, até mesmo com situações análogas ao trabalho escravo. Segundo ela, os pescadores artesanais enfrentam muitos conflitos territoriais que colocam em risco suas vidas e a segurança de suas comunidades.

Pedimos proteção a estas pessoas e também enviamos uma mensagem de esperança e de fé. Reconhecemos sua importância para a economia no mundo todo. A gente se junta às intenções do Papa, pedindo fortaleza, resistência, esperança e tempos melhores para todos nós e para estes trabalhadores. Que suas lutas e bandeiras sejam reconhecidas”, pediu.

Outro trabalho da Igreja no Brasil que tem relação com o mar é o Apostolado do Mar. O padre colombiano Samuel Fonseca Torres, missionário Scalabriano que desde 2001 atua no Brasil, atualmente é diretor nacional do Apostolado do Mar e capelão do Porto de Santos. Segundo o padre, o Apostolado do Mar tem uma sede no Vaticano e está organizado em 9 regiões no mundo. Em cada país, a organização conta com bispos promotores, diretores nacionais e os capelães voluntários e voluntárias do Apostolado do Mar. O padre Samuel representa o Apostolado do Mar do Brasil junto ao Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano  Integral do Vaticano.

No Brasil existem três missões Stella Maris, uma no Rio de Janeiro, outra no Rio Grande do Sul e a de Santos. O Apostolado do Mar tem como público alvo os marinheiros, pescadores, trabalhadores, estivadores e todas as pessoas que vivem do mar. O bispo promotor do Apostolado do Mar é o bispo emérito dom Jacyr Francisco Braido, de Santos. Desde 2002, no 21º Congresso do Apostolado do Mar, no Rio de Janeiro, o padre Samuel foi escolhido para ser o coordenador nacional e regional para a América Latina e Caribe. “Na minha opinião isso não é um privilégio, ao contrário é um desafio em função de atuarmos numa região muita extensa”, disse. Ele chama a atenção para o fato de no Brasil ter poucos capelães, padres disponíveis e ainda poucos bispos que apoiam a causa do Apostolado do Mar.

Neste tempo que está no Brasil, o diretor nacional do Apostolado do Mar atuou como capelão em dois lugares. Por sete anos na Stella Maris do Rio de Janeiro, na paróquias Santa Cecília e São Pio X. Depois, mudou-se em 2007 para Santos (SP) onde exerce as mesmas funções. “O trabalho aqui se multiplicou nos últimos anos. Santos é o principal Porto de exportação e importação da América Latina e do Brasil”, disse. O padre afirma que dentro do contexto da pandemia, são grande as dificuldades dos pescadores, sobretudo dos pescadores artesanais. “Muitos dos pescadores perderam seus empregos e estão com dificuldades de manter suas embarcações.  Praticamente estão à deriva. Algo parecido como quando vem uma tempestade e leva o barco de seu pescador. Não existe nenhum programa governamental para apoiá-los”, disse. O padre informa que a Stella Maris de Santos está ajudando, com cestas básicas, 150 famílias por quatro meses.

FONTE
Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil

ANGELUS > “Compaixão” pelas necessidades dos outros, confiança no amor “providente” do Pai e “corajosa” partilha.

ago 2, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Angelus - presença de religiosas brasileiras

Vatican News – “Compaixão” pelas necessidades dos outros, confiança no amor “providente” do Pai e “corajosa” partilha. No Angelus de um domingo muito quente de agosto na Praça São Pedro, com a presença de muitos fiéis, entre os quais um grupo de religiosas brasileiras com bandeiras do Brasil, o Papa Francisco recorda as atitudes de Jesus com a multidão da passagem evangélica deste domingo, dedicada ao “prodígio da multiplicação dos pães”, e exorta a seguir a lógica de Deus, que nos leva a “cuidar do outro”. O convite é a “fraternidade”, aproximando-se do Sacramento da Eucaristia sem esquecer os irmãos e irmãs “privados do necessário” e usando precisamente a “compaixão” e a “ternura” de Jesus: Ele – para aqueles que o seguem e que, “para estar com ele”, se esqueceram de fazer provisões – não demonstrou “sentimentalismo” mas sim, explica, a manifestação “concreta” do amor que “assume” as necessidades das pessoas.

A lógica de Deus
O Papa recordou que a cena descrita pelo evangelista Mateus se desenvolve em um lugar deserto onde Jesus, tendo se retirado ali com seus discípulos, é alcançado por pessoas que querem “ouvi-lo e serem curados”: “suas palavras e seus gestos – acrescenta – curam e dão esperança”.

Ao entardecer, a multidão ainda estão lá, e os discípulos, homens práticos, convidam Jesus a se despedir deles para que possam ir procurar o que comer. Mas Ele responde: “Vocês mesmos dêem-lhes de comer”. Imaginemos os rostos dos discípulos! Jesus sabe muito bem o que está prestes a fazer, mas quer mudar a atitude deles: não diz “deixem que se arranjem”, mas “o que a Providência nos oferece para compartilhar? Duas atitudes opostas. E Jesus quer levá-los à segunda atitude, porque na primeira proposta, é uma proposta de um homem prático, mas não generoso: “deixem-os ir, que vão procurar, que se arranjem. E Jesus pensa de outra forma. Jesus, através desta situação, quer educar seus amigos de ontem e de hoje para a lógica de Deus: a lógica de cuidar do outro.

E qual é a lógica de Deus que vemos aqui? A lógica de cuidar do outro. A lógica de não lavar as mãos, a lógica de não olhar para o outro lado. Não. A lógica de cuidar do outro. Eles que se arranjem não faz parte do vocabulário cristão.

Jesus nutre com Sua Palavra
Jesus toma os cinco pães e os dois peixes “em suas mãos”, “levanta os olhos para o céu, recita a bênção e começa a dividir e dá as porções aos discípulos para distribuir”: esses pães e esses peixes – recorda Francisco – não terminam, são suficientes e sobram para milhares de pessoas”.

“Com este gesto Jesus manifesta seu poder, não de forma espetacular, mas como sinal de caridade, da generosidade de Deus Pai para com seus filhos cansados e necessitados. Ele é imerso na vida de seu povo, ele compreende seu cansaço e suas limitações, mas não deixa que ninguém se perca ou seja excluído: nutre com sua Palavra e dá alimento abundante para o sustento”.

O pão cotidiano
No relato evangélico o Pontífice observa a evidente referência à Eucaristia, “especialmente onde ele descreve a bênção, o partir do pão, a entrega aos discípulos, a distribuição ao povo”.

“Deve-se notar quão estreita é a ligação entre o pão eucarístico, alimento para a vida eterna, e o pão cotidiano, necessário para a vida terrena. Antes de oferecer-se como Pão da salvação, Jesus cuida do alimento para aqueles que O seguem e que, para estar com Ele, se esqueceram de fazer provisões. Às vezes se contrapõem espírito e a matéria, mas na realidade o espiritualismo, como o materialismo, é alheio à Bíblia. Não é uma linguagem da Bíblia”.

A compaixão
A compaixão, a ternura que Jesus demonstrou para com a multidão – continuou o Papa – não é sentimentalismo, mas a manifestação concreta do amor que cuida das necessidades das pessoas. Somos chamados a nos aproximar da mesa eucarística com estas mesmas atitudes de Jesus: compaixão pelas necessidades dos outros…esta palavra que se repete no Evangelho quando Jesus vê um problema, uma doença ou estas pessoas sem alimento… “Ele teve compaixão”. A compaixão não é um sentimento puramente material; a verdadeira compaixão é partire con, assumir as dores dos outros. Talvez nos faça bem – disse Francisco –  nos perguntar hoje: tenho compaixão quando leio as notícias de guerras, fome, pandemias? Tantas coisas… Tenho compaixão daquelas pessoas? Tenho compaixão das pessoas que estão próximas de mim? Sou capaz de sofrer com eles ou dirijo o meu olhar para o outro lado, ou digo “que eles se arranjem”? Não se esqueça desta palavra “compaixão”, que é confiança no amor providente do Pai e significa corajosa  partilha.

Fraternidades para enfrentar a pobreza e o sofrimento
Antes das saudações, Francisco invocou Maria Santíssima para que  ”nos ajude a percorrer o caminho” que nos foi indicado pelo Senhor. “É o caminho da fraternidade, que é essencial para enfrentar as pobrezas e os sofrimentos deste mundo, e que nos projeta para além do próprio mundo, especialmente neste grave momento, porque é um caminho que começa com Deus e retorna a Deus”.

FONTE
Silvonei José
Vatican News

MÊS VOCACIONAL: CNBB apresenta programação

ago 1, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Mês Vocacional 2020: Comissão preparou programação e convida todos a rezarem juntos pelas vocações

A Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em parceria com a Edições CNBB, a Pastoral Vocacional, a Pastoral Familiar e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) preparou uma programação especial durante o mês de agosto para juntos, toda Igreja no Brasil, rezar pelo despertar das vocações. “Amados e chamados por Deus” (Chv, 112) é o tema que inspira e faz reconhecer que cada ser humano é amado por Deus, chamado pelo Pai e enviado a viver de forma plena a sua vocação, como cristãos, de diferentes maneiras, na própria Igreja e na sociedade. O lema escolhido para a vivência do mês é És precioso aos meus olhos. Eu te amo”  (Is 43,1-5).

“Neste ano de 2020, a primeira verdade é que Deus nos ama, então isso está muito presente no tema e no lema. O tema “Amados e chamados por Deus” e o lema inspirado em Isaías “És precioso aos meus olhos. Eu te amo”, é uma citação bíblica que consta no documento do Papa, na Exortação Apostólica Christus Vivit, então a primeira verdade é que Deus nos ama e que nunca deveremos duvidar disso, apesar de que possa nos acontecer na vida momentos difíceis. Em qualquer circunstância somos amados infinitamente, então o mês vocacional quer de algum modo enfatizar esta vocação: fomos chamados a amar, porque fomos antes de tudo amados”, afirma dom José Alburquerque, bispo referencial da Pastoral Vocacional.

Programação
A programação do mês é variada e conta com a realização de lives em parceria com a Editora da CNBB, a Edições CNBB, e também com a oração do terço vocacional que será transmitido, ao vivo, às quartas-feiras, pelas emissoras de inspiração católica. Todas as lives poderão ser acompanhados nas redes sociais da Conferência (@cnbbnacional) e da Edições CNBB (@edicoescnbb). O terço também poderá ser acompanhado pelas redes da CNBB.

1º Semana 
A primeira semana do mês, de 2 a 8 de agosto, é dedicada às vocações dos diáconos, presbíteros e bispos (ministérios ordenados).

Na ocasião, no dia 03 de agosto, às 15h, haverá uma live em parceria com a Editora da CNBB, a Edições CNBB, com o tema “Amados e chamados por Deus”. A iniciativa buscará abordar a importância do Mês Vocacional, e contará com a participação de dom José Albuquerque de Araújo, padre José Alir Moreira e padre Juarez Albino Destro.

Já no dia 05 de agosto, às 15h30, haverá o terço vocacional dedicado às vocações dos diáconos, presbíteros e bispos. A iniciativa será transmitida, ao vivo, pela TV Aparecida e demais emissoras católicas.

2ª Semana 
A segunda semana do mês de agosto, de 9 a 15, é dedicada à vocação do pai, mãe e filhos e a viver em família. Para esta ocasião, há a Celebração da Semana Nacional da Família, com subsídios específicos, organizada pela Pastoral Familiar.

No dia 10 de agosto, às 15h, haverá uma live em parceria com a Edições CNBB sobre a “Vocação matrimonial e do diácono permanente”, com a participação do dom João Francisco Salm, diácono Francisco Salvador Pontes Filho e padre João Candido da Silva Neto.

Já no dia 12 de agosto, às 15h30, o terço vocacional será em prol das famílias e poderá ser acompanhado, ao vivo, pela TV Horizonte e emissoras católicas.

3ª Semana 
A terceira semana do mês, de 16 a 22, é dedicada à vocação das pessoas de vida consagrada, os que fazem os votos de Castidade, Pobreza e Obediência. Este ano, pela primeira vez, será realizada a Semana Nacional da Vida Consagrada motivada pela Conferência dos Religiosos do Brasil. A programação pode ser acessada  no site oficial da CRB  (clique aqui).

No dia 17 de agosto, às 15h, haverá a live em parceria com a Edições CNBB, com o tema “Vocação e Institutos Seculares”, com a participação de dom João Inácio Müller, Aparecida de Guadalupe Cafaro, padre Juarez Albino Destro.

E no dia 19 de agosto, às 15h30, o terço vocacional é dedicado à vocação à vida consagrada e será transmitido, ao vivo, pela TV Evangelizar e demais emissoras católicas.

4ª semana 
A quarta e última semana, de 23 a 29, é dedicada à vocação dos cristãos leigos e leigas e seus diversos serviços na comunidade.

Por isso, no dia 24 de agosto, às 15h, será realizada uma live em parceria com a Edições CNBB sobre o tema da vocação dos cristãos leigos e leigas e a paróquia vocacional, com dom João Francisco Salm, Sônia Gomes de Oliveira, padre João Cândido da Silva Neto. No dia 26 de agosto, às 15h30, o terço é dedicado à vocação dos cristãos leigos e leigas e será transmitido, ao vivo,  pela TV Pai Eterno e emissoras católicas.

E no dia 31 de agosto, às 15h, a live em parceria com a Edições CNBB será sobre a vocação sacerdotal, com a participação de dom André Vital Félix da Silva, padre José Adelson da Silva Rodrigues e padre João Cândido da Silva Neto.

Hora Vocacional 
Aos sábados, das 10 às 11h, a Revista Vocacional (Rogate) organiza lives próprias também para a ocasião. A programação pode ser acessada no site oficial da revista.

FONTE
Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil

30 de agosto > Dia Nacional do Perdão

jul 31, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

A partir deste ano, 30 de agosto será lembrado como o Dia Nacional do Perdão. A lei que institui a data foi sancionada dia 19 de agosto pelo presidente Michel Temer e publicada dia 20 do mesmo mês no Diário Oficial da União. O projeto de lei foi aprovado em abril de 2015 na Câmara dos Deputados e no último dia 28 nos Senado Federal. A deputada Keiko Ota (PSB-SP), autora do texto, escolheu a data em alusão ao dia da morte de seu filho, Ives Ota, sequestrado e assassinato aos 8 anos.

Na justificativa para o PLC 31/2015, Keiko afirma que o objetivo é propor uma reflexão sobre o tema, além de ressaltar a luta de diversos movimentos sociais e parentes por justiça. Ela e o marido, Masataka Ota, fundaram, em 1997, o Movimento Paz e Justiça Ives Ota. “Lembro a memória de meu filho, Ives Ota, sequestrado e assassinado brutalmente aos 8 anos. Eu e meu marido, Masataka Ota, perdoamos aqueles que causaram esse mal à minha família”, destacou a deputada.

Entenda o caso
Ives Ota foi sequestrado em casa, na zona leste de São Paulo, em agosto de 1997. Por ter reconhecido um dos homens, que era policial militar e fazia bico como segurança em uma loja da família, o garoto foi morto na madrugada do dia seguinte. Mesmo depois da execução, o grupo continuou negociando o resgate. Os três envolvidos no caso foram condenados. Na Audiência Geral, dia 21 de setembro de 2016, na Praça São Pedro (Roma), o Papa Francisco disse que “perdoar é o primeiro pilar que sustenta a comunidade cristã”. O segundo, segundo o pontífice, é doar-se. Estar disposto a doar-se obedece a uma lógica coerente: na medida em que se recebe de Deus, se doa ao irmão, e na medida em que se doa ao irmão, se recebe de Deus”, disse.

FONTE
Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil

ALERTA: 40 milhões de pessoas são vítimas no mundo do tráfico de seres humanos

jul 30, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Tráfico de pessoas

Estima-se que cerca de 40 milhões de pessoas são vítimas no mundo do tráfico de seres humanos. De acordo com o relatório do Escritório das Nações Unidas contras a droga e o crime (UNODC) sobre o tráfico de seres humanos, quase um terço são menores de idade. Além disso, 71% do total são mulheres e meninas. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) denuncia que 21 milhões de pessoas são vítimas de trabalho forçado, muitas vezes também ligado à exploração sexual. Depois há o dramático fenômeno do tráfico de órgãos, que escapa às estimativas, mas continua sendo um fato inegável. Conversamos com o cardeal Michael Czerny, subsecretário da Seção migrantes e refugiados do Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral, sobre a natureza dramática e a abrangência do fenômeno, que afeta todos os países, de origem, de trânsito ou destino das vítimas:

R. – A maior resposta de toda a Igreja se encontra no compromisso das irmãs da rede Thalita Khum. E assim, para a Seção refugiados e migrantes do Dicastério, a primeira prioridade é acompanhar a rede, colaborar, apoiar, sugerir, facilitar… Fazemos o que podemos porque em tantos países do mundo as irmãs estão realmente respondendo em nome da Igreja e em nome de Cristo. É muito importante reconhecer este trabalho, porque elas não falam, mas agem. Então, nós podemos falar um pouco sobre isso.

Sem dúvida, a pandemia tem sido um fator de complicação em todo esse esforço…

R. – Claro. Complicou o compromisso das irmãs, mas graças a Deus, com a ajuda do Espírito Santo, elas sempre encontraram os meios para continuar a exercer o ministério. Elas não se resignaram a três meses ou seis meses de lockdown. Não: eles mudaram os meios ou métodos e continuaram. A grande tristeza é que nestes meses de pandemias houve um terrível aumento do tráfico e isto nos deve escandalizar. Enquanto todos nós – “os bons” – estamos trancados em casa, como é que a demanda está aumentando e não diminuindo? Isto indica que as raízes do problema estão nas casas, nos corações das pessoas, dos cidadãos, dos irmãos e irmãs ao nosso redor. Esta conexão entre o tráfico e a vida aparentemente normal de pessoas aparentemente normais é um grande escândalo que deve nos fazer refletir, pedir perdão a Deus, para buscar a conversão necessária para reduzir e eliminar a demanda que é o motor do tráfico.

Digamos que as duas frentes são o trabalho forçado e a exploração sexual, portanto, mulheres e crianças em ambos os casos estão em primeira linha, também junto com muitos homens, é claro…

R. – É isso mesmo. Você mencionou a prostituição, que agora inclui, em particular, toda exploração on-line e o trabalho forçado; inclui também o tráfico de órgãos, um crime para o qual não há palavras, e outros aspectos, como o uso de pessoas para transportar drogas … Tudo isso são compromissos ou “empresas” do tráfico.

Eminência, desde 2013 recordamos o Dia Internacional contra o Tráfico de Seres Humanos desejado pela ONU. Em 2015, houve um compromisso assinado pelos governos do mundo inteiro para combater o que muitas vezes é chamado de fenômeno, mas – lembramos – é um verdadeiro crime. O que tem sido feito nos últimos anos e o que realmente não está sendo enfrentado?

R. – Esta é uma boa pergunta, algo para ser mais aprofundado. Diria que no final, a soma dos esforços pode ser menos importante que os esforços individuais específicos, porque são pessoas, homens, mulheres e crianças, vítimas do tráfico, que são exploradas e abusadas. Neste sentido, quero dizer que o que é interessante é o aumento da conscientização, eu diria no mundo inteiro; este é o aspecto mais importante para nós. E nos últimos anos temos visto o desenvolvimento da conscientização. Vemos também o desenvolvimento de muitos novos ministérios da Igreja para enfrentar este flagelo: da prevenção, ao resgate, à reabilitação, à integração das pessoas. É importante que todos, em todos os níveis, estejam cientes do que nós mesmos dizemos, apoiamos e provocamos com nossas escolhas. Nosso compromisso não deve ser o de contar os números, mas o de perceber que são as escolhas que faço que apoiam e contribuem de alguma forma para o tráfico. E não estou dizendo de olhar somente para os outros ou para os bandidos, mas para as escolhas de cada um. Eu, que escolhas faço, por exemplo quando compro um celular? Quando eu faço uma viagem? Quando me permito o prazer? E eu não entro em detalhes.

Eminência, para o cristão é dado por certo ou deve ser dado por certo que o homem é feito à imagem e semelhança de Deus, portanto, o respeito pela pessoa. Em uma sociedade que se vangloria da proliferação, da reivindicação de tantos direitos, isso já não é mais um dado adquirido, compartilhável…

R. – Sim, talvez. Eu acho que cada direito tem algo de verdadeiro. Talvez nem todos os direitos tenham o mesmo nível ou valor, mas geralmente eles não são ruins como tais. O ponto é a cultura do descarte, uma cultura do prazer instantâneo ou necessário, obrigatório. Precisamos refletir sobre algumas “necessidades”, quando ouvimos “preciso deste prazer, deste produto, preciso deste preço baixo” … Penso que estas compulsões estão mais no centro do problema do tráfico do que a proliferação de direitos ou os chamados direitos.

A experiência de Thalita Khum em tempos de pandemia

À grande resposta da Igreja ao flagelo do tráfico pertence, portanto, a experiência de Talitha Kum, uma rede mundial da vida consagrada comprometida contra o tráfico de pessoas. A Irmã Gabriella Bottani, coordenadora internacional da organização, salienta que as condições de vulnerabilidade estão aumentando e afetando mais pessoas, especialmente por causa de situações de extrema pobreza que, por sua vez, facilitam a atividade dos traficantes. Entre os principais grupos afetados estão mulheres, crianças, minorias étnicas, cidadãos estrangeiros, especialmente os indocumentados, e povos indígenas. Além da propagação do vírus, o principal fator que contribui para o aumento da vulnerabilidade é a perda do emprego. O mercado de trabalho é uma área chave para os recrutadores arrastarem pessoas para a rede de exploração. De acordo com dados de Thalita Khum, a violência doméstica contra mulheres e crianças está aumentando. Embora não faça parte do tráfico como tal, pode causá-lo indiretamente, pois a violência doméstica pode forçar as pessoas a aceitar qualquer rota de fuga. Além disso, algumas das medidas sociais e sanitárias implementadas mundialmente para conter a Covid-19 tiveram impacto sobre os migrantes, especialmente aqueles sem documentos e sem autorização de residência. Entre elas estão muitas vítimas do tráfico. A pandemia também afetou o trabalho de Thalitha Kum: missionários e voluntários voltaram-se para as mídias sociais para continuar a missão, mantendo contato humano com as vítimas do tráfico de forma virtual, e foi necessário um treinamento específico.

Apelo da Cáritas: medidas urgentes e direcionadas

O secretário geral da Caritas Internationalis, Aloysius John, afirma que “neste momento da difusão da Covid-19, as pessoas vulneráveis correm maior risco de se tornarem vítimas do tráfico”.  A Confederação das 162 Cáritas nacionais e a rede cristã antitráfico enfatizam que a Covid-19 tem concentrado a atenção dos governos no setor da saúde, ao mesmo tempo em que impede que seja dada atenção suficiente aos danos colaterais da pandemia global, especialmente aos migrantes e trabalhadores informais, que agora estão mais expostos ao tráfico e à exploração. A Caritas Internationalis e a Coatnet, portanto, pedem medidas urgentes e direcionadas para apoiar aqueles que trabalham nos setores informais, incluindo trabalhadores domésticos e trabalhadores agrícolas e da construção civil, entre os quais estão os trabalhadores mais vulneráveis, como os migrantes sem documentos.

A denúncia de Save the Children

Cerca de 10 milhões das vítimas de tráfico no mundo inteiro, ou seja, 1 em cada 4, têm menos de 18 anos de idade e um entre 20 das vítimas têm menos de 8 anos de idade. A forma mais difundida de exploração continua sendo a exploração sexual (84,5%), sendo as mulheres e meninas as principais vítimas. Do total, 95% têm entre 15 e 17 anos de idade. Entretanto, o fenômeno permanece predominantemente submerso e, com a emergência da Covid-19, viu-se a transformação de alguns modelos típicos de tráfico e exploração de menores. Os grupos criminosos dedicados à exploração sexual em particular, aponta Save the Children, têm sido muito rápidos em todos os lugares a adaptarem seu modelo operacional através do uso intensivo da comunicação e exploração on-line dentro de casa, e o lockdown forçou as instituições e organizações não-governamentais a enfrentar maiores dificuldades na prevenção e apoio às vítimas. Além disso, os dados da Save the Children mostram que a pornografia infantil está florescendo na Europa.

ONU: caminho de conscientização

Em 2010, a Assembléia Geral adotou um Plano de Ação Global de combate ao tráfico de seres humanos e exortou os governos de todos os países a tomarem medidas coordenadas e coerentes para derrotar este flagelo. O Plano expressa a necessidade de incluir a luta contra o tráfico nos programas mais amplos da ONU, para que o desenvolvimento e a segurança mundial sejam fortalecidos. Uma das principais disposições do Plano é a criação de um fundo fiduciário voluntário da ONU, particularmente para mulheres e crianças. Em 2013, a Assembléia Geral realizou uma reunião de alto nível para avaliar o Plano de Ação Global. Os Estados-Membros adotaram a Resolução A/RES/68/192, que designa 30 de julho como o Dia Internacional contra o Tráfico de Seres Humanos. A resolução destacou a importância deste dia “na conscientização da situação das vítimas do tráfico de seres humanos e na promoção e proteção de seus direitos”. E, em setembro de 2015, os governos de todo o mundo aderiram à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, incluindo os objetivos e metas que afetam o tráfico. Pede-se o fim o mais rápido possível do tráfico e da violência contra crianças, e medidas para eliminar todas as formas de violência e exploração de mulheres e crianças. Outro evento importante foi a Cúpula para Refugiados e Migrantes, que levou à Declaração de Nova Iorque, que contém 19 “promessas”, das quais três se destinam a ações concretas contra o tráfico de seres humanos.

FONTE
Vatican News

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