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Audiência > Não há terra mais bela a conquistar do que o coração dos outros

fev 19, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Cidade do Vaticano – O Papa Francisco se reuniu com milhares de fiéis e peregrinos na Sala Paulo VI para a Audiência Geral da quarta-feira (19/02).

A sua catequese foi dedicada à terceira das oito bem-aventuranças: “Bem-aventurados os mansos, porque receberão a terra em herança”.

Francisco explicou o significado da palavra “manso”, que é literalmente “doce, gentil, sem violência”. A mansidão se manifesta nos momentos de conflito, de come se reage numa situação hostil, e não nos momentos de tranquilidade. Jesus nos deu o maior exemplo de mansidão quando, pregado na Cruz, perdoou seus algozes. “A mansidão de Jesus se vê fortemente na Paixão”, disse o Papa.

Mansidão e posses

Nas Escrituras, a palavra “manso” indica também aquele que não tem propriedades terrenas, por isso a terceira bem-aventurança fala que os mansos receberão a terra em herança.

Isso pode parecer incompatível, mas a posse de terras é o âmbito típico do conflito: se combate com frequência por um território, para obter a hegemonia sobre um lugar. Nas guerras, o mais forte prevalece e conquista outras terras.

 Mas a bem-aventurança fala de “herança”, que nas Escrituras tem um sentido ainda mais profundo. O Povo de Deus chama “herança”justamente a terra de Israel, que é a Terra Prometida.Aquela terra é uma promessa e um dom para o povo de Deus e se torna sinal de algo muito maior e mais profundo do que um simples território.

“Há uma ‘terra’ – permitam-me o jogo de palavras – que é o Céu, isto é, a terra para a qual caminhamos.”

Herdar o mais sublime dos territórios

Então o manso é quem “herda” o mais sublime dos territórios. Ser manso não é ser covarde, pelo contrário, é o discípulo de Cristo que aprendeu bem a defender outra terra.

“Ele defende a Sua paz,  a sua relação com Deus e os seus dons, protegendo a misericórdia, a fraternidade, a confiança e a esperança. Porque as pessoas mansas são pessoas misericordiosas, fraternas, confiantes e pessoas com esperança.”

Francisco mencionou o pecado da ira e todas as coisas que destruímos quando se manifesta: perde-se o controle e não se avalia o que é realmente importante, e se pode arruinar a relação com um irmão, às vezes sem remédio. “Por causa da ira, muitos irmãos não se falam mais, se afastam. É o contrário da mansidão. A mansidão reúne. A ira separa.”

A mansidão, ao invés, conquista tantas coisas. A “terra” a conquistar é a salvação daquele irmão de que fala o mesmo Evangelho de Mateus: “Se te ouvir, ganhaste a teu irmão”:

“Não há terra mais bela do que o coração dos outros. Pensemos nisso: Não há terra mais bela do que o coração dos outros. Não há território mais belo a conquistar do que a paz restabelecida com um irmão. Esta é a terra a ser herdada com a mansidão!”

FONTE
Bianca Fraccalvieri
Vatican News

ANGELUS > “A Lei de Deus é liberdade”, disse o Papa

fev 16, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

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Cidade do Vaticano – Sob um sol quase primaveril, o Papa Francisco rezou o Angelus com milhares de fiéis e peregrinos na Praça São Pedro. Em sua alocução, comentou o Evangelho deste VI Domingo do Tempo Comum (Mt 5,17-37), extraído do “sermão da montanha” e que toca o argumento da aplicação da Lei. Francisco explicou que a intenção de Jesus é ajudar os seus ouvintes a ter uma abordagem justa com as prescrições dos mandamentos dados a Moisés. Trata-se de viver a Lei como um instrumento de liberdade, que nos ajuda a não sermos escravos das paixões e do pecado. “Pensemos nas guerras, em suas consequências, pensemos naquela menina que morreu de frio na Síria outro dia. Tantas calamidades, tantas. Isso é fruto das paixões e as pessoas que fazem a guerra não sabem dominar as próprias paixões. Falta obedecer à Lei.” Quando se cede às tentações e às paixões, acrescentou, não se é senhor e protagonista da própria vida, mas se torna incapaz de administrá-la com vontade e responsabilidade.

Obediência forma e obediência substancial
O sermão de Jesus, prosseguiu o Papa, é estruturado em quatro antíteses, expressas com a fórmula “Ouvistes o que foi dito… porém vos digo”. Essas antíteses fazem referência a situações da vida cotidiana: o homicídio, o adultério, o divórcio, os juramentos. Jesus não abole as prescrições que dizem respeito a essas problemáticas, mas explica o seu significado mais profundo e indica o espírito com o qual observá-las. Ele encoraja a passar de uma obediência formal da Lei a uma obediência substancial, acolher a Lei no coração, que é o centro das intenções, das decisões, das palavras e dos gestos de cada um de nós. “Do coração partem as ações boas e aquelas más”, recordou Francisco.

A língua mata
Acolhendo a Lei de Deus no coração, se compreende que, quando não se ama o próximo, se mata de algum modo a si mesmo e aos outros, porque o ódio, a rivalidade e a divisão matam a caridade fraterna, que está na base das relações interpessoais. “Vale o que disse antes sobre as guerras e também das fofocas, porque a língua mata.” Acolhendo a Lei de Deus no coração, se compreende que os desejos devem ser guiados, porque nem tudo o que se deseja é possível obter, e não é bom ceder a sentimentos egoístas e possessivos.

Progredir no caminho do amor
Todavia, acrescentou o Papa, Jesus está consciente de que não é fácil viver os mandamentos deste modo assim tão profundo. Por isso, nos oferece o socorro do seu amor: Ele veio ao mundo não só para realizar a Lei, mas também para nos doar a sua Graça, de modo que possamos fazer a vontade de Deus, amando Ele e os irmãos. “Podemos fazer tudo com a Graça de Deus. A santidade não mais é que custodiar esta gratuidade que Deus nos deu, esta Graça.” Trata-se de se entregar e confiar Nele, acolhendo a mão que Ele nos estende constantemente.

Jesus hoje nos pede para progredir no caminho do amor que Ele nos indicou e que parte do coração. Este é o caminho a seguir para viver como cristãos. “Que a Virgem Maria nos ajude a seguir o caminho traçado pelo seu Filho, para alcançar a verdadeira alegria e difundir em todo o mundo a justiça e a paz.

FONTE
Bianca Fraccalvieri
Vatican News

Padre Dalla Dea > a Igreja pode aprender da Amazônia

fev 15, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Cidade do Vaticano – “O processo que o Papa Francisco está fazendo neste documento é um processo que começa agora e que vai se enraizar dentro da Igreja. Essa é a grande esperança minha, mas do Papa Francisco também, uma esperança de algo novo que está nascendo”. Esta é a avaliação do Padre Paulo Dalla Dea*, sacerdote fidei donum no Santuário do Cura D’Ars, França, sobre a Exortação Pós-Sinodal “Querida Amazônia”, do Papa Francisco, publicada na última quarta-feira, 12 de fevereiro.

“Tenho que parabenizar o Papa Francisco por ter escrito esse documento com tanta inspiração, com tanto discernimento, e com tanta inspiração do Espírito Santo”, disse ao Vatican News o sacerdote, ao destacar alguns pontos do documento.

Chamar a atenção para a Amazônia

“Eu acho que a questão principal aqui é que é uma Exortação Apostólica que coloca em primeiro lugar uma questão que ninguém estava vendo, que era questão da Amazônia, uma região pobre, isolada, há 500 anos com problema de evangelização e agora com problemas não só evangelização, mas exploração do homem e da natureza e de tudo. Então o Papa Francisco coloca o foco muito grande em um lugar onde pouca gente estava colocando. E ele chega a dizer, isso é interessante, que objetivo dele é colocar a Amazônia em destaque. Se esse o objetivo é esse, ele conseguiu. Mas vamos ver o que que ele fala sobre essa região do mundo.

Ensinamento em linha com a doutrina mais tradicional da Igreja

A primeira coisa que eu queria destacar é que a Exortação Apostólica “Querida Amazônia” está na mesma linha da Laudato Si, no número 8, primeiro capítulo, quando ele fala que é necessário ouvir tanto  o clamor da terra como o clamor dos Pobres. Então ele vai na mesma linha da Laudato si, onde ele protege o meio ambiente para proteger as pessoas e protege as pessoas mais desprotegidas, que são os pobres.  Nesse sentido a Encíclica vai na mesma linha, criticando xenofobia, criticando exploração sexual, criticando o tráfico de pessoas – que acontece na Amazônia – criticando toda a exploração desenfreada do capitalismo na Amazônia. Inclusive no número 12 já citando Bento XVI, indo na mesma linha de Bento XVI, no discurso que ele fez aos jovens de São Paulo em 2007, onde Bento XVI fala da devastação ambiental da Amazônia. E fala das ameaças à dignidade humana, das suas populações. Quer dizer, é um ensinamento bem em linha com a doutrina mais tradicional da Igreja.

Ele vai falar de Bento XVI e aqui tem uma coisa interessante. Ele cita Bento XVI, e São João Paulo II, várias vezes, é lógico, mas ele cita também o Ratzinger. Em um momento aqui nas notas de rodapé, ele cita uma entrevista do Ratzinger em 2005. Então ele cita dois momentos muito diferente da mesma pessoa: o Papa Bento XVI e o cardeal Ratzinger. Ele usa os dois momentos da mesma pessoa, o que é muito interessante e que é uma inovação.

As fontes e notas de rodapé

A fonte é uma questão bastante nova. As notas de rodapé que ele coloca, é lógico, o Papa Francisco cita o Sínodo dos Bispos, cita o documento final, cita várias outras contribuições que foram trazidas no Sínodo, mas ele cita algumas coisas que são bastante interessantes.

Além de citar Bento 16 e Ratzinger, ele cita também algumas pessoas que são um pouco novas nesse sentido. Tem uma nota em que ele cita Pedro Casaldáliga, que é um bispo que trabalhou na Amazônia, um bispo que já está aposentado, está com vários problemas de saúde, mas ele cita Pedro Casaldáliga, ele cita João Carlos Galeano, que é um poeta, ele cita Pablo Neruda, ele cita também Evaristo Eduardo de Miranda, que é um ecologista leigo católico, é também de certa forma teólogo, ele é da Arquidiocese de Campinas, eu o conheço, é uma pessoa extremamente boa. E ele cita ainda Euclides da Cunha. São poetas, são coisas, que não nós estamos muito acostumados a ver nas Encíclicas papais. Então ele usa da literatura que é fora da Igreja, não só a literatura eclesial.

A Tradição como raiz

Também como fonte, linda poesia, além dessas fontes que estou dizendo, ele usa duas situações muito importantes da Patrística. Duas vezes ele cita Tomás de Aquino, que é um Santo do século XIII, um homem extremamente culto, um monge extremamente culto, tanto que as obras dele foram consideradas meio que oficiais na Igreja. Então ele cita São Tomás de Aquino quando ele vai trabalhar várias questões que são difíceis, disputadas e tal.

E aqui tem uma outra questão como fonte, que ele cita São Vicente de Lélis, que é do século quarto, e é considerado Padre da Igreja. E ele vai citar Vicente de Lélis para dizer justamente da Tradição mais autêntica da Igreja, que é a raiz de uma árvore. Ele trata a Tradição como raiz. E a raiz não dá para ser arrancada, senão a árvore perto de sustentação, mas perde também a vida. Então ele trata São Vicente de Lélis com como uma figura extremamente interessante e com uma imagem que é extremamente cara à Amazônia

Cultura em diálogo, aberta

Outra coisa a ser considerada, é que o Papa quando fala de cultura no número 37, ele fala de cultura do diálogo. Então ele fala de uma cultura que está em relacionamento com os outros, de uma cultura que não é parada, não é conservacionista, não é uma coisa  estanque. A cultura indígena, a cultura ribeirinha, mesmo a cultura ocidental, não é estanque, não pode não pode ficar presa como em um zoológico.

Alguns antropólogos defendem esse tipo de coisa, que as culturas originárias sejam culturas em que não se toca, não se pode ter diálogo, não se pode fazer nenhum relacionamento, porque elas têm que ser preservadas. O Papa Francisco diz que não. “Uma cultura pode tornar-se estéril – número 37 – quando se fecha em si própria, e procura perpetuar formas antiquadas de vida, recusando qualquer mudança e confronto com a verdade do homem”.

Então a partir de São João Paulo II, ele trata de um conceito de cultura que é um conceito de cultura em diálogo, aberto, com a expressão aberta para o outro.

O sonho ecológico

Depois, no capítulo 3, quando ele vai falar do sonho ecológico, ele trata a Amazônia com uma imagem bastante poética, no número 43, onde ele diz assim que “na Amazônia a água é a rainha, rios e córregos lembram veias e toda a forma de vida brota dela”. Ele trata a Amazônia como uma espécie de coração pulsante do planeta.

Em vários momentos, ele cita versos poéticos, e no número 48, após ele falar do grito da Amazônia, ele vai citar também os biomas do Congo e de Bornéu. Não sei se ele pensa, essa é uma sutileza do Papa, não sei se ele pensa, em ainda fazer alguma coisa sobre esses dois biomas, de falar alguma coisa sobre esses biomas em algum outro momento de seu ensinamento.

O grito da Amazônia: pensar em soluções novas

Mas uma coisa interessante que ele fala sobre o grito da Amazônia, e que pouca gente sabe, é que a floresta ela não cresce no solo, a partir do solo, ela cresce realmente sobre o solo, porque o solo da Amazônia é muito pobre. E aí ele tem o grande perigo de desertificação. O maior perigo da Amazônia é de virar um deserto, de perder todo o seu bioma, e de fazer ele perder toda a sua capacidade de biodiversidade. Inclusive isso é um perigo para nós, humanos, porque toda aquela diversidade vegetal e animal, está em vista de poder descobrir muita cura de muitas doenças.

Então o Papa Francisco fala disso, que a gente não pode ficar só nesses interesses econômicos e políticos, mas tem que pensar em soluções interessantes e novas, e não internacionalizar a Amazônia, porque internacionalizar a Amazônia tem o risco de internacionalizar o capitalismo na Amazônia.

Amazônia, um lugar teológico

Agora, para entrar em questões assim mais internas, nossas, vamos dizer sim, na página 44, número 57, ele fala de uma coisa espetacular em matéria de teologia. Eu vou citar: “Por todas estas razões, nós, os crentes, encontramos na Amazónia um lugar teológico, um espaço onde o próprio Deus Se manifesta e chama os seus filhos”.

Lugar teológico é um conceito teológico onde diz que a partir daí você pode fazer teologia. Se dizia na América Latina que o pobre é um lugar teológico. Nós podemos hoje dizer que a Amazônia é um lugar teológico. A partir daí você pode começar a fazer uma teologia. Claro inspirada na Bíblia. Claro inspirada na Tradição da Igreja, sem dúvida. Mas a partir daí pode nascer o alicerce de uma nova teologia, uma teologia que seja inspirada na ecologia, mas que seja inspirada na revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Então aqui o Papa Francisco deixa um trampolim pronto para qualquer teólogo começar a mergulhar nesse mar, nessa água da Amazônia, nesse mar da Amazônia.

Igreja chamada a caminhar com os povos da Amazônia

Lugar teológico é de uma fecundidade teológica absurda. A partir daí, o Papa Francisco, no Capítulo 4, vai falar do sonho eclesial, e aí no número 61 ele vai dizer que a Igreja é chamada a caminhar com os povos da Amazônia. Ele não está dizendo que é chamada a evangelizar os povos da Amazônia, mas que é chamada a caminhar com os povos. Isso muda bastante o objetivo da missiologia. Ou seja, o povo da Amazônia, os habitantes da Amazônia, não são um objetivo teológico, um objetivo de evangelização, mas a partir deles que se pode começar a dialogar. Então ele retira, em missiologia, ele tira aquele objetivo preciso de evangelizar, “aqueles lá”. Ele vai dizer mais para frente, inclusive, que a Igreja precisa aprender da Amazônia. No número 66 ele diz: “Ao mesmo tempo que anuncia sem cessar o kerigma, a Igreja deve crescer na Amazônia e deve aprender dela”.

No número 68 está mais explícito. Diz assim: “O Espírito Santo fecunda a sua cultura com a força transformadora do Evangelho»; por outro, a própria Igreja vive um caminho de receção, que a enriquece com aquilo que o Espírito já tinha misteriosamente semeado naquela cultura.” Ou seja, a Igreja precisa aprender com a Amazônia, com os povos da Amazônia, não só a Igreja evangelizar, mas ela é evangelizada. E isso está na linha da melhor teologia da missão hoje em dia.

Quando ele fala disso, quando ele coloca essa Teologia da missão ele coloca duas coisas interessantes. Uma no número 69: “O cristianismo não dispõe de um único modelo cultural, ou seja, podemos evangelizar a Amazônia, não a partir da Europa, mas a partir da própria Amazônia. E no finalzinho do número 69, ele quase como repete João Paulo II, e diz: Não tenhamos medo!” João Paulo II falou isso várias vezes: “não tenham medo!”. “Não tenhamos medo, não cortemos as asas ao Espírito Santo”, ele dá um grande empurrão na evangelização.

Uma santidade com traços amazônicos

Ele fala muito bem da questão da inculturação, coloca muito bem as coisas, mas ele ele dá uma coisa relativamente nova, quando no número 77 ele fala de uma “santidade da Amazônia”: “Santidade da Amazônia é falar de uma inculturação em nível espiritual, em nível celeste”, então isso é uma novidade bastante fina, bastante interessante. Imaginemos uma santidade com traços amazônicos chamada a interpelar a Igreja universal.

E não nos apressemos em qualificar como superstição, ou paganismo, certas expressões religiosas que nascem espontaneamente da vida do povo.

Em linha com a atual Teologia da Missiologia

Absurdamente interessante, ele continua falando da Amazônia, e aí ele diz a função do missionário, aí introduz a missão do missionário, dizendo que o “missionário procura descobrir as aspirações legítimas, que passam através das manifestações religiosas. Ou seja, a primeira tarefa do missionário, não é impor uma cultura, mas é escutar a partir dessa cultura”. Está na melhor linha da inculturação, quando ele fala da inculturação da liturgia, fala da misericórdia, do Concílio Vaticano II. Ele está na melhor linha da Teologia da missiologia hoje em dia.

O ministério sacerdotal

Com grande sabedoria, com grande discernimento do Espírito Santo, o Papa Francisco aponta algumas coisas muito interessantes, por exemplo, que se você olhar as sutilezas do texto pode dar possibilidade de fazer uma coisa diferente.

O Papa começa uma nova reflexão sobre o ministério sacerdotal, quando no número 87 ele diz que a primeira conclusão é que esse caráter exclusivo recebido na Ordem deixa só o padre habilitado para presidir a Eucaristia. Depois ele diz: “que o padre também é habilitado para a Missa, Confissão e Unção”, ou seja, ele parece retirar a necessidade intrínseca de que o padre seja líder de uma comunidade. Ele abre, nas entrelinhas, a possibilidade de que o padre seja celebrante da Eucaristia, presidente da Eucaristia, atenda confissão e faça a Unção dos Enfermos, mas a comunidade seja liderada em outros ministérios.

E o seu olhar, quando ele afirma assim no 87: “Quando se afirma que o sacerdote é sinal de «Cristo cabeça», o significado principal é que Cristo constitui a fonte da graça: Ele é cabeça da Igreja «porque tem o poder de comunicar a graça a todos os membros da Igreja»”. Essa função não equivale a estar acima dos outros, mas ordenando-se integralmente à santidade dos membros do Corpo Místico de Cristo.

E mais para frente ele vai dizer da necessidade da Eucaristia, da necessidade de celebrar a Eucaristia, porque a Eucaristia faz a Igreja. E a partir de número 92 ele fala de assumir, que os diáconos permanentes possam assumir mais as coisas: “Isto não exclui que ordinariamente os diáconos permanentes – deveriam ser muitos mais na Amazônia –, as religiosas e os próprios leigos assumam responsabilidades importantes em ordem ao crescimento das comunidades e maturem no exercício de tais funções, graças a um adequado acompanhamento.”

Ele parece nas entrelinhas da possibilidade dos bispos de colocar padres para celebrar a Eucaristia, atender a Confissão e fazer a Unção e deixar outros leigos, religiosas ou diáconos liderando a Comunidade. Isso eu acho que ainda precisa ser melhor entendido, precisa ser melhor refletido, os bispos precisam colocar a mão nesse tipo de coisa, mas ele deixa um pouco vago, um pouco com a possibilidade de essas coisas serem feitas, sem entrar nas questões de celibato sacerdotal ou não celibato sacerdotal.

Presença estável de responsáveis leigos, maduros e dotados de autoridade

No número 94 ele diz assim: “Uma Igreja de rostos amazônicos requer a presença estável de responsáveis leigos, maduros e dotados de autoridade”. E aí a nota explica o Código de Direito Canônico, dizendo que o Bispo pode autorizar um diácono, ou outra pessoa, que não possui a graça sacerdotal, a exercer o serviço Pastoral da Paróquia. Então ele mesmo dá a possibilidade de ter paróquias sem sacerdote, ter comunidades que sejam dotadas pelo serviço estável e autorizado de um bispo.

No final ele fala de ecumenismo, fala das ONGs, no começo do documento ele critica a origem do dinheiro, precisa tomar cuidado que às vezes o capitalismo acaba corrompendo as ONGs. E conclui com uma oração a Maria.

Em resumo: o documento é extremamente interessante. O Papa deixa nas entrelinhas várias possibilidades para os bispos agirem, em conjunto ou agirem nas suas dioceses. E essa liberdade que ele dá, inclusive aquela parte que ele diz: “não tenhamos medo, vamos para frente”, esse empurrão que ele dá na Pastoral, esse lugar teológico que ele coloca a Amazônia na Igreja e no mundo, faz com que criemos uma perspectiva nova, um processo de maturação e de trabalho de fato diferenciado.

Como o próprio Papa fala, os processos são mais interessantes do que os lugares. Tem que começar processos para que as coisas vão acontecer. O documento tem essa abordagem, ele dá liberdade para vários processos, tanto simultâneos como diferentes, ele coloca as bases para um trabalho evangelizador que não é um trabalho em que as pessoas são objetivos da evangelização, são objetos da evangelização, mas ele dá a possibilidade da Igreja aprender com essa cultura, como já aprendemos com os gregos, com os latinos, com os eslavos, com os com os povos europeus, a Igreja pode aprender da Amazônia. Isso é uma nova era na Igreja. Esse documento não vai fazer sucesso no sentido que a mídia não sei se entende tudo bem a profundidade do documento, mas vai fazer escola, e uma escola profundamente interessante. Tenho que parabenizar o Papa Francisco por ter escrito esse documento com tanta inspiração, com tanto discernimento, e com tanta inspiração do Espírito Santo.

O processo que o Papa Francisco está fazendo neste documento é um processo que começa agora e que vai enraizar dentro da Igreja. Essa é a grande esperança minha, mas do Papa Francisco também, uma esperança de algo novo que tá nascendo.

FONTE
Vatican News
Padre Paulo Dalla Dea - é da Diocese de São Carlos, formado em Teologia com especialização em catequese de Crisma, trabalhando com adolescente. É Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado. Atualmente exerce seu ministério como Missionário da Misericórdia no Santuário do Cura D’Ars, França.

Francisco > Guardar no coração quem nos acompanha no caminho da vida

fev 14, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

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Vaticano – O Papa Francisco celebrou a missa matutina esta sexta-feira (14/04) e em sua homilia se inspirou numa funcionária da Casa Santa Marta, Patrícia, que acaba de se aposentar. O Pontífice fez um “ato de memória, de agradecimento” e falou do calor da Casa Santa Marta, de uma “família ampla”, feita de pessoas que nos acompanham no caminho da vida, que todos os dias trabalham ali, com dedicação e cuidado.

O egoísmo é um pecado

A homilia narrou a cotidianidade da Casa Santa Marta, a residência do Papa. Francisco deu destaque à família, não apenas “pai, mãe, irmãos, tios e avós”, mas à “família alargada, aqueles que nos acompanham no caminho da vida por um pouco de tempo”. Depois de 40 anos de trabalho, Patrícia está se aposentando: uma presença de família sobre a qual refletir:

E isso fará bem a todos nós que moramos aqui pensar nesta família que nos acompanha; e a todos vocês que não moram aqui, pensar em tantas pessoas que os acompanham no caminho da vida: vizinhos, amigos, companheiros de trabalho, de estudo… Nós não estamos sós. O Senhor nos quer povo, nos quer em companhia; não nos quer egoístas: o egoísmo é um pecado.

Obrigado, Senhor, por não nos abandonar

Na sua reflexão, o Papa recordou a generosidade de tantos companheiros de trabalho que cuidaram de quem adoeceu. Por trás de cada nome, há uma presença, uma história, uma permanência breve que deixou uma marca. Uma familiaridade que encontrou espaço no coração de Francisco. “Penso na Luísa, penso na Cristina”, afirmou o Pontífice, na avó da casa, irmã Maria, que entrou para trabalhar jovem e que ali decidiu se consagrar. Mas ao recordar a sua família “alargada”, o pensamento do Papa se dirigiu a quem não está mais: “Miriam, que foi embora com seu filho; Elvira, que foi um exemplo de luta pela vida, até o fim”. E outros ainda que se aposentaram ou foram trabalhar em outro lugar. Presenças que fizeram bem e que, ás vezes, é difícil deixar.

Hoje nos fará bem, a todos nós, pensar nas pessoas que nos acompanharam no caminho da vida, como gratidão, e também como um gesto de gratidão a Deus. Obrigado, Senhor, por não nos abandonar. É verdade, sempre existem problemas, e onde há gente, há fofocas. Inclusive aqui dentro: se reza e se faz fofoca, ambas as coisas. E algumas vezes também se peca contra a caridade.

Um grande “obrigado”

Pecar, perder a paciência e, depois, pedir desculpa. Assim se faz na família. “Eu gostaria de agradecer pela paciência das pessoas que nos acompanham – destacou o Papa – e pedir perdão pelas nossas faltas”.

Hoje é um dia para agradecer e pedir perdão, do coração, cada um de nós, às pessoas que nos acompanham na vida, por um pedaço da vida, por toda a vida … E gostaria de aproveitar desta despedida de Patrícia para fazer com vocês este ato de memória, de agradecimento, e também pedir perdão às pessoas que nos acompanham. Cada um de nós o faça com as pessoas que habitualmente o acompanham. E àqueles que trabalham aqui em casa, um “obrigado” grande, grande, grande. E à senhora, Patrícia, que comece esta segunda parte da vida com mais 40 anos!

FONTE
Vatican News
Benedetta Capelli

Doze meses de oração com o Papa > As intenções para 2021

fev 14, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

O Papa Francisco em oração na Basílica de São Pedro, ao lado da imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus

Cidade do Vaticano – Reconhecer Cristo em todo irmão e transformar a condição física, moral e espiritual imerso em oração: essa é a inspiração que anima o apostolado da Rede mundial de oração, à qual o Papa Francisco confiou, como todos os anos, suas intenções para o próximo ano.

A seguir, as intenções confiadas pelo Papa ao Apostolado da Oração para 2021. Ao longo do ano, cada mês é dedicado a uma intenção pela evangelização ou a uma intenção universal.

Janeiro

Intenção de oração pela evangelização – A fraternidade humana

Para que o Senhor nos conceda a graça de viver em plena fraternidade com os irmãos e as irmãs de outras religiões, rezando uns pelos outros, abertos a todos.

Fevereiro

Intenção de oração universal – Violência contra as mulheres

Rezemos pelas mulheres vítimas de violência, a fim de que sejam protegidas pela sociedade e seus sofrimentos sejam levados em consideração e sejam ouvidas.

Março

Intenção de oração pela evangelização – Sacramento da Reconciliação

Rezemos a fim de que vivamos o Sacramento da Reconciliação com uma renovada profundidade, para saborear a infinita misericórdia de Deus.

Abril

Intenção de oração universal – Os direitos fundamentais

Rezemos por aqueles que arriscam a vida lutando pelos direitos fundamentais nas ditaduras, nos regimes autoritários e até mesmo nas democracias em crise.

Maio

Intenção de oração universal – O mundo das finanças

Rezemos a fim de que os responsáveis pelas finanças colaborem com os governos para regulamentar a esfera financeira e proteger os cidadãos de seus perigos.

Junho

Intenção de oração pela evangelização – A beleza do matrimônio

Rezemos pelos jovens que se preparam para o matrimônio com o apoio de uma comunidade cristã: a fim de que cresçam no amor, com generosidade, fidelidade e paciência.

Julho

Intenção de oração universal – A amizade social

Rezemos a fim de que, nas situações sociais, econômicas e políticas conflitivas, sejamos corajosos e apaixonados artífices do diálogo e da amizade.

Agosto

Intenção de oração pela evangelização – A Igreja

Rezemos pela Igreja, a fim de que receba do Espírito Santo a graça e a força de reformar-se à luz do Evangelho.

Setembro

Intenção de oração universal – Um estilo de vida ecologicamente sustentável

Rezemos a fim de que todos façam escolhas corajosas por um estilo de vida sóbrio e ecologicamente sustentável, alegrando-nos pelos jovens que se comprometem resolutamente a este respeito.

Outubro

Intenção de oração pela evangelização – Discípulos missionários

Rezemos a fim de que todo batizado seja engajado na evangelização, disponível para a missão, através de um testemunho de vida que tenha o sabor do Evangelho.

Novembro

Intenção de oração universal – As pessoas que sofrem de depressão

Rezemos a fim de que as pessoas que sofrem de depressão ou de esgotamento encontrem em todos um apoio e uma luz que as abra para a vida.

Dezembro

Intenção de oração pela evangelização – Os catequistas

Rezemos pelos catequistas, chamados a anunciar a Palavra de Deus: a fim de que sejam suas testemunhas com coragem e criatividade na força do Espírito Santo.

FONTE
Vatican News
Cidade do Vaticano

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA > “Que a Amazônia lute pelos direitos dos mais pobres”, disse o Papa Francisco

fev 13, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Querida Amazônia - Papa Francisco em Puerto Maldonado

Vaticano“A Amazônia querida apresenta-se aos olhos do mundo com todo o seu esplendor, o seu drama e o seu mistério.” Assim tem início a Exortação apostólica pós-sinodal, Querida Amazônia. O Pontífice, nos primeiros pontos, (2-4) explica “o sentido desta Exortação”, rica de referências a documentos das Conferências episcopais dos países amazônicos, mas também a poesias de autores ligados à Amazônia. Francisco destaca que deseja “expressar as ressonâncias” que o Sínodo provocou nele. E esclarece que não pretende substituir nem repetir o Documento final, que convida a ler “integralmente”, fazendo votos de que toda a Igreja se deixe “enriquecer e interpelar” por este trabalho e que a Igreja na Amazônia se empenhe “na sua aplicação”. O Papa compartilha os seus “Sonhos para a Amazônia” (5-7), cujo destino deve preocupar a todos, porque esta terra também é “nossa”. Assim, formula “quatro grandes sonhos”: que a Amazônia “que lute pelos direitos dos mais pobres”, “que preserve a riqueza cultural”, que “que guarde zelosamente a sedutora beleza natural”, que, por fim, as comunidades cristãs sejam “capazes de se devotar e encarnar na Amazônia”.

O sonho social: a Igreja ao lado dos oprimidos

O primeiro capítulo de Querida Amazônia é centralizado no “Sonho social” (8). Destaca que “uma verdadeira abordagem ecológica” é também “abordagem social” e, mesmo apreciando o “bem viver” dos indígenas, adverte para o “conservacionismo”, que se preocupa somente com o meio ambiente. Com tons vibrantes, fala de “injustiça e crime” (9-14). Recorda que já Bento XVI havia denunciado “a devastação ambiental da Amazônia”. Os povos originários, afirma, sofrem uma “sujeição” seja por parte dos poderes locais, seja por parte dos poderes externos. Para o Papa, as operações econômicas que alimentam devastação, assassinato e corrupção merecem o nome de “injustiça e crime”. E com João Paulo II, reitera que a globalização não deve se tornar um novo colonialismo.

Os pobres sejam ouvidos sobre o futuro da Amazônia

Diante de tanta injustiça, o Pontífice fala que é preciso “indignar-se e pedir perdão” (15-19). Para Francisco, são necessárias “redes de solidariedade e de desenvolvimento” e pede o comprometimento de todos, inclusive dos líderes políticos. O Papa ressalta o tema do “sentido comunitário” (20-22), recordando que, para os povos amazônicos, as relações humanas “estão impregnadas pela natureza circundante”. Por isso, escreve, vivem como um verdadeiro “desenraizamento” quando são “forçados a emigrar para a cidade”. A última parte do primeiro capítulo é dedicado às “Instituições degradadas” (23-25) e ao “Diálogo social” (26-27). O Papa denuncia o mal da corrupção, que envenena o Estado e as suas instituições. E faz votos de que a Amazônia se torne “um local de diálogo social” antes de tudo “com os últimos. A voz dos pobres, exorta, deve ser a voz mais forte” sobre a Amazônia.

O sonho cultural: cuidar do poliedro amazônico

O segundo capítulo é dedicado ao “sonho cultural”. Francisco esclarece que “promover a Amazônia” não significa “colonizá-la culturalmente” (28). E recorre a uma imagem que lhe é cara: “o poliedro amazônico” (29-32). É preciso combater a “colonização pós-moderna”. Para Francisco, é urgente “cuidar das raízes” (33-35). Citando Laudato si’ Christus vivit, destaca que a “visão consumista do ser humano” tende a “a homogeneizar as culturas” e isso afeta sobretudo os jovens. A eles, o Papa pede que assumam as raízes, que recuperem “a memória danificada”.

Não a um indigenismo fechado, é preciso um encontro intercultural

A Exortação se concentra depois sobre o “encontro intercultural” (36-38). Mesmo as “culturas aparentemente mais evoluídas”, observa, podem aprender com os povos que “desenvolveram um tesouro cultural em conexão com a natureza”. A diversidade, portanto, não deve ser “uma fronteira”, mas “uma ponte”, e diz não a “um indigenismo completamente fechado”. A última parte do segundo capítulo é dedicada ao tema “culturas ameaçadas, povos em risco” (39-40). Em qualquer projeto para a Amazônia, esta é a recomendação do Papa, “é preciso assumir a perspectiva dos direitos dos povos”. Estes, acrescenta, dificilmente podem ficar ilesos se o ambiente em que nasceram e se desenvolveram “se deteriora”.

O sonho ecológico: unir cuidado com o meio ambiente e cuidado com as pessoas

O terceiro capítulo, “Um sonho ecológico”, é o mais relacionado com a Encíclica Laudato si’. Na introdução (41-42), destaca-se que na Amazônia existe uma relação estreita do ser humano com a natureza. Cuidar dos irmãos como o Senhor cuida de nós, reitera, “é a primeira ecologia que precisamos”. Cuidar do meio ambiente e cuidar dos pobres são “inseparáveis”. Francisco dirige depois a atenção ao “sonho feito de água” (43-46). Cita Pablo Neruda e outros poetas locais sobre a força e a beleza do Rio Amazonas. Com suas poesias, escreve, “ajudam a libertar-nos do paradigma tecnocrático e consumista que sufoca a natureza”.

Ouvir o grito da Amazônia, o desenvolvimento seja sustentável

Para o Papa, é urgente ouvir o “grito da Amazônia” (47-52). Recorda que o equilíbrio planetário depende da sua saúde. Escreve que existem fortes interesses não somente locais, mas também internacionais. A solução, portanto, não é “a internacionalização” da Amazônia; ao invés, deve crescer “a responsabilidade dos governos nacionais”. O desenvolvimento sustentável, prossegue, requer que os habitantes sejam sempre informados sobre os projetos que dizem respeito a eles e auspicia a criação de “um sistema normativo” com “limites invioláveis”. Assim, Francisco convida à “profecia da contemplação” (53-57). Ouvindo os povos originários, destaca, podemos amar a Amazônia “e não apenas usá-la”; podemos encontrar nela “um lugar teológico, um espaço onde o próprio Deus Se manifesta e chama os seus filhos”. A última parte do terceiro capítulo é centralizada na “educação e hábitos ecológicos” (58-60). O Papa ressalta que a ecologia não é uma questão técnica, mas compreende sempre “um aspecto educativo”.

O sonho eclesial: desenvolver uma Igreja com rosto amazônico

O último capítulo, o mais denso, é dedicado “mais diretamente” aos pastores e aos fiéis católicos e se concentra no “sonho eclesial”. O Papa convida a “desenvolver uma Igreja com rosto amazônico” através de um “grande anúncio missionário” (61), um “anúncio indispensável na Amazônia” (62-65). Para o Santo Padre, não é suficiente levar uma “mensagem social”. Esses povos têm “direito ao anúncio do Evangelho”; do contrário, “cada estrutura eclesial transformar-se-á em mais uma ONG”. Uma parte consistente é dedicada ainda à inculturação. Retomando a Gaudium et spes, fala de “inculturação (66-69) como um processo que leva à plenitude à luz do Evangelho” aquilo que de bom existe nas culturas amazônicas.

Uma renovada inculturação do Evangelho na Amazônia

O Papa dirige o seu olhar mais profundamente, indicando os “Caminhos de inculturação na Amazônia”. (70-74). Os valores presentes nas comunidades originárias, escreve, devem ser valorizados na evangelização. E nos dois parágrafos sucessivos se detém sobre a “inculturação social e espiritual” (75-76). O Pontífice evidencia que, diante da condição de pobreza de muitos habitantes da Amazônia, a inculturação deve ter um “timbre marcadamente social”. Ao mesmo tempo, porém, a dimensão social deve ser integrada com aquela “espiritual”.

Os Sacramentos devem ser acessíveis a todos, especialmente aos pobres

Na sequência, a Exortação indica “pontos de partida para uma santidade amazônica” (77-80), que não devem copiar “modelos doutros lugares”. Destaca que “é possível receber, de alguma forma, um símbolo indígena sem o qualificar necessariamente como idolátrico”. Pode-se valorizar, acrescenta, um mito “denso de sentido espiritual” sem necessariamente considerá-lo “um extravio pagão”. O mesmo vale para algumas festas religiosas que, não obstante necessitem de um “processo de purificação”, “contêm um significado sagrado”.

Outra passagem significativa de Querida Amazônia é sobre a inculturação da liturgia (81-84). O Pontífice constata que já o Concílio Vaticano II havia solicitado um esforço de “inculturação da liturgia nos povos indígenas”. Além disso, recorda numa nota do texto que, no Sínodo, “surgiu a proposta de se elaborar um «rito amazônico»”. Os Sacramentos, exorta, “devem ser acessíveis, sobretudo aos pobres”. A Igreja, afirma evocando a Amoris laetitia, não pode se transformar numa “alfândega”.

Bispos latino-americanos devem enviar missionários à Amazônia

Relacionado a este tema, está a “inculturação do ministério” (85-90) sobre a qual a Igreja deve dar uma resposta “corajosa”. Para o Papa, deve ser garantida “maior frequência da celebração da Eucaristia”. A propósito, reitera, é importante “determinar o que é mais específico do sacerdote”. A resposta, lê-se, está no sacramento da Ordem sacra, que habilita somente o sacerdote a presidir a Eucaristia. Portanto, como “assegurar este ministério sacerdotal” nas zonas mais remotas? Francisco exorta todos os bispos, especialmente os latino-americanos, “a ser mais generosos”, orientando os que “demonstram vocação missionária” a escolher a Amazônia e os convida a rever a formação dos presbíteros.

Favorecer um protagonismo dos leigos nas comunidades

Depois dos Sacramentos, Querida Amazonía fala das “comunidades cheias de vida” (91-98), nas quais os leigos devem assumir “responsabilidades importantes”. Para o Papa, com efeito, não se trata “apenas de facilitar uma presença maior de ministros ordenados”. Um objetivo “limitado” se não suscitar “uma nova vida nas comunidades”. São necessários, portanto, novos “serviços laicais”. Somente através de “um incisivo protagonismo dos leigos”, reitera, a Igreja poderá responder aos “desafios da Amazônia”. Para o Pontífice, os consagrados têm um lugar especial e não deixa de recordar o papel das comunidades de base, que defenderam os direitos sociais, e encoraja em especial a atividade da REPAM e dos “grupos missionários itinerantes”.

Novos espaços às mulheres, mas sem clericalizações

Francisco dedica um espaço à força e ao dom das mulheres (99-103). Reconhece que, na Amazônia, algumas comunidades se mantiveram somente “graças à presença de mulheres fortes e generosas”. Porém, adverte que não se deve reduzir a Igreja a “estruturas funcionais”. Se assim fosse, com efeito, teriam um papel somente se fosse concedido a elas acesso à Ordem sacra. Para o Pontífice, deve ser rejeitada a clericalização das mulheres, acolhendo, ao invés, a contribuição segundo o modo feminino, que prolonga “a força e a ternura de Maria”. Francisco encoraja o surgimento de novos serviços femininos, que – com um reconhecimento público dos bispos – incidam nas decisões para as comunidades.

Os cristãos devem lutar juntos para defender os pobres da Amazônia

Para o Papa, é preciso “ampliar horizontes para além dos conflitos” (104-105) e deixar-se desafiar pela Amazônia a “superar perspectivas limitadas” que “permanecem enclausuradas em aspetos parciais”. O quarto capítulo termina com o tema da “convivência ecumênica e inter-religiosa” (106-110), “encontrar espaços para dialogar e atuar juntos pelo bem comum”. “Como não lutar juntos? – questiona Francisco – Como não rezar juntos e trabalhar lado a lado para defender os pobres da Amazônia”?

Confiemos a Amazônia e os seus povos a Maria

Francisco conclui a Querida Amazônia com uma oração à Mãe da Amazônia (111). “Mãe, olhai para os pobres da Amazônia – é um trecho da sua oração –, porque o seu lar está a ser destruído por interesses mesquinhos (…) Tocai a sensibilidade dos poderosos porque, apesar de sentirmos que já é tarde, Vós nos chamais a salvar o que ainda vive”.

FONTE
Vatican News
Alessandro Gisotti

MISSA DOS ENFERMOS > Terça-feira, 11 de fevereiro

fev 9, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Na próxima terça-feira, 11 de fevereiro, a partir das 6 da tarde, no Santuário São Judas Tadeu, será realizada a Missa pelos Enfermos e Idosos. O encontro, sob a presidência do padre Luiz Caputo, estará inserido nas festividades pelo dia de Nossa Senhora de Lourdes.

No útimo sábado (8), representantes dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística, da Equipe que visita o Hospital Austa e da Pastoral da Visitação da Comunidade estiveram reunidos para acertar os últimos detalhes da Celebração. O diácono Carlos Alberto de Oliveira assumiu a promoção da Missa (em especial junto à Diretoria do Hospital). Nesse contexto, e para aprofundar a espiritualidade do momento, a Mensagem do Papa Francisco pelo Dia Mundial do Enfermo será reproduzida e distribuída. “Queridos irmãos e irmãs enfermos, a doença coloca-vos de modo particular entre os ‘cansados e oprimidos’ que atraem o olhar e o coração de Jesus. Daqui vem a luz para os vossos momentos de escuridão, a esperança para o vosso desalento”, escreveu o Pontífice. 

Acolhida
A Comunidade do Santuário São Judas Tadeu se organizou para bem receber os Enfermos e Idosos. Merece destaque que, caso não seja possível a participação na MIssa, que os familiares e amigos tragam peças de roupas ou remédios para apresentar no momento da bênção.

Missa dos Enfermos
Informações: 17. 3215.9201

O Papa: o mundo rico de hoje pode e deve acabar com a pobreza

fev 6, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

O Papa Francisco com participantes do Simpósio da Pontifícia Academia das Ciências Sociais

Cidade do Vaticano -O mundo é rico e, todavia, os pobres aumentam ao nosso redor.” Foi a constatação expressa pelo Papa no discurso na tarde desta quarta-feira (05/02) na Casina Pio IV, no Vaticano, no Simpósio “Novas formas de fraternidade solidária, de inclusão, integração e inovação”, com a participação, entre outros, de economistas, ministros da economia e banqueiros. Já no início, Francisco agradeceu pelo encontro, exortando a aproveitar deste novo início do ano para construir pontes, “pontes que favoreçam o desenvolvimento de um olhar solidário a partir dos bancos, das finanças, dos governos e das decisões econômicas. Precisamos de muitas vozes capazes de pensar, a partir de uma perspectiva poliédrica, as várias dimensões de um problema global que diz respeito aos nossos povos e às nossas democracias”, enfatizou.

Centenas de milhões de pessoas imersas na extrema pobreza
Segundo relatórios oficiais, disse o Pontífice, a renda mundial deste ano será de quase 12 mil dólares per capita. No entanto, centenas de milhões de pessoas ainda se encontram imersas na pobreza extrema e não dispõem de alimento, habitação, assistência médica, escolas, eletricidade, água potável e estruturas higiênicas adequadas e indispensáveis. “Calcula-se que cerca de cinco milhões de crianças abaixo dos 5 anos morrerão este ano devido à pobreza. Outras 260 milhões não receberão uma educação por falta de recursos, por causa das guerras e das migrações”, acrescentou. Esta situação, disse ainda, levou milhões de seres humanos “a ser vítimas do tráfico de pessoas e das novas formas de escravidão, como o trabalho forçado, a prostituição e o tráfico de drogas”.

Não somos condenados à iniquidade universal
Tais realidades não devem ser motivo de desespero, mas de ação, são realidades que nos impulsionam a fazer algo, frisou Francisco, destacando em seguida a principal mensagem de esperança que gostaria de partilhar com os presentes: “Não existe um determinismo que nos condene à iniquidade universal. Permitam-me repetir: não somos condenados à iniquidade universal. Isso torna possível um novo modo de enfrentar os eventos, que permita encontrar e gerar respostas criativas diante do evitável sofrimento de tantos inocentes; isso implica aceitar que, em não pouca situações, nos encontramos diante de uma falta de vontade e de decisão para mudar as coisas, e principalmente as prioridades.” Em seguida, o Santo Padre foi enfático: “Um mundo rico e uma economia vibrante podem e devem acabar com a pobreza. E se podem gerar e promover dinâmicas capazes de incluir, alimentar, cuidar e vestir os últimos da sociedade ao invés de excluí-los”.

Escolher a que e a quem dar prioridade
Devemos escolher a que coisa e a quem dar prioridade: se favorecer mecanismos socioeconômicos humanizadores para toda a sociedade ou, ao contrário, fomentar um sistema que acaba por justificar determinadas práticas que só fazem aumentar o nível de injustiça e de violência social.

Dito isso, o Pontífice foi taxativo: 
“O nível de riqueza e de técnica acumulados pela humanidade, bem como a importância e o valor que os direitos humanos adquiriram, não permitem mais pretextos. Devemos ter consciência de que todos somos responsáveis. Isso não quer dizer que todos somos culpados. Todos somos responsáveis a fazer algo.”

Extrema pobreza e extrema riqueza
Se existe a pobreza extrema em meio à riqueza (por sua vez riqueza extrema), é porque permitimos que a disparidade se ampliasse até tornar-se a maior da história. Baseado em dados quase oficiais, Francisco afirmou que as cinquenta pessoas mais ricas do mundo têm um patrimônio tal que poderiam financiar a assistência médica e a educação de toda criança pobre no mundo, quer através do pagamento de impostos, quer através de iniciativas filantrópicas, ou ambas. Essas cinquenta pessoas poderiam salvar milhões de vida todos os anos, destacou.

A globalização da indiferença foi chamada “inação”. São João Paulo II a chamou: estruturas de pecado. Tais estruturas encontram um clima propício para a sua expansão toda vez que o Bem Comum é reduzido ou limitado a determinados setores ou, no caso que nos reúne hoje, quando a economia  e a finança se tornam fins a si mesmas. É a idolatria do dinheiro, a avidez e a especulação.

Estruturas de pecado hoje
Seguindo a razão iluminada pela fé, ressaltou Francisco, a doutrina social da Igreja celebra as formas de governo e os bancos “quando realizam sua finalidade, que é, definitivamente, buscar o bem comum, a justiça social, a paz, bem como o desenvolvimento integral de todo indivíduo, de toda comunidade humana e de todas as pessoas.

Todavia – observou o Papa –, a Igreja alerta que essas instituições benéficas, tanto públicas quanto privadas, podem decair em estruturas de pecado. As estruturas de pecado hoje incluem repetidos cortes dos impostos para as pessoas mais ricas, justificados muitas vezes em nome do investimento e do desenvolvimento; paraísos fiscais para os lucros privados e corporativos; e a possibilidade de corrupção por parte de algumas das maiores empresas do mundo, não raramente em sintonia com o setor político governante.”

O peso insuportável da dívida externa dos países pobres
Em seguida, o Pontífice falou sobre o peso dívida externa dos países pobres e suas consequências sobre a população. “As pessoas pobres em países muito endividados suportam imposições tributárias opressoras e cortes nos serviços sociais, na medida em que seus governantes pagam as dívidas contraídas de modo insensível e insustentável.

Nesse sentido, Francisco citou a Carta encíclica Centesimus annus (n. 35) de 1991, afirmando que as exigências morais de São João Paulo II se mostram hoje supreendentemente atuais:

Com certeza que é justo o princípio de que as dívidas devem ser pagas; não é lícito, porém, pedir ou pretender um pagamento, quando esse levaria de fato a impor opções políticas tais que condenariam à fome e ao desespero populações inteiras. Não se pode pretender que as dívidas contraídas sejam pagas com sacrifícios insuportáveis. Nestes casos, é necessário — como, de resto, está sucedendo em certa medida — encontrar modalidades para mitigar, reescalonar ou até cancelar a dívida, compatíveis com o direito fundamental dos povos à subsistência e ao progresso.

Indústria da guerra, dinheiro e tempo a serviço da morte
O Santo Padre disse ainda que “é necessário afirmar que a maior estrutura de pecado é a indústria da guerra, porque é dinheiro e tempo a serviço da divisão e da morte. O mundo perde todos os anos bilhões de dólares em armamentos e violências, somas que poderiam acabar com a pobreza e o analfabetismo”.

Vocês, que tão gentilmente estão aqui reunidos, são os líderes financeiros e especialistas do mundo em economia”, disse o Papa dirigindo-se diretamente aos economistas, ministros da economia e banqueiros presentes no evento promovido pela Pontifícia Academia das Ciências Sociais. “Vocês conhecem por primeiro quais são as injustiças da nossa economia global atual. Trabalhemos juntos para acabar com essas injustiças”, foi a exortação do Pontífice.

Por uma nova arquitetura financeira internacional
Concluindo, Francisco afirmou com veemência que “o tempo presente exige e requer passar de uma lógica insular e antagonista como único mecanismo autorizado para a solução dos conflitos, a outra (lógica) capaz de promover a interconexão que favorece uma cultura do encontro, onde se renovem as bases sólidas de uma nova arquitetura financeira internacional”.

FONTE
Raimundo de Lima
Vatican News

Pacto Educativo Global: a convocação do Papa e a resposta do Brasil

fev 4, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Organizações lançam agenda para mobilizar o Pacto Educativo Global, convocado pelo Papa

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação, em parceria com a Associação Nacional de Educação Católica (Anec), a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e o Movimento de Educação de Base (Meb) lançaram na tarde do dia 31 de janeiro, às 15h, na sede da entidade, em Brasília, o projeto “A Igreja no Brasil, com o Papa Francisco, pelo Pacto Educativo Global”.

Trata-se de uma iniciativa para somar-se ao esforço de “Reconstruir o Pacto Educativo Global” e celebrar os 5 anos da Encíclica Laudato Si’, convite lançado pelo Santo Padre em 12 de setembro de 2019. O novo “Pacto Global Educativo” vai ser celebrado, no Vaticano, no dia 14 de maio deste ano. Em nome da presidência da CNBB, o arcebispo de Montes Claros (MG), dom João Justino de Medeiros Silva, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e Educação e um dos coordenadores do projeto, acolheu os participantes dizendo ser uma alegria receber na sede da entidade educadores e educadoras portadores da esperança. No lançamento, o arcebispo de Montes Claros apresentou a educação na perspectiva do Papa Francisco. O Papa, segundo dom João Justino, é um ícone da educação. “Esta dimensão não está apenas na experiência do Santo Padre como educador Jesuita mas também nos incontáveis pronunciamentos que ele fez sobre o tema”, disse.

Ideias do Papa Francisco para a Educação
Segundo dom João Justino, o Papa Francisco defende a necessidade de uma nova aliança a favor da educação traduzida no provérbio africano que afirma que “para educar uma criança é necessária uma aldeia inteira”, ideia força adotada na renovação do pacto pela educação. As propostas defendidas pelo Papa para a educação, segundo o arcebispo de Montes Claros, estão sintetizadas no parágrafo de número 222, da Exortação pós sinodal Christus Vivit:

“É importante ter presente alguns critérios inspiradores, indicados na Constituição Apostólica Veritatis gaudium em ordem a uma renovação e relançamento das escolas e universidades ‘em saída’ missionária, tais como a experiência do querigma, o diálogo a todos os níveis, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade, a promoção da cultura do encontro, a necessidade urgente de “criar rede” e a opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade descarta e abandona; e também a capacidade de integrar os saberes da cabeça, do coração e das mãos”.

Segundo a educadora popular do Meb em Brasília (DF), Maristela Ferrai, as propostas do Papa vem ao encontro do trabalho da organização de criar as aldeias educativas e reforça a ideia de uma educação transformadora buscada pelo movimento. Presente no lançamento representando a Frente Parlamentar Mista de Educação do Congresso Nacional, o deputado federal Israel Mota Batista afirmou que o convite do Papa Francisco para a renovação do Pacto Educativo Global está em sintonia com a estratégia de trabalho traçada pela Frente de buscar uma experiência educativa focada na possibilidade do encontro, do entendimento e do diálogo entre as pessoas. “Estamos trabalhando para focar no pontos comuns que aproximam as pessoas em torno de um projeto de educação”, disse.  O deputado colocou a Frente à disposição para realizar, no Congresso Nacional, o debate e a apresentação das propostas do Papa Francisco, de quem se confessou admirador, sobre o pacto educativo global.

O padre Júlio César Evangelista Resende, assessor do Setor de Educação da Comissão Cultura e Educação da CNBB, apresentou os elementos que compõem o pano de fundo que motivou a iniciativa Papa. Uma delas foi a necessidade de retomar o investimento em um amadurecimento humano para passar de uma cultura da indiferença para o encontro e a compreensão de uma ecologia integral, princípios defendidos na Encíclica Laudato Si’. O assessor da Comissão afirmou que instituições do campo da educação, entre elas, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), indicaram que a humanidade carece de “uma autoridade moral” capaz de liderar uma aliança mundial pela educação e que o Papa é um líder agregador e capaz de liderar tal iniciativa.

A irmã Adair Aparecida Sberga, vice-presidente da Anec, apresentou o subsídio “A Igreja no Brasil, com o Papa Francisco, no Pacto Educativo Global”, no qual constam o calendário de eventos, as estratégias e ações que integram o itinerário de vivência da renovação do pacto no país até a sua celebração em 14 de maio no Vaticano. Participaram do lançamento cerca de 90 pessoas, entre educadores populares do Movimento de Educação de Base (MEB), diretores de escolas e universidades católicas, os bispos e assessores que integram a Comissão de Cultura e Educação da CNBB. Da mesa de abertura, participaram também a irmã Maria Inês Vieira, presidente nacional da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e o professor Deivid Lorenzo de Carvalho, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos (SBCC) e coordenador do Curso de Direito da Universidade Católica de Salvador (BA).

As iniciativas globais podem ser acompanhadas no site: www.educationglobalcompact.org

No Brasil, para compartilhar ações do pacto será usada a hashtag: #PactoEducativoGlobalnoBrasil


FONTE

cnbb.org.br

ANGELUS > “O mundo precisa de cristãos que se movam, que nunca se cansam de andar pelas estradas da vida, para levar a todos a palavra consoladora de Jesus”, disse o Papa

fev 2, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Papa Francisco no Angelus deste domingo

Cidade do Vaticano – O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus deste domingo (02/02), Festa da Apresentação do Senhor e XXIV Dia Mundial da Vida Consagrada, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro. Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice disse: “Celebramos hoje a Festa da Apresentação do Senhor: quando Jesus recém-nascido foi apresentado ao templo pela Virgem Maria e São José. Nesta data também se celebra o Dia da Vida Consagrada, que recorda o grande tesouro na Igreja daqueles que seguem o Senhor de perto, professando os conselhos evangélicos.” Segundo o Evangelho, “quarenta dias após o nascimento, os pais de Jesus levaram o Menino a Jerusalém para consagrá-lo a Deus, conforme prescrito pela lei judaica”.

Movimento
Ao descrever um rito previsto pela tradição, este episódio chama a nossa atenção para o exemplo de alguns personagens. Eles são pegos no momento em que fazem experiência do encontro com o Senhor no lugar em que Ele se faz presente e próximo ao homem. Trata-se de Maria e José, Simeão e Ana, que representam modelos de acolhimento e doação da vida a Deus. Eles não eram iguais. Eram diferentes, mas todos buscavam e se deixavam guiar pelo Senhor. O evangelista Lucas descreve todos eles numa dupla atitude: de movimento e admiração”, sublinhou o Papa.

A primeira atitude é o movimento. Maria e José vão em direção a Jerusalém. Por sua vez, Simeão, movido pelo Espírito, vai ao templo, enquanto Ana serve a Deus dia e noite sem cessar. Desse modo, os quatro protagonistas da passagem do Evangelho nos mostram que a vida cristã exige dinamismo e disponibilidade de caminhar, deixando-se guiar pelo Espírito Santo. “A estagnação não combina com o testemunho cristão e com a missão da Igreja. O mundo precisa de cristãos que se movam, que nunca se cansam de andar pelas estradas da vida, para levar a todos a palavra consoladora de Jesus.

A seguir, o Papa disse que “todo batizado recebeu a vocação para o anúncio, para a missão evangelizadora! As paróquias e várias comunidades eclesiais são chamadas a incentivar o compromisso dos jovens, famílias e idosos, para que todos possam ter uma experiência cristã, vivendo a vida e a missão da Igreja como protagonistas”.

Admiração 
A segunda atitude com a qual São Lucas apresenta os quatro personagens da história é a admiração. Maria e José “ficaram maravilhados com o que se dizia Dele. A admiração é uma reação explícita também do velho Simeão, que no Menino Jesus vê com seus próprios olhos a salvação realizada por Deus em favor de seu povo. E o mesmo acontece com Ana, que «também começou a louvar a Deus» e ir mostrar Jesus às pessoas. Esta é uma santa faladora, conversava bem, falava de coisas boas, não coisas ruins. Dizia, anunciava: uma santa que ia de uma mulher para outra mostrando-lhes Jesus. Segundo o Pontífice, “essas figuras de fiéis são circundadas pela admiração, porque se deixam cativar e se envolver pelos eventos que aconteciam diante de seus olhos”.

Capacidade de se surpreender 
A capacidade de se surpreender com as coisas que nos circundam, favorece a experiência religiosa e torna fecundo o encontro com o Senhor. Ao contrário, a incapacidade de nos surpreender nos torna indiferentes e amplia as distâncias entre o caminho de fé e a vida cotidiana. Francisco concluiu, pedindo à “Virgem Maria para que nos ajude a contemplar todos os dias em Jesus o dom de Deus para nós, e a nos deixar envolver por Ele no movimento do dom, com admiração alegre, para que toda a nossa vida se torne um louvor a Deus no serviço aos irmãos”.

Após a oração mariana do Angelus, o Santo Padre recordou que a Itália celebra o Dia da Vida Consagrada sobre o tema “Abram as portas para a vida”. Unindo-se à mensagem dos bispos, o Pontífice “deseja que este dia seja uma ocasião para cuidar e proteger a vida humana desde o início até o seu fim natural. Também é necessário combater toda forma de violação da dignidade, mesmo quando está em jogo a tecnologia ou a economia, abrindo as portas para novas formas de fraternidade solidária.” A seguir, o Papa convidou todos os presentes na Praça São Pedro a rezarem uma Ave-Maria pelos homens e mulheres consagrados que trabalham muito e em segredo. Por fim, pediu um aplauso para todos os consagrados e pediu aos fiéis para não se esquecerem de rezar por ele.

FONTE
Mariangela Jaguraba
Vatican News

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