Exibindo artigos em "Notícias"

Conselho de Pastoral se reúne no São Judas

fev 18, 2024   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

O pároco reitor do Santuário São Judas Tadeu, Pe. Luiz Caputo, presidiu a reunião do Conselho Paroquial de Pastoral na manhã de sábado, 17 de fevereiro. Além de etapa de oração com a Palavra de Deus (momento dirigido pela coordenadora Sueli Liebano e por Emerson Escola), coube ao Pe. Fernando Salzillo apresentar as Diretrizes Diocesanas para o CPP. Uma exposição acerca da Catequese Paroquial também figurou na pauta. As inscrições seguem abertas e à disposição na Secretaria do Santuário (17. 9 9633.1970).

Sinodalidade
O Pe. Luiz Caputo igualmente partilhou realidades da Formação Permanente de Sacerdotes realizada em Roma. O religioso sublinhou a prática do diálogo e da partilha comunitária em um processo sinodal. A etapa final da reunião do CPP do São Judas contou com a exposição de diversos temas e a organização do Retiro Paroquial Quaresmal que acontecerá no dia 10 de março.

As lideranças do São Judas foram sensibilizadas a participar da organização da Ordenação Diaconal do seminarista Junior Dugnani. A Missa, a ser presidida por Dom Antonio Emidio Vilar, sdb, acontecerá no Santuário São Judas Tadeu na sexta-feira, 23 de fevereiro, às 19h30.

Horários
O Conselho Paroquial de Pastoral, avaliando as vulnerabilidades verificadas em horários específicos, decidiu por manter o Santuário sem atividades em períodos em que a Comunidade não conta com a presença de funcionários no local. Aos sábados (do meio-dia às 16 h), domingos (das 11 às 17 horas) e feriados a igreja ficará fechada.

Informações
André Botelho
Assessoria de Comunicação
Santuário São Judas Tadeu

QUARESMA: exercícios espirituais do Papa

fev 18, 2024   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Uma pausa para a oração, conforme a tradição, no “tempo forte” da Quaresma. Mais uma vez, como informa a Sala de Imprensa da Santa Sé através de uma nota, Francisco convida os cardeais residentes em Roma, os chefes dos dicastérios e os superiores da Cúria Romana a viver o início desta fase do ano litúrgico de forma pessoal, através de um período de exercícios espirituais a partir da tarde de domingo, 18 de fevereiro, até a tarde de sexta-feira, 23. Durante essa semana, especifica a nota, todos os compromissos do Papa serão suspensos, inclusive a audiência geral de quarta-feira, 21 de fevereiro.

Neste ano, portanto, como tem acontecido desde a pandemia de 2020, repete-se a modalidade pessoal do retiro quaresmal, diferentemente dos anos anteriores e desde o início do pontificado, com os exercícios espirituais vividos comunitariamente pelo Papa e seus colaboradores da Cúria em Ariccia, acolhidos na Casa Divino Mestre dirigida pelos Paulinos.

FONTE
Vatican News

Encontro com o Papa Francisco: Pe Luiz Caputo participa de audiência

fev 8, 2024   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Os padres Luiz Caputo e José Eduardo Vitoreti, representando a Diocese de São José do Rio Preto, participam de iniciativa do Dicastério para o Clero, no Vaticano, no contexto do Convênio Internacional para a Formação Permanente dos Sacerdotes. O encontro, que segue até 10 de fevereiro, tem como tema “Reaviva o dom de Deus que está em ti” (2 Tm 1, 6). Na manhã de terça-feira, 6 de fevereiro, o Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, presidiu a Eucaristia que marcou a abertura da formação. Os participantes, cerca de 1000 padres de todo o mundo, seguem programação que varia entre Celebrações, momentos de formação e partilhas em grupo.

O grupo, na quinta-feira, 8 de fevereiro, participou de encontro com o Papa Francisco. O Pontífice, segundo matéria publicada em Vatican News, apresentou três indicações aos sacerdotes. “A alegria do Evangelhoa pertença ao povoo serviço generativo”, disse o Santo Padre. De fato, o ser discípulo do Senhor não é um revestimento religioso, mas um estilo de vida e por conseguinte requer o cuidado da nossa humanidade. O contrário disso é o padre “mundano”. Quando a mundanidade entra no coração do padre, arruína tudo. Peço-vos para investir o melhor das vossas energias e recursos neste aspeto: o cuidado da formação humana.  E também o cuidado para viver humanamente (…). Há necessidade de sacerdotes plenamente humanos, que brinquem com as crianças e que acariciem os velhos, capazes de boas relações, maduros para enfrentar os desafios do ministério, para que a consolação do Evangelho chegue ao povo de Deus através da sua humanidade transformada pelo Espírito de Jesus. Nunca esqueçamos a força humanizadora do Evangelho. Um sacerdote amargo, um sacerdote que tem amargura no coração, é um “solteirão”, completou Francisco.

A matéria sobre o encontro dos padres com o Papa Francisco está disponível, na íntegra, em Vatican News (link na sequência).

TEXTO
André Botelho
Assessoria de Comunicação
Santuário São Judas Tadeu

LINK > Matéria publicada em Vatican News

Diocese de São José do Rio Preto assume a oração como compromisso para 2024

jan 27, 2024   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

“Oração numa Igreja em saída”. Esse é o tema para o Ano Pastoral 2024 na Diocese de São José do Rio Preto. O indicativo, apresentado durante a Missa em Ação de Graças pelos 95 anos de criação da Igreja Particular disposta no Noroeste do Estado de São Paulo, dia 25 de janeiro, na Catedral, está em comunhão com o Papa Francisco e a preparação para o Ano Santo, em 2025. “Que esse período seja muito fecundo”, desejou Dom Antonio Emidio Vilar, sdb, em sua partilha. A Celebração foi animada pelo Coro Diocesano Imaculado Coração de Maria.

Também em sintonia com o Pontífice, sempre desejoso de ver a Igreja em constante atitude de saída, foi realizado o envio de missionários para o Acre. A partir do Projeto Igrejas Irmãs, a Região Amazônica e o interior paulista se fazem próximos na atuação de voluntários que, já em fevereiro, estarão à disposição de Dom Flávio Giovenale, sdb, em Cruzeiro do Sul. Dois padres, a partir de agosto, seguirão para a Região Norte para uma vivência com duração de dois anos. O Vigário Geral da Diocese, Pe. Edvaldo Calazans, é um dos promotores da parceria que igualmente conta com o incentivo do Conselho Missionário Diocesano.

Ainda no contexto de uma abertura maior, que sobremaneira acolha os empobrecidos, Dom Vilar também citou as Comunidades Eclesiais Missionárias atuantes nas 72 Paróquias da Diocese e o apoio que recebem da Revista Igreja em Rede (publicação que oferece encontros mensais à luz da Palavra de Deus). Na “recordação histórica” destacada pelo assessor do Serviço Diocesano de Comunicação, Pe. Paulo Castro, os avanços na área foram sublinhados.

Rumo ao centenário
Ainda na partilha conduzida pelo presbítero, os fatos relevantes nas mais de nove décadas de história e fé foram ilustrados a partir dos bispos que atuaram, em colaboração com padres e demais forças vivas, em São José do Rio Preto. Entre eles, o cardeal Orani João Tempesta, O.Cist, de 1997 a 2004. Para inserir os fiéis na caminhada rumo ao centenário, foi lançada uma marca que, ano a ano, ganhará novos elementos até estar completa em 2029 (ocasião em que os 100 anos de criação da Diocese serão celebrados). A concepção artística da logo foi de Gustavo Barusso, da Pastoral da Comunicação da Paróquia Santa Luzia, em São José do Rio Preto.

Dinâmica Pastoral
Para unir ainda mais os agentes da Igreja na região, diretrizes e estatutos diocesanos foram atualizados. A entrega dos documentos é uma das marcas positivas da atuação de Dom Vilar nesses quase dois anos desde a sua chegada à Diocese. O coordenador de pastoral, Pe. Luiz Caputo, comemorou o avanço e, unido aos padres responsáveis pelas 8 Foranias que compõe a Igreja Particular, celebrou, também, a edição do Anuário com a programação que contará com assembleias, peregrinações e diversos momentos de formação.

Vocações
Os seminaristas da Diocese de São José do Rio Preto foram apresentados à Comunidade. Os Seminários Propedêutico Nossa Senhora da Paz e Sagrado Coração de Jesus receberão, nas várias etapas da formação, 25 vocacionados. Também foi motivo de comemoração as ordenações presbiterais dos diáconos Rodrigo Cardoso, Wagner Gonçalves e Pedro Henrique Sant’Anna. Ainda no mês de fevereiro, o seminarista Junior Dugnani alcançará o grau do diaconado.

Que a Diocese se una com todas as forças, Paróquias e Entidades. Que assim como São Paulo, assumamos um novo olhar: o olhar do Cristo Ressuscitado. Que tenhamos proximidade com todos, especialmente os mais sofridos. Recordemos que cada Cristão é enviado em missão porque sua vida é graça”, concluiu Dom Antonio Emidio Vilar, sdb, ao confiar a Diocese de São José do Rio Preto ao seu padroeiro, o Imaculado Coração da Bem-Aventurada Virgem Maria; assim como fez o primeiro bispo local, Dom Lafayette Libânio a partir da concessão do Papa Pio XII, em 1954.

 Breve resumo histórico
25 de janeiro de 1929. O Papa Pio XI, no sétimo ano do seu pontificado, publica a Bula “Sollicitudo Omniun Ecclesiarum” (“O cuidado de todas as Igrejas”). A partir dela; atendendo ao pedido do então bispo de São Carlos, Dom José Marcondes Homem de Mello, é oficializada a criação das Dioceses de Jaboticabal e Rio Preto. Na mesma Bula a Paróquia de São José é elevada à dignidade de Catedral. Com isso, ela passa a ser a “igreja do bispo” responsável pela comunidade católica presente – naquela época -em Rio Preto, Ibirá, Santa Adélia, Tabapuã, Mirassol, Nova Granada, Monte Aprazível, Tanabi, Ariranha, Catanduva, Potirendaba, Inácio Uchoa, Cedral, José Bonifácio e Fernando Prestes.

Além de criar a Diocese de Rio Preto, foi o Papa Pio XI quem nomeou o primeiro bispo local: em 8 de agosto de 1930, Dom Lafayette Libânio era escolhido para pastorear a recém criada “Igreja Particular”. O religioso tomou posse em 22 de janeiro de 1931, ficando no cargo até 1966. Entre 1957 e 1968, Dom Lafayette foi auxiliado por Dom José Joaquim Gonçalves (que posteriormente foi Bispo Auxiliar de Curitiba e primeiro bispo de Cornélio Procópio, onde esta sepultado). Posteriormente vieram Dom José de Aquino Pereira (2º Bispo Titular, de 1968 a 1997), Dom Orani João Tempesta (3º Bispo, de 1997 a 2004), Dom Paulo Mendes Peixoto (4º Bispo, de 2006 a 2012), Dom Tomé Ferreira da Silva (5º bispo, 2012 a 2021) e Dom Moacir Silva (Administrador Apostólico, 2021 e 2022). O salesiano Dom Antonio Emidio Vilar é o 6º bispo titular e governa a Diocese de São José do Rio Preto desde 19 de março de 2022.

TEXTO
André Botelho
Pascom / Assessoria de Imprensa
Diocese de São José do Rio Preto

Domingo da Palavra de Deus: Papa institui novos Leitores e Catequistas

jan 21, 2024   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Que o Domingo da Palavra de Deus nos ajude a regressar com alegria às nascentes da fé, que brota da escuta de Jesus, Verbo do Deus vivo. Que, por entre as palavras que se dizem e leem continuamente sobre a Igreja, nos ajude a redescobrir a Palavra de vida que ressoa na Igreja! Caso contrário, acabamos por falar mais de nós que d’Ele; e, no centro, permanecem os nossos pensamentos e os nossos problemas em vez de Cristo com a sua Palavra.

Foi o que disse o Papa este domingo, 21 de janeiro, V Domingo da Palavra do Senhor, na Missa presidida pela manhã na Basílica de São Pedro. Dois fiéis leigos receberam o ministério de Leitor e nove o de Catequista, representando o povo de Deus e oriundos do Brasil, Bolívia, Coreia, Chade, Alemanha e Antilhas. O Domingo da Palavra de Deus deste ano tem como lema “Permanecei na minha Palavra” (Jo 8, 31).

Refletindo sobre a Palavra de Deus na liturgia deste III Domingo do Tempo Comum, Francisco ressaltou que grande é a força da Palavra do Senhor, dela irradia a força do Espírito Santo.

A Igreja é chamada por Cristo, atraída por Ele
A Palavra atrai a Deus e envia aos outros: tal é o seu dinamismo. Não nos deixa fechados em nós mesmos, mas alarga o coração, faz inverter o rumo, altera os nossos hábitos, abre novos cenários, desvenda inesperados horizontes. A Palavra de Deus, continuou o Santo Padre, pretende operar isto em cada um de nós. Tal como aconteceu com os primeiros discípulos que, acolhendo as palavras de Jesus, deixam as redes e embarcam numa maravilhosa aventura, assim também nas margens da nossa vida, ao pé dos barcos de familiares e das redes do trabalho, a Palavra suscita o chamado de Jesus. Chama para, com Ele, nos fazermos ao largo ao encontro dos outros.

Sim, a Palavra suscita a missão, faz-nos mensageiros e testemunhas de Deus num mundo cheio de palavras, mas sedento daquela Palavra com maiúscula que muitas vezes ignora. A Igreja vive deste dinamismo: é chamada por Cristo, atraída por Ele, e é enviada ao mundo para dar testemunho d’Ele.

A escuta da Palavra e a adoração do Senhor
Não podemos prescindir da Palavra de Deus, da sua força suave que – como num diálogo – toca o coração, imprime-se na alma, renova-a com a paz de Jesus, que nos desinquieta em prol dos outros. Se olharmos para os amigos de Deus, frisou o Pontífice, para as testemunhas do Evangelho na história, vemos que, para todos, foi decisiva a Palavra.

Pensemos no primeiro monge, Santo Antão, que, tocado durante a Missa por um trecho do Evangelho, deixou tudo por amor do Senhor; pensemos em Santo Agostinho, que deu uma reviravolta na vida quando uma palavra divina lhe curou o coração; pensemos em Santa Teresinha do Menino Jesus, que descobriu a sua vocação lendo as Cartas de São Paulo. E penso no Santo cujo nome adotei, Francisco de Assis, que, em oração, lê no Evangelho que Jesus envia os discípulos a pregar e exclama: «Isto eu quero, isto peço, isto anseio fazer de todo o coração!». Vidas transformadas pela Palavra de vida, observou o Papa.

Mas por que não acontece o mesmo a muitos de nós? – Perguntou Francisco. Decerto porque, como nos mostram estas testemunhas, é preciso não ser «surdo» à Palavra. Este é o nosso risco: arrastados por mil palavras, passa-nos por cima também a Palavra de Deus: ouvimo-la, mas não a escutamos; escutamo-la, mas não a guardamos; guardamo-la, mas não nos deixamos provocar à mudança de vida. Sobretudo lemo-la, mas não a rezamos; ora «a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração, para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem». Não esqueçamos as duas dimensões fundamentais da oração cristã: a escuta da Palavra e a adoração do Senhor, exortou Francisco.

Deixemo-nos conquistar pela beleza da Palavra de Deus
Concluindo sua reflexão, o Santo Padre apresentou algumas interrogações aos presentes, propondo-as também a nós para a nossa reflexão pessoal.

“Que lugar reservo para a Palavra de Deus na casa onde moro? Lá haverá livros, jornais, televisões, telefones, mas… onde está a Bíblia? No meu quarto, tenho ao alcance da mão o Evangelho? Leio-o cada dia para encontrar nele o rumo da vida? Carrego na bolsa um pequeno exemplar do Evangelho para lê-lo? Muitas vezes dei de conselho que se trouxesse sempre conosco o Evangelho: no bolso, na carteira, no celular. Se Cristo me é mais querido do que qualquer outra realidade, como posso deixá-Lo em casa e não trazer comigo a sua Palavra? E a última pergunta: Já li, na íntegra, pelo menos um dos quatro Evangelhos? O Evangelho é o livro da vida, é simples e breve, mas muitos crentes nunca leram um do começo ao fim.”

Deus – diz a Escritura – é «o próprio autor da beleza»: deixemo-nos conquistar pela beleza que a Palavra de Deus traz à vida, exortou por fim o Santo Padre.

FONTE
Vatican News

Vaticano divulga mensagem do Papa pelo Dia Mundial do Enfermo

jan 14, 2024   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

“Não é conveniente que o homem esteja só” (Gn 2, 18). Desde o início, Deus, que é amor, – escreve o Papa na sua mensagem – criou o ser humano para a comunhão, inscrevendo no seu íntimo a dimensão das relações. Assim a nossa vida, plasmada à imagem da Trindade, é chamada a realizar-se plenamente no dinamismo das relações, da amizade e do amor mútuo. Fomos criados para estar juntos, não sozinhos.

E precisamente porque este projeto de comunhão está inscrito tão profundamente no coração humano, a experiência do abandono e da solidão atemoriza-nos e olhamo-la como dolorosa e até desumana. E isto agrava-se ainda mais no tempo da fragilidade, da incerteza e da insegurança, causadas muitas vezes pelo aparecimento dalguma doença grave.

Francisco então escreve que pensa, por exemplo, “em todos aqueles que permaneceram terrivelmente sós durante a pandemia de Covid-19: pacientes que não podiam receber visitas, mas também enfermeiros, médicos e pessoal auxiliar, todos sobrecarregados de trabalho e confinados em repartições isoladas. E não esqueçamos quantos tiveram de enfrentar sozinhos a hora da morte, assistidos pelos profissionais de saúde, mas longe das suas famílias”.

Então Papa associa-se, pesaroso, “à condição de sofrimento e solidão de quantos, por causa da guerra e suas trágicas consequências, se encontram sem apoio nem assistência: a guerra é a mais terrível das doenças sociais e as pessoas mais frágeis pagam-lhe o preço mais alto”.

Francisco então faz uma constatação que, mesmo nos países que gozam da paz e de maiores recursos, o tempo da velhice e da doença é vivido frequentemente na solidão e, por vezes, até no abandono. Esta triste realidade é consequência sobretudo da cultura do individualismo, que exalta a produção a todo o custo e cultiva o mito da eficiência, tornando-se indiferente e até implacável quando as pessoas já não têm as forças necessárias para lhe seguir o passo.

“Torna-se então cultura do descarte, na qual «as pessoas já não são vistas como um valor primário a respeitar e tutelar, especialmente se são pobres ou deficientes, se “ainda não servem” (como os nascituros) ou “já não servem” (como os idosos)» (Francisco, Carta enc. Fratelli tutti, 18).”

Esta lógica permeia também, infelizmente, certas opções políticas, que não conseguem colocar no centro a dignidade da pessoa humana com as suas carências e nem sempre proporcionam as estratégias e recursos necessários para garantir a todo o ser humano o direito fundamental à saúde e o acesso aos cuidados médicos. Ao mesmo tempo, o abandono das pessoas frágeis e a sua solidão acabam favorecidos ainda pela redução dos cuidados médicos apenas aos serviços de saúde, sem serem sapientemente acompanhados por uma «aliança terapêutica» entre médico, paciente e familiar.

O Papa destaca que o primeiro cuidado de que necessitamos na doença é uma proximidade cheia de compaixão e ternura. Por isso, cuidar do doente significa, antes de mais nada, cuidar das suas relações, de todas as suas relações: com Deus, com os outros – familiares, amigos, profissionais de saúde –, com a criação, consigo mesmo. É possível? Sim, é possível; e todos somos chamados a empenhar-nos para que tal aconteça. Olhemos para o ícone do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37), contemplemos a sua capacidade de parar e aproximar-se, a ternura com que trata as feridas do irmão que sofre.

Recordemos esta verdade central da nossa vida: viemos ao mundo porque alguém nos acolheu, somos feitos para o amor, somos chamados à comunhão e à fraternidade. Esta dimensão do nosso ser sustém-nos sobretudo no tempo da doença e da fragilidade, e é a primeira terapia que todos, juntos, devemos adotar para curar as doenças da sociedade em que vivemos.

O olhar se dirige para quem vive a doença, passageira ou crónica: “Não tenhais vergonha do vosso desejo de proximidade e ternura. Não o escondais e nunca penseis que sois um peso para os outros. A condição dos doentes convida-nos a todos a abrandar os ritmos exasperados em que estamos imersos e a reentrar em nós mesmos.

Nesta mudança de época que vivemos, especialmente nós, cristãos, somos chamados a adotar o olhar compassivo de Jesus. Cuidemos de quem sofre e está sozinho, porventura marginalizado e descartado.

O Papa conclui recordando que “os doentes, os frágeis, os pobres estão no coração da Igreja e devem estar também no centro das nossas solicitudes humanas e cuidados pastorais. Não o esqueçamos! E confiemo-nos a Maria Santíssima, Saúde dos Enfermos, pedindo-Lhe que interceda por nós e nos ajude a ser artífices de proximidade e de relações fraternas”.

A mensagem pelo Dia Mundial do Enfermo encontra-se disponível, na íntegra, na página inicial do site.

Fonte
Silvonei José
Vatican News

Francisco recebe presidência da CNBB no Vaticano

jan 12, 2024   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

O Papa Francisco recebeu na manhã de quinta-feira, 11 de janeiro, no Vaticano a presidência da CNBB: Dom Jaime Spengler, OFM (presidente), dom João Justino de Medeiro Silva (1º vice-presidente), dom Paulo Jackson Nóbrega de Souza (2º vice-presidente) e dom Ricardo Hoepers (secretário geral).

Em entrevista à Rádio Vaticano – Vatican News, dom Jaime falou sobre o encontro com o Papa Francisco, sobre a visita da presidência aos Dicastérios, sobre encontro com os responsáveis da Livraria Editora Vatican, LEV, do novo Missal Romano. Enfim, a expectativa para a missão da Conferência Episcopal para o ano que se inicia.

O encontro com Papa Francisco
Entre os nove compromissos que o Santo Padre tinha agendado para a manhã desta quinta-feira, um deles era com a presidência da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Um encontro que faz parte da tradição da presidência da Conferência Episcopal brasileira, pois anualmente ela é exortada a fazer este momento de fraternidade dialogo e de escuta com o Santo Padre. “Trouxemos ao Papa Francisco elementos que fazem parte da caminhada anual da Conferencia e o Santo Padre, com simplicidade, mas com muita determinação, nos oferece indicações e apresenta as alegrias que ele sente, a partir daquilo que vivemos no processo evangelizador da Igreja no Brasil, mas também aquilo que lhe preocupa e que ele tem uma preocupação particular”, disse dom Jaime.

A formação dos sacerdotes, como a importância do Pio Brasileiro em Roma, onde sacerdotes fazem seus estudos especializados para cooperarem nas diversas instâncias da vida eclesial foi também um assunto apresentado ao Papa. Francisco, por sua vez, pediu à Conferência atenção aos seminários. Recomendou que nenhum seminário tenha menos de 20 seminaristas, em vista da promoção da vida comunitária, que é uma das dimensões do processo formativo, estabelecida seja pela “ratio”, seja pelas diretrizes de formação dos presbitérios da Igreja do Brasil.

Ao caracterizar a Igreja do Brasil como uma Igreja que busca promover a comunhão e a fraternidade foi apresentado ao Papa o texto base da CF 2024 que trata da Fraternidade Social. “Ele ficou muito impressionado seja com a temática, porque é reflexo da Encíclica Fratelli tutti, resgatando e tentando promover a vida comunitária, e nestes tempos que estamos vivendo consequências de um esgarçamento do tecido social, a temática vem de encontro a um caminho de comunidade, reconciliação para a sociedade brasileira”, afirmou.

De acordo com dom Jaime, Francisco conhece muitíssimo bem a Igreja do Brasil e expressa um carinho todo especial pelo país. Dialogar com o Papa sobre ser Igreja no Brasil, afirma, “é muito fácil, porque ele conhece bastante bem, visitava com frequência e participou da Assembleia do episcopado latino-americano em Aparecida onde teve um papel de destaque. Conhece bem até porque estamos inseridos num contexto latino-americano”.

Dom Jaime se disse impressionado com a acolhida, o humor e a presença de espírito do Papa. Um Pontífice que se levanta muito cedo e sempre disposto a atender a todos com respeito.

Visita aos Dicastérios e à Livraria Editora Vaticana
Durante esses dias em Roma a presidência da CNBB teve vários encontros em vários Dicastérios da Cúria Romana. Encontros que fazem parte “dessa grande visita anual”, contou dom Jaime, ressaltando que a acolhida que receberam revela que a “Praedicate Evangelium” está penetrando nos ambientes. “Muita disposição sempre de ouvir com atenção para encontrar elementos onde o Dicastério possa nos ajudar em um ou outro âmbito, nas nossas alegrias e esperanças, desafios e dificuldades”.

Já sobre o encontro com a direção da Livraria Editora Vaticana (LEV), dom Jaime destacou que a sintonia entre as duas instituições são fundamentais para que as grandes orientações do magistério ordinário e os documentos dos diversos Dicastérios da Santa Sé, possam chegar o mais rápido possível ao povo e com uma qualidade que expresse a dignidade e a importância de tais documentos”.

A nova versão do Missal Romano
Dom Jaime falou ainda, sobre a nova versão do Missal Romano. Enfatizou que foram 19 anos de um trabalho intenso que merece reconhecimento. Um trabalho que não terminou porque faltam ainda a revisão dos Lecionários, da Liturgia das horas e dos diversos rituais e sacramentais. “Será um trabalho de folego que precisa continuar, porque aquilo que o Missal conserva de mais precioso é a lexis orandi da Igreja e nós rezamos aquilo que cremos. Fazemos votos que essa nova tradução do Missal Romano possa favorecer não só a vida litúrgica de nossas comunidades, mas também a vida comunitária no seu cotidiano.

Perspectivas para a Igreja do Brasil em 2024
Sobre as perspectivas para a Igreja do Brasil no ano que se inicia o presidente da CNBB afirmou que o que se deseja é que o processo de evangelização possa acontecer de uma forma sempre mais vigorosa e intensa. Que Evangelho do crucificado  e ressuscitado possa encontrar sempre mais incisão na vida das pessoas, dos fiéis, na vida social. “E só assim estaremos respondendo ao que o Senhor pede dos seus seguidores: vida, e promoção de vida em abundancia para todos e ao mesmo tempo neste espirito de cooperação, a fim de deixar o nosso mundo, a nossa Igreja ainda melhor para as futuras gerações”.

Ao ser questionado sobre o que diria ao povo brasileiro, dom Jaime recordou o Evangelho de Mateus que convoca cada cristão a ser sal da terra e luz do mundo em vista da transformação social.

Por fim, como presidente do Conselho Episcopal Latinoamericano (CELA), arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB, está seguro das suas virtudes e fragilidades. É com elas que foi escolhido para estas tarefas na Igreja. “Pelas virtudes e qualidades que os irmãos viram em nós, gratidão e disposição de servir.” E ainda o pedido de misericórdia e perdão pelas fragilidades.

Fonte
Vatican News

BATISMO DO SENHOR > Francisco batiza 16 crianças

jan 8, 2024   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

No Vaticano e em outros países, neste domingo, 07 de janeiro, celebra-se a festa do Batismo do Senhor, que encerra o tempo do Natal. Por esta ocasião, o Papa presidiu na Capela Sistina o tradicional rito que recorda o Batismo de Jesus nas águas do Rio Jordão. A esplendorosa Capela, adornada com afrescos de Michelangelo e famosa por sediar celebrações singulares, como o Conclave para eleger um novo Pontífice, acolheu 16 crianças, filhos e filhas de funcionários do Vaticano, acompanhadas por seus familiares, que receberam o primeiro sacramento da iniciação cristã.

O acolhimento de Francisco: as crianças são protagonistas
Em sua breve homilia, pronunciada de forma espontânea, o Santo Padre enfatizou que as crianças são o centro desta celebração: “Estamos aqui para batizar, para dar o dom da fé às nossas crianças. Elas são as protagonistas dessa cerimônia: podem falar, andar, gritar… Elas que comandam, porque é a festa delas e elas receberão o mais belo presente: o dom da fé, o dom do Senhor.” 

Francisco, deixando todos à vontade, completou: “se as crianças chorarem – no momento estão em silêncio, mas basta que uma dê a nota, o concerto começa -, deixe-as chorar; se tiverem fome, podem amamentá-las, tranquilamente, aqui. Se estiverem com calor, tire seus casacos – às vezes o calor incomoda”.

“Essas crianças são as protagonistas, porque hoje elas também nos darão o testemunho de como a fé é recebida: com inocência, com abertura de coração.”

O dom da fé cresce com o testemunho
Dirigindo-se aos pais e padrinhos, o Papa pediu que, com o testemunho de suas vidas, eles estejam presentes na vida de seus filhos e afilhados: “que vocês os ajudem a crescer e os acompanhem em seu desenvolvimento, pois esta é uma maneira de contribuir para que a fé cresça neles”.

Ao concluir, o Pontífice agradeceu às famílias “por seu testemunho”, por levarem as crianças “para receber a fé”.

Antes da Bênção Final, um último pedido

“Antes de lhes dar a bênção, agradeço-lhes por terem iniciado a vida de seus filhos com o batismo. E eu vos peço que eles saibam a data do batismo, porque é a data do nascimento. Além disso, se eu perguntar a cada um: “Qual é a data de seu nascimento?”, não sei se todos serão capazes de respondê-la. No entanto, considerem isto: a data de nascimento espiritual é como um aniversário, é a data em que receberam a graça do Senhor e se tornaram cristãos. Transmitam isso às crianças para que possam celebrar essa data todos os anos.”

Tradição iniciada por São João Paulo II
O costume de batizar os filhos dos funcionários da Santa Sé foi instituído por São João Paulo em 11 de janeiro de 1981 com a Missa presidida na Capela Paulina do Palácio Apostólico. Em 1983, o Papa Wojtyła presidiu a Missa pela primeira vez com o rito do batismo de algumas crianças na Capela Sistina.

FONTE
Vatican News

ANGELUS: Epifania do Senhor

jan 7, 2024   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Após a celebração da Santa Missa, na Basílica vaticana, por ocasião da Solenidade da Epifania, o Papa rezou, também neste sábado (06/01) a oração mariana do Angelus, com os milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro.

Em sua meditação, Francisco recordou que “a Epifania do Senhor significa a Sua manifestação a todos os povos, personificados pelos Magos que encontram Jesus, “com Maria, sua mãe”, prostram-se e oferecem-lhe “ouro, incenso e mirra.

“Detenhamo-nos por um momento nesta cena, naqueles homens sábios que reconhecem a presença de Deus em um simples Menino: não em um príncipe ou em um nobre, mas em um filho de gente pobre, e prostram-se diante d’Ele, adorando-O”.

A humildade de Deus
O Papa sublinhou que esse encontro é uma experiência decisiva para aqueles Magos, e também é importante para nós, pois em Jesus Menino, de fato, vemos Deus feito homem. E em seguida pediu aos fiéis que se maravilhem com a humildade do Senhor:

“Contemplar Jesus, permanecer diante d’Ele, adorá-lo na Eucaristia: não é perder tempo, mas é dar sentido ao tempo; é reencontrar o caminho da vida na simplicidade de um silêncio que nutre o coração. Fiquemos também nós diante do Menino, paremos diante do presépio.”

Aprender com as crianças
Francisco disse que é preciso encontrar tempo também para olhar para as crianças, os pequenos que nos falam de Jesus, com a sua confiança, o seu imediatismo, o seu estupor, a sua sã curiosidade, a sua capacidade de chorar e de rir com espontaneidade, de sonhar.

“Se ficarmos diante do Jesus Menino e na companhia das crianças”, destacou o Pontífice, “aprenderemos a nos maravilhar e retomaremos o caminho de forma mais simples e melhores, como os Reis Magos. E saberemos ter olhares novos e criativos diante dos problemas do mundo”.

Ao concluir sua reflexão, o Santo Padre incentivou os fiéis a se questionarem:

“Nestes dias, paramos para adorar, demos um pouco de espaço para Jesus no silêncio, rezando diante do presépio? Dedicamos tempo às crianças, conversando e brincando com elas? E por fim, conseguimos olhar para os problemas do mundo com o olhar das crianças?”

“Que Maria, Mãe de Deus e nossa, aumente o nosso amor pelo Jesus Menino e por todas as crianças, especialmente as atingidas por guerras e pelas injustiças” concluiu Francisco.

Fonte
Vatican News

DIA MUNDIAL DA PAZ: a mensagem do Papa Francisco

dez 25, 2023   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

MENSAGEM DO SANTO PADRE
FRANCISCO
PARA A CELEBRAÇÃO DO
DIA MUNDIAL DA PAZ

1º DE JANEIRO DE 2024

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E PAZ

No início do novo ano, tempo de graça concedido pelo Senhor a cada um de nós, quero dirigir-me ao Povo de Deus, às nações, aos Chefes de Estado e de Governo, aos Representantes das diversas religiões e da sociedade civil, a todos os homens e mulheres do nosso tempo para lhes expressar os meus votos de paz.

1. O progresso da ciência e da tecnologia como caminho para a paz

A Sagrada Escritura atesta que Deus deu aos homens o seu Espírito a fim de terem «sabedoria, inteligência e capacidade para toda a espécie de trabalho» (Ex 35, 31). A inteligência é expressão da dignidade que nos foi dada pelo Criador, que nos fez à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26) e nos tornou capazes, através da liberdade e do conhecimento, de responder ao seu amor. Esta qualidade fundamentalmente relacional da inteligência humana manifesta-se de modo particular na ciência e na tecnologia, que são produtos extraordinários do seu potencial criativo.

Na Constituição pastoral Gaudium et spes, o Concílio Vaticano II reafirmou esta verdade, declarando que «sempre o homem procurou, com o seu trabalho e engenho, desenvolver mais a própria vida». [1] Quando os seres humanos, «recorrendo à técnica», se esforçam por que a terra «se torne habitação digna para toda a humanidade», [2] agem segundo o desígnio divino e cooperam com a vontade que Deus tem de levar à perfeição a criação e difundir a paz entre os povos. Assim o próprio progresso da ciência e da técnica – na medida em que contribui para uma melhor organização da sociedade humana, para o aumento da liberdade e da comunhão fraterna – leva ao aperfeiçoamento do homem e à transformação do mundo.

Justamente nos alegramos e sentimos reconhecidos pelas extraordinárias conquistas da ciência e da tecnologia, graças às quais se pôs remédio a inúmeros males que afligiam a vida humana e causavam grandes sofrimentos. Ao mesmo tempo, os progressos técnico-científicos, que permitem exercer um controle – até agora inédito – sobre a realidade, colocam nas mãos do homem um vasto leque de possibilidades, algumas das quais podem constituir um risco para a sobrevivência humana e um perigo para a casa comum. [3]

Deste modo os progressos notáveis das novas tecnologias da informação, sobretudo na esfera digital, apresentam oportunidades entusiasmantes mas também graves riscos, com sérias implicações na prossecução da justiça e da harmonia entre os povos. Por isso torna-se necessário interrogar-nos sobre algumas questões urgentes: quais serão as consequências, a médio e longo prazo, das novas tecnologias digitais? E que impacto terão elas sobre a vida dos indivíduos e da sociedade, sobre a estabilidade e a paz?

2. O futuro da inteligência artificial, por entre promessas e riscos

Os progressos da informática e o desenvolvimento das tecnologias digitais, nas últimas décadas, começaram já a produzir profundas transformações na sociedade global e nas suas dinâmicas. Os novos instrumentos digitais estão a mudar a fisionomia das comunicações, da administração pública, da instrução, do consumo, dos intercâmbios pessoais e de inúmeros outros aspetos da vida diária.

Além disso as tecnologias que se servem duma multiplicidade de algoritmos podem, dos vestígios digitais deixados na internet, extrair dados que permitem controlar os hábitos mentais e relacionais das pessoas para fins comerciais ou políticos, muitas vezes sem o seu conhecimento, limitando o exercício consciente da sua liberdade de escolha. De facto, num espaço como a web caraterizado por uma sobrecarga de informações, pode-se compor o fluxo de dados segundo critérios de seleção nem sempre enxergados pelo utente.

Devemos recordar-nos de que a pesquisa científica e as inovações tecnológicas não estão desencarnadas da realidade nem são «neutrais», [4] mas estão sujeitas às influências culturais. Sendo atividades plenamente humanas, os rumos que tomam refletem opções condicionadas pelos valores pessoais, sociais e culturais de cada época. E o mesmo se diga dos resultados que alcançam: enquanto fruto de abordagens especificamente humanas do mundo envolvente, têm sempre uma dimensão ética, intimamente ligada às decisões de quem projeta a experimentação e orienta a produção para objetivos particulares.

Isto aplica-se também às formas de inteligência artificial. Desta, até ao momento, não existe uma definição unívoca no mundo da ciência e da tecnologia. A própria designação, que já entrou na linguagem comum, abrange uma variedade de ciências, teorias e técnicas destinadas a fazer com que as máquinas, no seu funcionamento, reproduzam ou imitem as capacidades cognitivas dos seres humanos. Falar de «formas de inteligência», no plural, pode ajudar sobretudo a assinalar o fosso intransponível existente entre estes sistemas, por mais surpreendentes e poderosos que sejam, e a pessoa humana: em última análise, aqueles são «fragmentários» já que têm possibilidades de imitar ou reproduzir apenas algumas funções da inteligência humana. Além disso o uso do plural destaca que tais dispositivos, muito diferentes entre si, devem ser sempre considerados como «sistemas sociotécnicos». Com efeito o seu impacto, independentemente da tecnologia de base, depende não só da projetação, mas também dos objetivos e interesses de quem os possui e de quem os desenvolve, bem como das situações em que são utilizados.

Por conseguinte a inteligência artificial deve ser entendida como uma galáxia de realidades diversas e não podemos presumir a priori que o seu desenvolvimento traga um contributo benéfico para o futuro da humanidade e para a paz entre os povos. O resultado positivo só será possível se nos demonstrarmos capazes de agir de maneira responsável e respeitar valores humanos fundamentais como «a inclusão, a transparência, a segurança, a equidade, a privacidade e a fiabilidade». [5]

E não é suficiente presumir, por parte de quem projeta algoritmos e tecnologias digitais, um empenho por agir de modo ético e responsável. É preciso reforçar ou, se necessário, instituir organismos encarregados de examinar as questões éticas emergentes e tutelar os direitos de quantos utilizam formas de inteligência artificial ou são influenciados por ela. [6]

Assim, a imensa expansão da tecnologia deve ser acompanhada por uma adequada formação da responsabilidade pelo seu desenvolvimento. A liberdade e a convivência pacífica ficam ameaçadas, quando os seres humanos cedem à tentação do egoísmo, do interesse próprio, da ânsia de lucro e da sede de poder. Por isso temos o dever de alargar o olhar e orientar a pesquisa técnico-científica para a prossecução da paz e do bem comum, ao serviço do desenvolvimento integral do homem e da comunidade. [7]

A dignidade intrínseca de cada pessoa e a fraternidade que nos une como membros da única família humana devem estar na base do desenvolvimento de novas tecnologias e servir como critérios indiscutíveis para as avaliar antes da sua utilização, para que o progresso digital possa verificar-se no respeito pela justiça e contribuir para a causa da paz. Os avanços tecnológicos que não conduzem a uma melhoria da qualidade de vida da humanidade inteira, antes pelo contrário agravam as desigualdades e os conflitos, nunca poderão ser considerados um verdadeiro progresso. [8]

A inteligência artificial tornar-se-á cada vez mais importante. Os desafios que coloca não são apenas de ordem técnica, mas também antropológica, educacional, social e política. Deixa esperar, por exemplo, poupança de esforços, produção mais eficiente, transportes mais fáceis e mercados mais dinâmicos, bem como uma revolução nos processos de recolha, organização e verificação de dados. Precisamos de estar conscientes das rápidas transformações em curso e geri-las de forma a salvaguardar os direitos humanos fundamentais, respeitando as instituições e as leis que promovem o progresso humano integral. A inteligência artificial deveria estar ao serviço dum melhor potencial humano e das nossas mais altas aspirações, e não em competição com eles.

3. A tecnologia do futuro: máquinas que aprendem sozinhas

Nas suas múltiplas formas, a inteligência artificial, baseada em técnicas de aprendizagem automática (machine learning), embora ainda numa fase pioneira, já está a introduzir mudanças notáveis no tecido das sociedades, exercendo uma influência profunda nas culturas, nos comportamentos sociais e na construção da paz.

Desenvolvimentos como a aprendizagem automática (machine learning) ou a aprendizagem profunda (deep learning) levantam questões que transcendem os âmbitos da tecnologia e da engenharia e têm a ver com uma compreensão intimamente ligada ao significado da vida humana, aos processos basilares do conhecimento e à capacidade que tem a mente de alcançar a verdade.

A capacidade de alguns dispositivos produzirem textos sintática e semanticamente coerentes, por exemplo, não é garantia de fiabilidade. Diz-se que podem «alucinar», isto é, gerar afirmações que à primeira vista parecem plausíveis, mas na realidade são infundadas ou preconceituosas. Isto coloca um sério problema quando a inteligência artificial é utilizada em campanhas de desinformação que espalham notícias falsas e levam a uma desconfiança crescente relativamente aos meios de comunicação. A confidencialidade, a posse dos dados e a propriedade intelectual são outros âmbitos em que as tecnologias em questão comportam graves riscos, aos quais se vêm juntar outras consequências negativas ligadas a um uso indevido, como a discriminação, a interferência nos processos eleitorais, a formação duma sociedade que vigia e controla as pessoas, a exclusão digital e a exacerbação dum individualismo cada vez mais desligado da coletividade. Todos estes fatores correm o risco de alimentar os conflitos e obstaculizar a paz.

4. O sentido do limite, no paradigma tecnocrático

O nosso mundo é demasiado vasto, variado e complexo para ser completamente conhecido e classificado. A mente humana nunca poderá esgotar a sua riqueza, nem sequer com a ajuda dos algoritmos mais avançados. De facto, estes não oferecem previsões garantidas do futuro, mas apenas aproximações estatísticas. Nem tudo pode ser previsto, nem tudo pode ser calculado; no fim de contas, «a realidade é superior à ideia» [9] e, por mais prodigiosa que seja a nossa capacidade de calcular, haverá sempre um resíduo inacessível que escapa a qualquer tentativa de quantificação.

Além disso, a grande quantidade de dados analisados pelas inteligências artificiais não é, por si só, garantia de imparcialidade. Quando os algoritmos extrapolam informações, correm sempre o risco de as distorcer, replicando as injustiças e os preconceitos dos ambientes onde têm origem. Quanto mais rápidos e complexos eles se tornam, mais difícil é compreender por que produziram um determinado resultado.

As máquinas inteligentes podem desempenhar as tarefas que lhes são atribuídas com uma eficiência cada vez maior, mas a finalidade e o significado das suas operações continuarão a ser determinados ou capacitados por seres humanos com o seu próprio universo de valores. O risco é que os critérios subjacentes a certas escolhas se tornem menos claros, que a responsabilidade de decisão seja ocultada e que os produtores possam subtrair-se à obrigação de agir para o bem da comunidade. Em certo sentido, isto é favorecido pelo sistema tecnocrático, que alia a economia à tecnologia e privilegia o critério da eficiência, tendendo a ignorar tudo o que não esteja ligado aos seus interesses imediatos. [10]

Isto deve fazer-nos refletir sobre um aspeto transcurado frequentemente na atual mentalidade tecnocrática e eficientista, mas decisivo para o desenvolvimento pessoal e social: o «sentido do limite». Com efeito o ser humano, mortal por definição, pensando em ultrapassar todo o limite mediante a técnica, corre o risco, na obsessão de querer controlar tudo, de perder o controle sobre si mesmo; na busca duma liberdade absoluta, de cair na espiral duma ditadura tecnológica. Reconhecer e aceitar o próprio limite de criatura é condição indispensável para que o homem alcance ou, melhor, acolha a plenitude como uma dádiva; ao passo que, no contexto ideológico dum paradigma tecnocrático animado por uma prometeica presunção de autossuficiência, as desigualdades poderiam crescer sem medida, e o conhecimento e a riqueza acumular-se nas mãos de poucos, com graves riscos para as sociedades democráticas e uma coexistência pacífica. [11]

5. Temas quentes para a ética

No futuro, a fiabilidade de quem solicita um mútuo, a idoneidade dum indivíduo para determinado emprego, a possibilidade de reincidência dum condenado ou o direito a receber asilo político ou assistência social poderão ser determinados por sistemas de inteligência artificial. A falta de níveis diversificados de mediação que tais sistemas introduzem está particularmente exposta a formas de preconceito e discriminação: os erros do sistema podem multiplicar-se facilmente, gerando não só injustiças em casos individuais, mas também, por efeito dominó, verdadeiras formas de desigualdade social.

Além disso, por vezes, as formas de inteligência artificial parecem capazes de influenciar as decisões dos indivíduos através de opções predeterminadas associadas a estímulos e dissuasões, ou então através de sistemas de regulação das opções pessoais baseados na organização das informações. Estas formas de manipulação ou controle social requerem atenção e vigilância cuidadosas, implicando uma clara responsabilidade legal por parte dos produtores, de quem os contrata e das autoridades governamentais.

O ato de se confiar a processos automáticos que dispõem os indivíduos por categorias, por exemplo, através dum uso invasivo da vigilância ou da adoção de sistemas de crédito social, poderia ter repercussões profundas também no tecido civil, estabelecendo classificações inadequadas entre os cidadãos. E estes processos artificiais de classificação poderiam levar também a conflitos de poder, envolvendo não apenas destinatários virtuais, mas também pessoas de carne e osso. O respeito fundamental pela dignidade humana requer a rejeição de que a unicidade da pessoa seja identificada com um conjunto de dados. Não se deve permitir que os algoritmos determinem o modo como entendemos os direitos humanos, ponham de lado os valores essenciais da compaixão, da misericórdia e do perdão, ou eliminem a possibilidade de um indivíduo mudar e deixar para trás o passado.

Neste contexto, não podemos deixar de considerar o impacto das novas tecnologias no âmbito laboral: trabalhos, que outrora eram prerrogativa exclusiva da mão-de-obra humana, acabam rapidamente absorvidos pelas aplicações industriais da inteligência artificial. Também neste caso, há substancialmente o risco duma vantagem desproporcionada para poucos à custa do empobrecimento de muitos.  A Comunidade Internacional, ao ver como tais formas de tecnologia penetram cada vez mais profundamente nos locais de trabalho, deveria considerar como alta prioridade o respeito pela dignidade dos trabalhadores e a importância do emprego para o bem-estar económico das pessoas, das famílias e das sociedades, a estabilidade dos empregos e a equidade dos salários.

6. Transformaremos as espadas em relhas de arado?

Nestes dias, contemplando o mundo que nos rodeia, não se pode ignorar as graves questões éticas relacionadas com o setor dos armamentos. A possibilidade de efetuar operações militares através de sistemas de controle remoto levou a uma perceção menor da devastação por eles causada e da responsabilidade da sua utilização, contribuindo para uma abordagem ainda mais fria e destacada da imensa tragédia da guerra. A pesquisa sobre as tecnologias emergentes no setor dos chamados «sistemas de armas letais autónomas», incluindo a utilização bélica da inteligência artificial, é um grave motivo de preocupação ética. Os sistemas de armas autónomos nunca poderão ser sujeitos moralmente responsáveis: a exclusiva capacidade humana de julgamento moral e de decisão ética é mais do que um conjunto complexo de algoritmos, e tal capacidade não pode ser reduzida à programação duma máquina que, por mais «inteligente» que seja, permanece sempre uma máquina. Por esta razão, é imperioso garantir uma supervisão humana adequada, significativa e coerente dos sistemas de armas.

Também não podemos ignorar a possibilidade de armas sofisticadas caírem em mãos erradas, facilitando, por exemplo, ataques terroristas ou intervenções visando desestabilizar instituições legítimas de Governo. Em resumo, o mundo não precisa realmente que as novas tecnologias contribuam para o iníquo desenvolvimento do mercado e do comércio das armas, promovendo a loucura da guerra. Ao fazê-lo, não só a inteligência, mas também o próprio coração do homem, correrá o risco de se tornar cada vez mais «artificial». As aplicações técnicas mais avançadas não devem ser utilizadas para facilitar a resolução violenta dos conflitos, mas para pavimentar os caminhos da paz.

Numa ótica mais positiva, se a inteligência artificial fosse utilizada para promover o desenvolvimento humano integral, poderia introduzir inovações importantes na agricultura, na instrução e na cultura, uma melhoria do nível de vida de inteiras nações e povos, o crescimento da fraternidade humana e da amizade social. Em última análise, a forma como a utilizamos para incluir os últimos, isto é, os irmãos e irmãs mais frágeis e necessitados, é a medida reveladora da nossa humanidade.

Um olhar humano e o desejo dum futuro melhor para o nosso mundo levam à necessidade dum diálogo interdisciplinar voltado para um desenvolvimento ético dos algoritmos – a algor-etica -, em que sejam os valores a orientar os percursos das novas tecnologias. [12] As questões éticas deveriam ser tidas em consideração desde o início da pesquisa, bem como nas fases de experimentação, projetação, produção, distribuição e comercialização. Esta é a abordagem da ética da projetação, na qual as instituições educativas e os responsáveis pelo processo de decisão têm um papel essencial a desempenhar.

7. Desafios para a educação

O desenvolvimento duma tecnologia que respeite e sirva a dignidade humana tem implicações claras para as instituições educativas e para o mundo da cultura. Ao multiplicar as possibilidades de comunicação, as tecnologias digitais permitiram encontrar-se de novas formas. Todavia continua a ser necessária uma reflexão contínua sobre o tipo de relações para onde nos estão encaminhando. Os jovens estão a crescer em ambientes culturais impregnados de tecnologia, o que não pode deixar de pôr em causa os métodos de ensino e formação.

A educação para o uso de formas de inteligência artificial deveria visar sobretudo a promoção do pensamento crítico. É necessário que os utentes das várias idades, mas principalmente os jovens, desenvolvam uma capacidade de discernimento no uso de dados e conteúdos recolhidos na web ou produzidos por sistemas de inteligência artificial. As escolas, as universidades e as sociedades científicas são chamadas a ajudar os estudantes e profissionais a assumir os aspetos sociais e éticos do progresso e da utilização da tecnologia.

A formação no uso dos novos instrumentos de comunicação deveria ter em conta não só a desinformação, as notícias falsas, mas também a recrudescência preocupante de «medos ancestrais (…) que souberam esconder-se e revigorar-se por detrás das novas tecnologias». [13] Infelizmente, encontramo-nos mais uma vez a combater «a tentação de fazer uma cultura dos muros, de erguer os muros (…), para impedir este encontro com outras culturas, com outras pessoas» [14] e o desenvolvimento duma coexistência pacífica e fraterna.

8. Desafios para o desenvolvimento do direito internacional

O alcance global da inteligência artificial deixa claro que, juntamente com a responsabilidade dos Estados soberanos de regular a sua utilização internamente, as Organizações Internacionais podem desempenhar um papel decisivo na obtenção de acordos multilaterais e na coordenação da sua aplicação e implementação. [15] A este respeito, exorto a Comunidade das Nações a trabalhar unida para adotar um tratado internacional vinculativo, que regule o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial nas suas variadas formas. Naturalmente o objetivo da regulamentação não deveria ser apenas a prevenção de más aplicações, mas também o incentivo às boas aplicações, estimulando abordagens novas e criativas e facilitando iniciativas pessoais e coletivas. [16]

Em última análise, na busca de modelos normativos que possam fornecer uma orientação ética aos criadores de tecnologias digitais, é indispensável identificar os valores humanos que deveriam estar na base dos esforços das sociedades para formular, adotar e aplicar os quadros legislativos necessários. O trabalho de elaboração de diretrizes éticas para a produção de formas de inteligência artificial não pode prescindir da consideração de questões mais profundas relativas ao significado da existência humana, à proteção dos direitos humanos fundamentais, à busca da justiça e da paz. Este processo de discernimento ético e jurídico pode revelar-se preciosa ocasião para uma reflexão compartilhada sobre o papel que a tecnologia deveria ter na nossa vida individual e comunitária e sobre a forma como a sua utilização possa contribuir para a criação dum mundo mais equitativo e humano. Por este motivo, nos debates sobre a regulamentação da inteligência artificial, dever-se-ia ter em conta as vozes de todas as partes interessadas, incluindo os pobres, os marginalizados e outros que muitas vezes permanecem ignorados nos processos de decisão globais.

* * *

Espero que esta reflexão encoraje a fazer com que os progressos no desenvolvimento de formas de inteligência artificial sirvam, em última análise, a causa da fraternidade humana e da paz. Não é responsabilidade de poucos, mas da família humana inteira. De facto, a paz é fruto de relações que reconhecem e acolhem o outro na sua dignidade inalienável, e de cooperação e compromisso na busca do desenvolvimento integral de todas as pessoas e de todos os povos.

No início do novo ano, a minha oração é que o rápido desenvolvimento de formas de inteligência artificial não aumente as já demasiadas desigualdades e injustiças presentes no mundo, mas contribua para pôr fim às guerras e conflitos e para aliviar muitas formas de sofrimento que afligem a família humana. Possam os fiéis cristãos, os crentes das várias religiões e os homens e mulheres de boa vontade colaborar harmoniosamente para aproveitar as oportunidades e enfrentar os desafios colocados pela revolução digital, e entregar às gerações futuras um mundo mais solidário, justo e pacífico.

Vaticano, 8 de dezembro de 2023.

Francisco


[1]N. 33.

[2] Ibid., 57.

[3]Cf. Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24/V/2015), 104.

[4]Cf. ibid., 114.

[5]Francisco,  Discurso aos participantes no Encontro dos «Minerva Dialogues» (27/III/2023).

[6]Cf. ibid.

[7]Cf. Francisco, Mensagem ao Presidente Executivo do «World Economic Forum» em Davos-Klosters (12/I/2018).

[8]Cf. Carta enc. Laudato si’, 194; Francisco,  Discurso aos participantes no Seminário «O bem comum na era digital» (27/IX/2019).

[9]Francisco,Exort. ap. Evangelii gaudium (24/XI/2013), 233.

[10]Cf. Carta enc. Laudato si’, 54.

[11]Cf. Francisco, Discurso aos participantes na Plenária da Pontifícia Academia em prol da Vida (28/II/2020).

[12]Cf. ibid.

[13]Francisco, Carta enc. Fratelli tutti (03/X/2020), 27.

[14]Cf. ibid.

[15]Cf. ibid., 170-175.

[16]Cf. Carta enc. Laudato si’, 177.

Facebook

Twitter