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ANGELUS | A mensagem dominical do Papa Francisco

jun 10, 2018   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Cidade do Vaticano – “Pode acontecer que a forte inveja pela bondade ou pelas boas ações de alguém leve uma pessoa a acusar falsamente outra. Este é o verdadeiro veneno mortal: a malícia premeditada que destrói a boa fama do outro”. Diante da Praça São Pedro completamente tomada por fiéis, romanos e turistas, o Papa Francisco fez a sua reflexão deste domingo (10/06) comentando o Evangelho de Marcos. Como explicou, a liturgia do dia apresenta dois tipos de incompreensão que Jesus enfrentou: a dos escribas e a de seus próprios familiares, uma “advertência para todos nós”.

Francisco alertou para a malícia premeditada que destrói a boa fama do outro

A tentação de falar mal do outro
Deus nos liberte desta terrível tentação… e se examinando nossa consciência, percebermos que esta semente maligna esta germinando dentro de nós, corramos a confessá-lo no sacramento da Penitência, antes que cresça e produza efeitos ruins. Isso é incurável”. Francisco recordou que os escribas eram homens instruídos na lei e nas Sagradas Escrituras e encarregados de explicá-las ao povo. Alguns deles foram enviados à Galileia, onde a fama de Jesus começava a se alastrar, “para desacreditá-lo, serem fofoqueiros e destruí-lo”.

Jesus reage com palavras forte
Estes escribas chegaram com uma acusação terrível. Diziam que Jesus estava possuído por Belzebu e que expulsava os demônios pelo príncipe dos demônios. Isto queria dizer mais ou menos ‘este homem é um endiabrado’. De fato, Jesus curava muitos doentes… mas queriam fazer crer que Ele o fazia com o Espírito de Satanás”.  Jesus não tolerou isso e reagiu com palavras fortes, pois os escribas, talvez sem se dar conta, estavam caindo no pecado mais grave: negar e blasfemar o Amor de Deus que existe e atua em Jesus. “O pecado contra o Espírito Santo é o único pecado imperdoável, porque parte do fechamento do coração à misericórdia de Deus que age em Jesus”

Acrescentando espontaneamente, o Papa exortou: “Fiquem atentos, vocês, porque este comportamento destrói famílias, amizades, comunidades e até mesmo a sociedade”.

Uma família unida pelo respeito ao Senhor
Em seguida, Francisco evidenciou outra incompreensão sofrida por Jesus: a de seus familiares, “que estavam preocupados porque a sua nova vida de itinerante lhes parecia uma loucura e ele não tinha nem tempo para comer”. Quando o procuram para levá-lo de volta a Nazaré, Jesus olha para as pessoas que estavam à sua volta e afirma: “Eis minha mãe e meus irmãos! Aquele que faz a vontade de Deus é irmão, irmã e mãe para mim. Jesus formou uma nova família, não mais baseada em relações naturais, mas na fé Nele, em seu amor que nos acolhe e nos une, no Espírito Santo. Todos aqueles que acolhem a palavra de Jesus são filhos de Deus e irmãos entre si”, destacou Francisco, segundo quem “aquela resposta de Jesus não foi uma falta de respeito por sua mãe e seus parentes; ao contrário. Para Maria, foi o maior reconhecimento, porque precisamente ela é a perfeita discípula que obedeceu totalmente à vontade de Deus”.

FONTE
Vatican News

ANGELUS | Acompanhe a mensagem do Papa Francisco

mai 27, 2018   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Cidade do Vaticano -O cristão não é uma pessoa isolada, pertence a um povo, esse povo que forma Deus. Não se pode ser um cristão sem tal pertença e comunhão: somos povo, o povo de Deus”: foi o que afirmou o Papa Francisco na alocução que precedeu a oração mariana do Angelus neste domingo (27/05), na Praça de São Pedro, na festa da Santíssima Trindade. As leituras bíblicas de hoje – explicou o Santo Padre – nos fazem entender como Deus não queira tanto revelar que Ele existe, mas sim que é o ‘Deus conosco’, perto de nós, que nos ama, que caminha conosco, é interessado em nossa história pessoal e cuida de cada um, desde os pequeninos até aos mais necessitados.

Papa Francisco Angelus

O Espírito Santo tudo transforma
“Ele e ‘Deus lá no céu’ mas também ‘aqui embaixo na terra’- continuou -. Portanto, não acreditamos em uma entidade distante, não, em uma entidade indiferente, não, mas ao contrário no Amor que criou o universo e gerou um povo, e se fez carne, morreu e ressuscitou por nós, e como o Espírito Santo tudo transforma e leva à plenitude “.

Ele sempre escolheu caminhar com a humanidade 
Deus caminhando conosco nos enche de alegria e a alegria é um pouco a primeira linguagem do cristão”, disse o Pontífice. Então, a festa da Santíssima Trindade “nos faz contemplar o mistério de um Deus que incessantemente cria, redime e santifica, sempre com amor e por amor, e a cada criatura que o acolhe faz refletir um raio de sua beleza, bondade e verdade. Ele sempre escolheu caminhar com a humanidade e formar um povo que é bênção para todas as nações e para todas as pessoas, nenhuma excluída”. O Papa concluiu suas palavras pedindo a Nossa Senhora que “nos ajude a cumprir com alegria a missão de testemunhar ao mundo, sedento de amor, que o sentido da vida é precisamente o amor infinito, o amor concreto do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

FONTE 
Silvonei José
Vatican News

14 novos Cardeais para a Igreja. Anúncio foi feito pelo Papa.

mai 20, 2018   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Cidade do Vaticano | A Igreja vai ganhar no próximo dia 29 de junho 14 novos cardeais. O Papa Francisco surpreendeu todos (inclusive os recém-nomeados) ao comunicar este domingo (20/05), após a oração mariana do Regina Coeli, um novo consistório, sinal de universalidade da Igreja, “que continua a anunciar o amor misericordioso de Deus a todos os homens da terra. A integração dos novos cardeais na Igreja de Roma manifesta também a relação indissolúvel entre a Sé de Pedro e as Igrejas particulares espalhadas nos mundo ”

Regina Caeli

Eles são:

Sua Beatitude Louis-Raphaël I Sako, Patriarca de Babilônia dos Caldeus;

Dom Luis Ladaria, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé;

Dom Angelo De Donatis, Vigário-geral de Roma;

Dom Giovanni Angelo Becciu, Substituto para Assuntos Gerais da Secretaria de Estado e Delegado especial junto à Soberana Ordem de Malta;

Dom Konrad Krajewski, Esmoleiro apostólico;

Dom Joseph Coutts, Arcebispo de Karachi (Paquistão);

Dom António Augusto dos Santos Marto, Bispo de Leiria-Fátima (Portugal);

Dom Pedro Barreto, Arcebispo de Huancayo (Peru) e Vice-Presidente da REPAM, Rede Eclesial Pan-amazônica;

Dom Desiré Tsarahazana, Arcebispo de Toamasina (Madagascar);

Dom Giuseppe Petrocchi, Arcebispo de L’Aquila (Itália);

Dom Tomas Aquinas Manyo Maeda, Arcebispo de Osaka (Japão).

Além destes, Francisco nomeou também como membros do Colégio Cardinalício um arcebispo, um bispo e um religioso mais idosos (sem direito de voto em um eventual conclave) que se distinguiram por seu serviço à Igreja:

Dom Sergio Obeso Rivera, 86, Arcebispo emérito de Jalapa (México);

Dom Toribio Porco Ticona, 81, Prelado emérito de Corocoro (Bolívia);

Padre Aquilino Bocos Merino, 80, claretiano espanhol.

FONTE 
Vatican News

Bispos chilenos colocam cargos à disposição do Papa em reparação aos erros cometidos

mai 18, 2018   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Cidade do Vaticano | Na manhã desta sexta-feira (18/05), no auditório da Secretaria para a Comunicação da Santa Sé, em Roma, o secretário-geral da Conferência Episcopal Chilena, Dom Fernando Ramos, bispo auxiliar de Santiago, e o bispo de San Bernardo, Dom Juan Ignacio Gonzales, leram aos jornalistas uma declaração em espanhol e italiano, e acrescentaram uma explicação ao texto lido. Primeiramente, tomou a palavra Dom Ramos, explicando que na primeira coletiva de imprensa da última segunda-feira (14/05), os bispos disseram que vieram “com dor e vergonha a esses encontros com o Papa”.

Bispos chilenos que leram a declaração esta manhã

Na terça-feira tivemos a primeira reunião. O Papa nos leu um documento em que expressou suas conclusões e reflexões sobre o relatório de Dom Scicluna, após sua visita ao Chile. O texto do Santo Padre indica claramente uma série de acontecimentos absolutamente reprováveis que ocorreram na Igreja chilena em relação a abusos inaceitáveis de poder, consciência e sexuais, que levaram à diminuição do vigor profético que a caracterizava”, ressaltou Dom Ramos.

Nas três reuniões seguintes, cada bispo expressou sua reação, opinião e visão sobre o que foi apontado pelo Papa. “Neste contexto de diálogo e discernimento, foram apresentadas várias sugestões de medidas a serem tomadas para enfrentar essa grande crise, bem como foi amadurecendo a ideia de que, para estar mais em sintonia com a vontade do Santo Padre, era conveniente declarar a nossa disponibilidade absoluta de colocar nossos encargos pastorais nas mãos do Papa.Desta forma, faríamos um gesto colegial e solidário, para assumir, com dor, os graves acontecimentos que ocorreram e para que o Santo Padre pudesse dispor livremente de todos nós”, disse ainda o bispo auxiliar de Santiago.

Dom Ramos ressaltou que nesta quinta-feira (17/05), os bispos chilenos, por escrito, colocaram os seus encargos à disposição do Papa. “Desta forma, ele poderá decidir nas próximas semanas se aceitar ou rejeitar o que indicamos”, frisou ele. Por sua vez, o bispo de San Bernardo, Dom Juan Ignacio González, membro da Comissão Permanente da Conferência Episcopal do Chile, sublinhou que colocar os seus encargos pastorais à disposição do Papa “significa que, enquanto o Santo Padre não tomar uma decisão, cada bispo membro da Conferência Episcopal Chilena continuará seus trabalhos pastorais e em plena função”.

O Santo Padre pode aceitar a saída imediata de um bispo, pode também rejeitá-la e, portanto, ele permaneceria confirmado em sua função, pode aceitá-la e torná-la efetiva no momento da nomeação de uma nova autoridade diocesana”, disse ainda Dom González. O bispo agradeceu a todos, sobretudo a imprensa,  que muitas vezes passou horas esperando informações dos prelados chilenos. “Que o Senhor recompense seu serviço à verdade. Agradecemos também à Secretária para a Comunicação da Santa Sé por seu apoio e proximidade nesses dias e a todos aqueles que muitas vezes nos acompanharam anonimamente com seu trabalho e oração”, concluiu Dom González.

FONTE 
Vatican News

MENSAGEM | Dia Mundial das Comunicações Sociais

mai 13, 2018   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O 52º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

“A verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32).
Fake news e jornalismo de paz”

[13 de maio de 2018]

 Papa Francisco

Queridos irmãos e irmãs!

No projeto de Deus, a comunicação humana é uma modalidade essencial para viver a comunhão. Imagem e semelhança do Criador, o ser humano é capaz de expressar e compartilhar o verdadeiro, o bom e o belo. É capaz de narrar a sua própria experiência e o mundo, construindo assim a memória e a compreensão dos acontecimentos. Mas, se orgulhosamente seguir o seu egoísmo, o homem pode usar de modo distorcido a própria faculdade de comunicar, como o atestam, já nos primórdios, os episódios bíblicos dos irmãos Caim e Abel e da Torre de Babel (cf. Gn 4, 1-16; 11, 1-9). Sintoma típico de tal distorção é a alteração da verdade, tanto no plano individual como no coletivo. Se, pelo contrário, se mantiver fiel ao projeto de Deus, a comunicação torna-se lugar para exprimir a própria responsabilidade na busca da verdade e na construção do bem. Hoje, no contexto duma comunicação cada vez mais rápida e dentro dum sistema digital, assistimos ao fenómeno das «notícias falsas», as chamadas fake news: isto convida-nos a refletir, sugerindo-me dedicar esta Mensagem ao tema da verdade, como aliás já mais vezes o fizeram os meus predecessores a começar por Paulo VI (cf. Mensagem de 1972: «Os instrumentos de comunicação social ao serviço da Verdade»). Gostaria, assim, de contribuir para o esforço comum de prevenir a difusão das notícias falsas e para redescobrir o valor da profissão jornalística e a responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade.

1. Que há de falso nas «notícias falsas»?

A expressão fake news é objeto de discussão e debate. Geralmente diz respeito à desinformação transmitida on-line ou nos mass-media tradicionais. Assim, a referida expressão alude a informações infundadas, baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e até manipular o destinatário. A sua divulgação pode visar objetivos prefixados, influenciar opções políticas e favorecer lucros económicos.

A eficácia das fake news fica-se a dever, em primeiro lugar, à sua natureza mimética, ou seja, à capacidade de se apresentar como plausíveis. Falsas mas verossímeis, tais notícias são capciosas, no sentido que se mostram hábeis a capturar a atenção dos destinatários, apoiando-se sobre estereótipos e preconceitos generalizados no seio dum certo tecido social, explorando emoções imediatas e fáceis de suscitar como a ansiedade, o desprezo, a ira e a frustração. A sua difusão pode contar com um uso manipulador das redes sociais e das lógicas que subjazem ao seu funcionamento: assim os conteúdos, embora desprovidos de fundamento, ganham tal visibilidade que os próprios desmentidos categorizados dificilmente conseguem circunscrever os seus danos.

A dificuldade em desvendar e erradicar as fake news é devida também ao facto de as pessoas interagirem muitas vezes dentro de ambientes digitais homogéneos e impermeáveis a perspetivas e opiniões divergentes. Esta lógica da desinformação tem êxito, porque, em vez de haver um confronto sadio com outras fontes de informação (que poderia colocar positivamente em discussão os preconceitos e abrir para um diálogo construtivo), corre-se o risco de se tornar atores involuntários na difusão de opiniões tendenciosas e infundadas. O drama da desinformação é o descrédito do outro, a sua representação como inimigo, chegando-se a uma demonização que pode fomentar conflitos. Deste modo, as notícias falsas revelam a presença de atitudes simultaneamente intolerantes e hipersensíveis, cujo único resultado é o risco de se dilatar a arrogância e o ódio. É a isto que leva, em última análise, a falsidade.

2. Como podemos reconhecê-las?

Nenhum de nós se pode eximir da responsabilidade de contrastar estas falsidades. Não é tarefa fácil, porque a desinformação se baseia muitas vezes sobre discursos variegados, deliberadamente evasivos e subtilmente enganadores, valendo-se por vezes de mecanismos refinados. Por isso, são louváveis as iniciativas educativas que permitem apreender como ler e avaliar o contexto comunicativo, ensinando a não ser divulgadores inconscientes de desinformação, mas atores do seu desvendamento. Igualmente louváveis são as iniciativas institucionais e jurídicas empenhadas na definição de normativas que visam circunscrever o fenómeno, e ainda iniciativas, como as empreendidas pelas tech e media company, idóneas para definir novos critérios capazes de verificar as identidades pessoais que se escondem por detrás de milhões de perfis digitais.

Mas a prevenção e identificação dos mecanismos da desinformação requerem também um discernimento profundo e cuidadoso. Com efeito, é preciso desmascarar uma lógica, que se poderia definir como a «lógica da serpente», capaz de se camuflar e morder em qualquer lugar. Trata-se da estratégia utilizada pela serpente – «o mais astuto de todos os animais», como diz o livro do Génesis (cf. 3, 1-15) – a qual se tornou, nos primórdios da humanidade, artífice da primeira fake news, que levou às trágicas consequências do pecado, concretizadas depois no primeiro fratricídio (cf. Gn 4) e em inúmeras outras formas de mal contra Deus, o próximo, a sociedade e a criação. A estratégia deste habilidoso «pai da mentira» (Jo 8, 44) é precisamente a mimese, uma rastejante e perigosa sedução que abre caminho no coração do homem com argumentações falsas e aliciantes. De facto, na narração do pecado original, o tentador aproxima-se da mulher, fingindo ser seu amigo e interessar-se pelo seu bem. Começa o diálogo com uma afirmação verdadeira, mas só em parte: «É verdade ter-vos Deus proibido comer o fruto de alguma árvore do jardim?» (Gn 3, 1). Na realidade, o que Deus dissera a Adão não foi que não comesse de nenhuma árvore, mas apenas de uma árvore: «Não comas o [fruto] da árvore do conhecimento do bem e do mal» (Gn 2, 17). Retorquindo, a mulher explica isso mesmo à serpente, mas deixa-se atrair pela sua provocação: «Podemos comer o fruto das árvores do jardim; mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: “Nunca o deveis comer nem sequer tocar nele, pois, se o fizerdes, morrereis”» (Gn3, 2-3). Esta resposta tem sabor a legalismo e pessimismo: dando crédito ao falsário e deixando-se atrair pela sua apresentação dos factos, a mulher extravia-se. Em primeiro lugar, dá ouvidos à sua réplica tranquilizadora: «Não, não morrereis»(3, 4). Depois a argumentação do tentador assume uma aparência credível: «Deus sabe que, no dia em que comerdes [desse fruto], abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como Deus, ficareis a conhecer o bem e o mal»(3, 5). Enfim, ela chega a desconfiar da recomendação paterna de Deus, que tinha em vista o seu bem, para seguir o aliciamento sedutor do inimigo: «Vendo a mulher que o fruto devia ser bom para comer, pois era de atraente aspeto (…) agarrou do fruto, comeu»(3, 6). Este episódio bíblico revela assim um facto essencial para o nosso tema: nenhuma desinformação é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso produz consequências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos.

De facto, está em jogo a nossa avidez. As fake news tornam-se frequentemente virais, ou seja, propagam-se com grande rapidez e de forma dificilmente controlável, não tanto pela lógica de partilha que carateriza os meios de comunicação social como sobretudo pelo fascínio que detêm sobre a avidez insaciável que facilmente se acende no ser humano. As próprias motivações económicas e oportunistas da desinformação têm a sua raiz na sede de poder, ter e gozar, que, em última instância, nos torna vítimas de um embuste muito mais trágico do que cada uma das suas manifestações: o embuste do mal, que se move de falsidade em falsidade para nos roubar a liberdade do coração. Por isso mesmo, educar para a verdade significa ensinar a discernir, a avaliar e ponderar os desejos e as inclinações que se movem dentro de nós, para não nos encontrarmos despojados do bem «mordendo a isca» em cada tentação.

3. «A verdade vos tornará livres» (Jo 8, 32)

De facto, a contaminação contínua por uma linguagem enganadora acaba por ofuscar o íntimo da pessoa. Dostoevskij deixou escrito algo de notável neste sentido: «Quem mente a si mesmo e escuta as próprias mentiras, chega a pontos de já não poder distinguir a verdade dentro de si mesmo nem ao seu redor, e assim começa a deixar de ter estima de si mesmo e dos outros. Depois, dado que já não tem estima de ninguém, cessa também de amar, e então na falta de amor, para se sentir ocupado e distrair, abandona-se às paixões e aos prazeres triviais e, por culpa dos seus vícios, torna-se como uma besta; e tudo isso deriva do mentir contínuo aos outros e a si mesmo» (Os irmãos Karamazov, II, 2).

E então como defender-nos? O antídoto mais radical ao vírus da falsidade é deixar-se purificar pela verdade. Na visão cristã, a verdade não é uma realidade apenas conceptual, que diz respeito ao juízo sobre as coisas, definindo-as verdadeiras ou falsas. A verdade não é apenas trazer à luz coisas obscuras, «desvendar a realidade», como faz pensar o termo que a designa em grego:aletheia, de a-lethès, «não escondido». A verdade tem a ver com a vida inteira. Na Bíblia, reúne os significados de apoio, solidez, confiança, como sugere a raiz ‘aman (daqui provém o próprio Amen litúrgico). A verdade é aquilo sobre o qual nos podemos apoiar para não cair. Neste sentido relacional, o único verdadeiramente fiável e digno de confiança sobre o qual se pode contar, ou seja, o único «verdadeiro» é o Deus vivo. Eis a afirmação de Jesus: «Eu sou a verdade» (Jo 14, 6). Sendo assim, o homem descobre sempre mais a verdade, quando a experimenta em si mesmo como fidelidade e fiabilidade de quem o ama. Só isto liberta o homem: «A verdade vos tornará livres»(Jo 8, 32).

Libertação da falsidade e busca do relacionamento: eis aqui os dois ingredientes que não podem faltar, para que as nossas palavras e os nossos gestos sejam verdadeiros, autênticos e fiáveis. Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor. Por isso, a verdade não se alcança autenticamente quando é imposta como algo de extrínseco e impessoal; mas brota de relações livres entre as pessoas, na escuta recíproca. Além disso, não se acaba jamais de procurar a verdade, porque algo de falso sempre se pode insinuar, mesmo ao dizer coisas verdadeiras. De facto, uma argumentação impecável pode basear-se em factos inegáveis, mas, se for usada para ferir o outro e desacreditá-lo à vista alheia, por mais justa que apareça, não é habitada pela verdade. A partir dos frutos, podemos distinguir a verdade dos vários enunciados: se suscitam polémica, fomentam divisões, infundem resignação ou se, em vez disso, levam a uma reflexão consciente e madura, ao diálogo construtivo, a uma profícua atividade.

4. A paz é a verdadeira notícia

O melhor antídoto contra as falsidades não são as estratégias, mas as pessoas: pessoas que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através da fadiga dum diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem. Se a via de saída da difusão da desinformação é a responsabilidade, particularmente envolvido está quem, por profissão, é obrigado a ser responsável ao informar, ou seja, o jornalista, guardião das notícias. No mundo atual, ele não desempenha apenas uma profissão, mas uma verdadeira e própria missão. No meio do frenesim das notícias e na voragem dos scoop, tem o dever de lembrar que, no centro da notícia, não estão a velocidade em comunicá-la nem o impacto sobre a audience, mas as pessoas. Informar é formar, é lidar com a vida das pessoas. Por isso, a precisão das fontes e a custódia da comunicação são verdadeiros e próprios processos de desenvolvimento do bem, que geram confiança e abrem vias de comunhão e de paz.

Por isso desejo convidar a que se promova um jornalismo de paz, sem entender, com esta expressão, um jornalismo «bonzinho», que negue a existência de problemas graves e assuma tons melífluos. Pelo contrário, penso num jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas; um jornalismo feito por pessoas para as pessoas e considerado como serviço a todas as pessoas, especialmente àquelas – e no mundo, são a maioria – que não têm voz; um jornalismo que não se limite a queimar notícias, mas se comprometa na busca das causas reais dos conflitos, para favorecer a sua compreensão das raízes e a sua superação através do aviamento de processos virtuosos; um jornalismo empenhado a indicar soluções alternativas às escalation do clamor e da violência verbal.

Por isso, inspirando-nos numa conhecida oração franciscana, poderemos dirigir-nos, à Verdade em pessoa, nestes termos:

Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz.
Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não
cria comunhão.
Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos.
Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs.
Vós sois fiel e digno de confiança;
fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:
onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta;
onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia;
onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza;
onde houver exclusão, fazei que levemos partilha;
onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade;
onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos
verdadeiros;
onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança;
onde houver agressividade, fazei que levemos respeito;
onde houver falsidade, fazei que levemos verdade.
Amen.

Vaticano, 24 de janeiro – Memória de São Francisco de Sales – do ano de 2018.

 

Franciscus

COMUNICAÇÃO: comentários acerca da mensagem do Papa

mai 12, 2018   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Vaticano - “Fake news e jornalismo de paz”: a este tema o Papa Francisco dedicou sua mensagem para o 52° Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado neste domingo (13/05). No texto, o Papa deixa claro que um jornalismo de paz não significa “um jornalismo bonzinho, que negue a existência de problemas graves e assuma tons melífluos”, mas convida a fazer um jornalismo “sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionalistas e a declarações bombásticas”.

Mas jornalismo de paz é um conceito ou é possível praticá-lo, sobretudo em meio a interesses e pressões por uma informação veloz e rentável? Afinal, o que é e o que representa jornalismo de paz para os profissionais da área? Para responder a esta pergunta, o VATICAN NEWS convidou comunicadores renomados no Brasil:

Ilze Scamparini – Vaticanista, correspondente da TV Globo

“O jornalismo de paz é aquele com o qual nós que escolhemos essa profissão sempre sonhamos, que é o jornalismo justo, mas não só, é o jornalismo ético, mas não só, é o jornalismo livre e democrático, mas não só, é acima de tudo um jornalismo de bom senso. Se um jornalista consegue em cada matéria que fizer, respeitar isso, eu acho que a profissão vale a pena.”

Gerson Camarotti – Jornalista, escritor e comentarista político da Globo News e CBN

Recordo-me muito quando estava me formando nos anos 90 e fui conversar com o arcebispo emérito da minha cidade, Dom Hélder Câmara, pedindo conselho. Assim me disse: ‘Olha Camarotti, o jornalismo era a profissão do meu pai, profissão do meu avô, o jornalismo tem que ser fonte de verdade’. É isto que busco na minha profissão, tentar passar a verdade e ir em busca da verdade para noticiar é a melhor forma de se ter um jornalismo de paz. Às vezes, uma verdade incomoda, como por exemplo do Brasil que vive um tempo de escândalos de corrupção, mas o papel do jornalista é dar uma dimensão correta, a notícia verdadeira sobre o que está acontecendo no país.”

André Trigueiro – Professor da PUC-Rio e jornalista da Globo especializado em jornalismo ambiental

“O jornalismo de paz é aquele que não fomenta a violência gratuitamente, não é um jornalismo que omite fatos alusivos às causas, às origens e às razões da violência; ele precisa reportar indicadores de violência até mesmo para a sociedade ter condições de fazer as escolhas certas na área da educação, da segurança pública, na área da proteção da família e do planejamento familiar etc. O jornalismo de paz procura sensibilizar governos e a sociedade para a necessidade de uma atenção imediata e urgente para os que mais precisam, os excluídos, os mais pobres e os sem oportunidades.”

Veronica Machado (Koca Machado) – Professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), publicitária e sócia-executiva do Grupo Sal:

“Os preceitos do jornalismo da paz são os mesmos do jornalismo raiz, apuração dos fatos através de fontes confiáveis. Na era do conhecimento, as pessoas estão se contentando com informações rasas e fúteis. Acredito que o jornalismo da paz é a tentativa do resgate ético da informação”.

Fernando Morgado – Professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA) e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Rio de Janeiro:

Mais do que informar, o jornalismo também forma, ele também educa. Mais do que registrar os movimentos sociais, de certa maneira participa deles. A responsabilidade é muito grande, por isso jornalismo de paz é quando você exerce esta atividade de relatar os fatos com responsabilidade, sobretudo visando a intenção de desenvolver a sociedade, de fazer um mundo melhor, para que o jornalismo possa inspirar as pessoas a evoluírem e criarem aquilo que é maior e tão importante, que é a cultura de paz. Uma cultura contra o ódio, contra os conflitos e formando com responsabilidade e gerando a reflexão de maneira adequada. O jornalismo pode ter uma contribuição decisiva para o desenvolvimento do mundo como um todo.

Cardeal Orani João Tempesta – Arcebispo do Rio de Janeiro

“Creio que em um tempo de tanta violência e tantas mentiras, tantas fakes news, o trabalho dos cristãos católicos em divulgar a verdade e saber selecioná-las é a grande motivação do 52° Dia Mundial das Comunicações. Nesse tempo, é muito importante que nós possamos escolher cada vez mais pela verdade e também saber selecioná-las, saber ouvir a verdade de tal maneira que seja uma verdade que nos liberte. Ao transmitir as notícias, que não façamos com raiva ou vingança, mas procurando iluminar, para que cresça cada vez mais e melhor aquilo que constrói uma humanidade mais justa e fraterna.”

FONTE 
Vatican News
(Pe. Arnaldo Rodrigues e Bianca Fraccalvieri)

No Vaticano, Papa recebe Consagrados

mai 5, 2018   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Cidade do Vaticano - O Papa Francisco recebeu, na manhã desta sexta-feira (04/05), na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de 700 participantes do encontro internacional promovido pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. O encontro realiza-se, em Roma, na Pontifícia Universidade Antonianum, de 3 a 6 deste mês, sobre o tema “Consagração por meio dos Conselhos evangélicos”.

O Papa falou espontaneamente aos consagrados, indicando critérios autênticos a fim de discernir o que está acontecendo e “não se perder neste mundo, no nevoeiro da mundanidade, nas provocações e no espírito de guerra. Precisamos de critérios autênticos que nos guiem no discernimento”.

Papa Francisco durante a missa com os consagrados, em fevereiro passado

Colunas da vida consagrada
A seguir, o Papa ressaltou que o Espírito Santo é uma “calamidade, porque nunca se cansa de ser criativo”! “Autor da diversidade e ao mesmo tempo Criador de unidade. Ele faz a unidade do Corpo de Cristo, a unidade da consagração. Isso é também um desafio”, sublinhou Francisco. “Quais são as coisas que o Espírito quer que se mantenham fortes na vida consagrada?”, perguntou o Papa, recordando três critérios autênticos, pilares da vida consagrada: oração, pobreza e paciência.

Oração
A oração é voltar sempre ao primeiro chamado”, ao encontro com o Senhor que chamou o consagrado a deixar tudo: mãe, pai, família e carreira para segui-Lo de perto. “Toda oração é voltar a isso, ao sorriso dos primeiros passos. A oração na vida consagrada é o ar que nos faz respirar o chamado, renovar o chamado. Sem este ar não podemos ser bons consagrados. Seremos talvez pessoas boas, bons cristãos, bons católicos que trabalham em muitas obras da Igreja, mas a consagração deve ser renovada continuamente ali, na oração, no encontro com o Senhor.

Exemplo de Madre Teresa
O Papa Francisco citou como exemplo Madre Teresa de Calcutá que não obstante o trabalho de todos os dias, permanecia duas horas diárias em oração, diante do Santíssimo. “O tempo para a oração  deve ser encontrado”, reiterou Francisco. “Não é possível viver a vida consagrada e discernir o que está acontecendo sem conversar com o Senhor.

Pobreza
“A pobreza”, como dizia Santo Inácio de Loyola, “é a mãe, o muro de contenção da vida consagrada” e “defende do espírito mundano”. O espírito de pobreza não é negociável, pois corre-se o risco de passar da “consagração religiosa” à “mundanidade religiosa”. Um percurso que tem três degraus: “O primeiro: o dinheiro, ou seja, a falta de pobreza. O segundo, a vaidade, que parte do extremo de ser um pavão e vai até as pequenas coisas de vaidade. O terceiro: a soberbia, o orgulho. E dali, todos os vícios. Mas, o primeiro degrau é o apego às riquezas, o apego ao dinheiro.

Paciência
Entende-se por paciência, “aquela que Jesus teve para chegar ao fim de sua vida”, a condição em que depois da última ceia vai ao Horto das Oliveiras. “Sem paciência se entendem as guerras internas de uma congregação”, “os carreirismos nos capítulos gerais”, e prossegue Francisco, “algumas decisões tomadas diante de problemas da vida comunitária como a perda das vocações”.

Evitar a “ars bene moriendi”
O Papa citou o exemplo de duas províncias masculinas de duas congregações diferentes que, num país “secularizado”, encerraram a admissão ao noviciado, condenando o futuro da congregação naquele período. “Ars bene moriendi”, disse o Papa a propósito dessa “Arte de morrer bem”. “Falta paciência e terminamos com o “ars bene moriendi”. Falta paciência e não vêm as vocações? Vendemos e nos apegamos ao dinheiro por qualquer coisa que possa acontecer no futuro. Esse é um sinal de que se está perto da morte: quando uma congregação começa a apegar-se ao dinheiro. Não tem paciência e cai na falta de pobreza.”

Fecundidade espiritual
Fiquem atentos à oração, pobreza e paciência”, disse Francisco, convidando os consagrados a seguirem essas “opções radicais” na vida pessoal e comunitária, e a apostar nelas. “Desejo que vocês continuem estudando e sendo fecundos na vida religiosa. Nunca se sabe por onde anda a minha fecundidade, mas se você reza, é pobre e paciente, tenha certeza de que será fecundo. Como? O Senhor lhe mostrará. É a receita para a fecundidade. Você será pai, será mãe. É o que eu desejo para a vida religiosa: ser fecunda.

FONTE 
Vatican News

REFLEXÃO | Homilia do Papa em Missa celebrada nessa sexta-feira

abr 27, 2018   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Cidade do Vaticano – O Papa Francisco celebrou na manhã desta sexta-feira (27/04) a missa na capela da Casa Santa Marta e dedicou sua homilia à Primeira Leitura. Trata-se do trecho dos Atos dos apóstolos, com o discurso de Paulo na sinagoga de Antioquia. Os habitantes de Jerusalém, e os seus chefes, diz o Apóstolo, não reconheceram Jesus, mas Ele ressuscitou depois de morto. E assim conclui: “Nós vos anunciamos que a promessa que Deus fez aos antepassados, ele a cumpriu para nós, seus filhos, quando ressuscitou Jesus”.

Papa celebra a missa na Casa Santa Marta

Fidelidade de Deus
Tendo no coração esta promessa de Deus, prosseguiu o Papa, o povo se colocou em caminho com a segurança de saber que era o “povo eleito”. O povo, com frequência infiel, “confiava na promessa, porque sabia que Deus é fiel”. Por isso ia avante, confiante na fidelidade de Deus. Também nós estamos em caminho: nós estamos em caminho. Estamos em caminho… e quando fazemos esta pergunta – “Sim, em caminho: mas em caminho para onde?” – “Sim, para o céu!” – “E o que é o céu?”. E ali começamos a escorregar nas respostas, não sabemos bem como dizer “o que é o céu”. E muitas vezes pensamos num céu abstrato, um céu distante, um céu… sim, ali se está bem. Alguns pensam: “Mas será um pouco entediante estar ali toda a eternidade?”. Não: o céu não é isso. Nós caminhamos rumo a um encontro: o encontro definitivo com Jesus. O céu é o encontro com Jesus.

Um encontro que nos fará alegrar para sempre, afirmou Francisco, “Jesus, Deus e homem; Jesus, em corpo e alma, nos espera”. Tende fé em mim também. Para Francisco, devemos pensar nisto: “Eu estou caminhando na vida para encontrar Jesus. E o que faz Jesus enquanto isso? Ele não está sentando me esperando, mas, como diz o Evangelho, trabalha para nós. Ele mesmo diz: ‘Tende fé em mim também’, ‘Vou preparar um lugar para vós’. E qual é o trabalho de Jesus? A intercessão. A oração de intercessão”, explicou o Papa.

Jesus reza por mim, por cada um de nós. Mas isso devemos repeti-lo para nos convencer: Ele é fiel e Ele reza por mim. Neste momento. Francisco recordou as palavras de Jesus na Última Ceia, quando promete a Pedro: “Eu rezarei por ti”. “O que ele disse a Pedro diz a todos nós: ‘Eu rezo por ti’”. E cada um de nós deve dizer: “Jesus está rezando por mim”, está trabalhando, está preparando aquele lugar. E Ele é fiel; Ele é fiel: o fará porque prometeu. O céu será este encontro, um encontro com o Senhor que foi ali preparar o lugar, o encontro com cada um de nós. E isso nos dá confiança, faz crescer a confiança.

Jesus é o sacerdote intercessor até o final do mundo, lembrou o Papa, que concluiu: “Que o Senhor nos dê esta consciência de estar em caminho com esta promessa. O Senhor nos dê esta graça: de olhar para o alto e pensar: ‘O Senhor está rezando por mim’ ”.

FONTE
Vatican News

“URBI ET ORBI” | A bênção do Papa no Domingo de Páscoa

abr 1, 2018   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Cidade do Vaticano – Exortação ao diálogo e pedidos de frutos de paz para o mundo inteiro, a começar pela “martirizada Síria”, Terra Santa, continente africano, península coreana, Ucrânia, Venezuela, as crianças e os idosos. Os dramas vividos por milhões de pessoas em cada uma destas partes do globo foram recordados pelo Papa Francisco em sua mensagem Urbi et Orbi na Páscoa da Ressurreição. Mas mesmo diante disto,  existe a esperança, pois “a morte, a solidão e o medo não têm a última palavra”.

Papa na varanda central da Basílica São Pedro

Mensagem “Urbi et Orbi”
Jesus, Morto pelo pecado do mundo, permaneceu dois dias no sepulcro, mas na sua morte estava contido todo o poder do amor de Deus, e “nós cristãos, acreditamos e sabemos que a ressurreição de Cristo é a verdadeira esperança do mundo, aquela que não desilude”, disse o Santo Padre: “É a força do grão de trigo, a do amor que se humilha e oferece até ao fim e que verdadeiramente renova o mundo. Esta força dá fruto também hoje nos sulcos da nossa história, marcada por tantas injustiças e violências. Dá frutos de esperança e dignidade onde há miséria e exclusão, onde há fome e falta trabalho, no meio dos deslocados e refugiados – frequentemente rejeitados pela cultura atual do descarte – das vítimas do narcotráfico, do tráfico de pessoas e da escravidão dos nossos tempos”.

Síria
Ao recordar da “amada e martirizada Síria, cuja população está exausta por uma guerra que não vê fim”, o Pontífice pediu que “a luz de Cristo Ressuscitado ilumine as consciências de todos os responsáveis políticos e militares, para que coloquem fim imediatamente ao extermínio em andamento”, respeitando o direito humanitário e facilitando o acesso das ajudas humanitárias aos “nossos irmãos e irmãs que têm necessidade urgente” e assegurando condições adequadas para o retorno dos deslocados.

Terra Santa
O Papa desejou “frutos de reconciliação” para o Iêmen, o Oriente Médio, para a Terra Santa – “também nestes dias ferida por conflitos” que não poupam os inocentes – pedindo que “o diálogo e o respeito recíproco prevaleçam sobre as divisões e sobre a violência” e que “nossos irmãos em Cristo, que não raro sofrem abusos e perseguições, possam ser testemunhos luminosos do Ressuscitado e da vitória do bem sobre o mal”.

África
Frutos de esperança” foi a súplica do Santo Padre pelas populações do continente africano que anseiam por uma vida mais digna, em particular nas áreas afetadas “pela fome, por conflito endêmicos e pelo terrorismo”. Neste continente, o Papa citou o Sudão do Sul, pedindo que “a paz do Ressuscitado cure as feridas, abra os corações ao diálogo e à compreensão recíproca”.

Não esqueçamos as vítimas deste conflito, especialmente as crianças!” sublinhou, pedindo que “não falte a solidariedade às pessoas obrigadas a abandonaram as próprias terras “e privadas do mínimo necessário para viver”.

Península coreana
Frutos de diálogo” foi o que implorou o Santo Padre para a Península coreana, para que os colóquios em andamento “promovam a harmonia e a pacificação da região”, e que os responsáveis diretos “ajam com sabedoria e discernimento” para promover o bem do povo coreano.

Ucrânia
Frutos de paz”, com o fortalecimento dos passos em direção à concórdia e a facilitação para as iniciativas humanitária em favor das populações necessitadas foi o desejo de Francisco para a Ucrânia.

Venezuela
Para o povo venezuelano o Pontífice suplicou “frutos de consolação”, recordando a mensagem do episcopado local que afirmava que no  país se vive uma espécie de “terra de ninguém”. Assim, Francisco pede que “pela força da Ressurreição do Senhor Jesus” possa ser encontrado “o caminho justo, pacífico e humano para sair o mais rápido possível da crise política e humanitária” e que “não faltem acolhida e assistência àqueles, entre os seus filhos, são obrigados a abandonar o próprio país”.

Crianças e idosos
O Papa pediu “frutos de vida nova” para as crianças, “que devido às guerras e à fome, crescem sem esperança, privadas de educação e de assistência sanitária” e também pelos idosos “descartados pela cultura egoísta, que deixa de lado quem não é “produtivo””. Por fim, o pedido de “frutos de sabedoria” por aqueles que têm responsabilidades políticas, para que “respeitem sempre a dignidade humana” e que estejam a serviço “do bem comum”, assegurando “desenvolvimento e segurança aos próprios cidadãos”.

Recordando que “a morte, a solidão e o medo não têm a última palavra”, e que a força do amor de Deus “derrota o mal, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos, dissipa o ódio, quebra a dureza dos poderosos, promove a concórdia e a paz”, o Papa Francisco desejou a todos “Boa Páscoa”. Ao final, o Santo Padre concedeu a todos a Bênção Pascal com a Indulgência Plenária, segundo a forma estabelecida pela Igreja:

Bênção Urbi et Orbi
(
fórmula em latim):

Sancti Apostoli Petrus et Paulus: de quorum potestate et auctoritate confidimus ipsi intercedant pro nobis ad Dominum.

R: Amen.

Precibus et meritis beatæ Mariae semper Virginis, beati Michaelis Archangeli, beati Ioannis Baptistæ, et sanctorum Apostolorum Petri et Pauli et omnium Sanctorum misereatur vestri omnipotens Deus; et dimissis omnibus peccatis vestris, perducat vos Iesus Christus ad vitam æternam.

R: Amen.

Indulgentiam, absolutionem et remissionem omnium peccatorum vestrorum, spatium verae et fructuosae poenitentiæ, cor semper penitens, et emendationem vitae, gratiam et consolationem Sancti Spiritus; et finalem perseverantiam in bonis operibus tribuat vobis omnipotens et misericors Dominus.

R: Amen.

Et benedictio Dei omnipotentis, Patris et Filii et Spiritus Sancti descendat super vos et maneat semper.

R: Amen.

 

FONTE 
Vatican News

MISSA DO CRISMA: Papa abre o Tríduo Pascal no Vaticano

mar 29, 2018   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Cidade do Vaticano – O Papa Francisco abriu o Tríduo Pascal no Vaticano na manhã desta Quinta-feira Santa presidindo a Missa do Crisma. Os sacerdotes renovaram seu compromisso e os óleos dos Catecúmenos (usados nos batizados) e dos Enfermos (para a Unção dos doentes) foram abençoados e o óleo do Crisma (usado no sacramento do Crisma) consagrado.

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Evangelizar estando sempre próximo do povo: assim como Jesus – narra o Evangelho de Lucas – o padre de hoje deve assumir este desafio e cumpri-lo. “Ser um pregador de estrada, um mensageiro de boas novas”: em sua homilia, o Papa sugeriu aos padres esta opção, que foi a de Deus: “A pedagogia da encarnação, da inculturação; não só nas culturas distantes, mas também na própria paróquia, na nova cultura dos jovens… ”

Estar ‘sempre ‘ e falar com todos
Como definir um padre como “próximo” das pessoas? Para Francisco, ele deve estar “sempre” perto e “falar com todos”: com os grandes, com os pequenos, com os pobres, com aqueles que não creem… assim como o Apóstolo Filipe, pregador de estrada, que ia de terra em terra, anunciando a Boa-Nova da Palavra, inundando as cidades de alegria.

A proximidade é a chave do evangelizador, porque é uma atitude-chave no Evangelho, mas é também a chave da verdade”, ressaltou o Papa, lembrando que esta é também fidelidade e que não devemos cair na tentação de fazer ídolos com algumas verdades abstratas. Francisco improvisou e falou da ‘cultura do ajetivo’, um hábito ‘feio’… “Porque a ‘verdade-ídolo’ se mimetiza, usa as palavras evangélicas como um vestido, mas não deixa que lhe toquem o coração. E, pior ainda, afasta as pessoas simples da proximidade sanadora da Palavra e dos Sacramentos de Jesus”.

O modelo da proximidade materna
E quem nos é mais próximo do que a “Mãe”? Segundo o Papa, podemos invocá-La como “Nossa Senhora da Proximidade”, que caminha conosco, luta conosco e aproxima-nos incessantemente do amor de Deus, a fim de que ninguém se sinta excluído. Francisco sugeriu para meditação três âmbitos de proximidade sacerdotal que podem ressoar com o mesmo tom materno de Maria no coração das pessoas com quem falamos: o âmbito do acompanhamento espiritual, o da Confissão e o da pregação.

Diálogo, confissão e pregação
No diálogo espiritual, o Papa mencionou modelo o encontro do Senhor com a Samaritana: que soube trazer à luz o pecado sem ensombrar a oração de adoração nem pôr obstáculos à sua vocação missionária. A passagem da mulher adúltera foi o exemplo citado para a proximidade na Confissão: assim como Jesus, usar o tom da verdade-fiel, que permita ao pecador olhar em frente e não para trás. O tom justo do “não tornes a pecar” é o do confessor que o diz disposto a repeti-lo setenta vezes sete.

Por último, a proximidade do sacerdote no âmbito da pregação: “Quanto estamos próximos de Deus na oração e quão próximo estamos do nosso povo na sua vida diária?”. A resposta do Papa é: “Se te sentes longe de Deus, aproxima-te do seu povo, que te curará das ideologias que te entorpeceram o fervor. As pessoas simples te ensinarão a ver Jesus de outra maneira”

E explicou que “o sacerdote vizinho, que caminha no meio do seu povo com proximidade e ternura de bom pastor (e, na sua pastoral, umas vezes vai à frente, outras vezes no meio e outras vezes ainda atrás), as pessoas não só o veem com muito apreço; mas vão mais além: sentem por ele qualquer coisa de especial, algo que só sente na presença de Jesus”.

A proximidade do ‘sim’
Dirigindo-se diretamente aos sacerdotes, Francisco elevou uma prece a Maria, “Nossa Senhora da Proximidade” pedindo que mantenha os sacerdotes unidos no tom, “para que, na diversidade das opiniões, se torne presente a sua proximidade materna, aquela que com o seu «sim» nos aproximou de Jesus para sempre”.

FONTE
Vatican News

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