Exibindo artigos em "Notícias"

A mensagem do Papa à Cúria Romana

dez 21, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Papa em audiência à Cúria Romana

Colaboração generosa e apaixonada: o Papa Francisco pediu um presente de Natal aos membros da Cúria Romana, ao recebê-los em audiência esta segunda-feira para as tradicionais felicitações natalinas. O discurso do Pontífice foi dedicado a analisar a crise provocada pela pandemia e suas repercussões na sociedade, mas, sobretudo, na Igreja. Francisco recordou o memorável 27 de março passado, quando a Praça estava aparentemente vazia, mas, na realidade, “estava cheia graças à pertença fraterna que nos acomuna nos vários cantos da terra”. Esta mesma fraternidade o levou a escrever a encíclica “Fratelli tutti”, para que este princípio se torne um anseio mundial.

A crise que estamos vivendo é um tempo de graça, afirma o Papa citando alguns episódios narrados na Bíblia: desde crise de Abraão até a “mais eloquente”, que é a de Jesus, e a “crise extrema na cruz”, que abre o caminho da ressurreição.

Ler a crise à luz do Evangelho
Francisco reconhece as muitas pessoas na Cúria que dão testemunho com o seu trabalho humilde, discreto, silencioso, leal, profissional, honesto. Mas há também problemas, com a única diferença de que os estes “vão parar imediatamente aos jornais, enquanto os sinais de esperança fazem notícia só depois de muito tempo e… nem sempre”. Esta reflexão sobre a crise, prossegue, alerta para não julgarmos precipitadamente a Igreja com base nos escândalos de ontem e de hoje. Quem não olha a crise à luz do Evangelho, afirma o Papa, limita-se a fazer a autópsia de um cadáver.

“Estamos assustados com a crise não só porque nos esquecemos de a avaliar como o Evangelho nos convida a fazê-lo, mas também porque olvidamos que o Evangelho é o primeiro a colocar-nos em crise.”

É preciso reencontrar a coragem e a humildade de dizer em voz alta que o tempo da crise é um tempo do Espírito. E junto do Menino deitado numa manjedoura, bem como na presença do homem crucificado, “só encontramos o lugar certo se nos apresentarmos desarmados, humildes, essenciais”.

A crise é positiva, o conflito corrói
Francisco faz também uma distinção entre crise e conflito. “A crise geralmente tem um desfecho positivo, enquanto o conflito cria sempre um contraste, uma competição, um antagonismo aparentemente sem solução, entre sujeitos que se dividem em amigos a amar e inimigos a combater, com a consequente vitória de uma das partes.” A lógica do conflito sempre busca os “culpados” a estigmatizar e desprezar e os “justos” a justificar. Isso favorece o crescimento ou a afirmação de certas atitudes elitistas e de “grupos fechados” que promovem lógicas restritivas e parciais.

“Lida com as categorias de conflito – direita e esquerda, progressista e tradicionalista –, a Igreja divide-se, polariza-se, perverte-se e atraiçoa a sua verdadeira natureza: é um Corpo perenemente em crise.”

Um Corpo em conflito produz vencedores e vencidos, temor, rigidez, falta de sinodalidade. Já a novidade introduzida pela crise desejada pelo Espírito nunca é uma novidade em contraposição ao antigo, mas uma novidade que germina do antigo e o torna sempre fecundo. Jesus exemplifica este conceito com uma frase de Jesus: “Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto”. “Só morrendo para uma certa mentalidade é que conseguiremos também abrir espaço à novidade que o Espírito suscita constantemente no coração da Igreja.”

Crise exige atualização
Francisco recorda que a “Igreja é sempre um vaso de barro, precioso pelo que contém e não pelo que às vezes mostra de si mesma. Temos de esforçar-nos por que a nossa fragilidade não se torne obstáculo ao anúncio do Evangelho, mas lugar onde se manifeste o grande amor de Deus.” A Tradição custodia a verdade e a graça, mas a Igreja tem que lidar com os vários aspectos da verdade que pouco a pouco vamos compreendendo. “Nenhuma modalidade histórica de viver o Evangelho esgota a sua compreensão. Se nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo, iremos dia após dia aproximando-nos cada vez mais da ‘Verdade completa’.”

Deixar o conflito de lado, abraçar a crise e colocar-se a caminho
Como comportar-nos na crise? Questiona-se por fim o Papa. Antes de mais nada, aceitá-la como um tempo de graça que nos foi dado para compreender a vontade de Deus sobre cada um de nós e a Igreja inteira. É preciso entrar na lógica, aparentemente contraditória, de que, “quando sou fraco, então é que sou forte”. Ponto fundamental é não interromper o diálogo com Deus, nunca se cansar de rezar. “Não conhecemos outra solução para os problemas que estamos a viver, senão a de rezar mais e, ao mesmo tempo, fazer tudo o que nos for possível com mais confiança.”

Eis então a exortação final do Papa: “Amados irmãos e irmãs, conservemos uma grande paz e serenidade, plenamente conscientes de que todos nós, a começar por mim, somos apenas «servos inúteis», com quem usou de misericórdia o Senhor.”

A crise é movimento, faz parte do caminho. Ao contrário, o conflito é permanecer no labirinto, perdidos em murmurações e maledicências. Francisco pede que cada um de nós, independentemente do lugar que ocupa na Igreja, interrogue-se se quer seguir Jesus na crise ou defender-se Dele no conflito. O Papa conclui pedindo um presente de Natal: a colaboração generosa e apaixonada da Cúria no anúncio da Boa Nova, sobretudo aos pobres. E citou Dom Hélder Câmara e sua famosa frase: “Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por que eles são pobres, chamam-me de comunista”.

FONTE
Vatican News

O presente do Papa aos empobrecidos

dez 19, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Cardeal Krajewski em Siena

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé comunicou aos jornalistas na última quinta-feira que “a Esmolaria Apostólica, como sinal de proximidade e solidariedade do Santo Padre neste momento de provação e dificuldade, doou, na semana passada a Nápoles, quarta-feira a Bolonha e quinta-feira a Siena, medicamentos contra o resfriado e gripe, máscaras e produtos de higiene pessoal”. Uma carícia para os últimos que, no dia do aniversário do Pontífice, se unem ao presente enviado por Francisco também às crianças da Venezuela, ventiladores pulmonares para doenças respiratórias.

O presente de Francisco aos pobres de Nápoles
O gesto que, em nome do Papa, o cardeal Konrad Krajewski fez ao entregar pessoalmente à Igreja de Nápoles as confecções de medicamentos destinados aos pobres foi muito apreciado. Foi o que confirmou à Rádio Vaticano – Vatican News, padre Enzo Cozzolino, diretor da Cáritas napolitana:

R. - Sim, o Papa quis celebrar, talvez antes do tempo, o seu aniversário e o Natal de uma forma única. Em vez de receber presentes, deu-nos estes medicamentos, que ajudam o sistema imunitário, para todas os refeitórios, porque conseguimos distribuí-los a todos os refeitórios, mais de 20, e este foi um belo presente que foi feito à Igreja napolitana. E este presente do Papa foi muito apreciado porque – como disse o cardeal Konrad que o trouxe pessoalmente até nós – foi uma carícia para a alma. E pensamos que a presença dos consagrados, dos voluntários, é um pouco como um antibiótico para a alma e o Papa também pensou no corpo, dando-nos estas confecções, ele que é a síntese, precisamente, da alma e do corpo como a presença de Deus.

O senhor é o responsável da Cáritas de Nápoles. Qual é a situação atual, o número de pessoas pobres na cidade aumentou?

R. - Certamente cresceu, vimos que o relatório da Cáritas italiana fala muito claramente de números duplicados, triplicados, quase quadruplicados, infelizmente, de pobreza. Também eu posso dizer que infelizmente há uma crescente pobreza onde novas pobrezas são acrescentadas às antigas e, de fato, também as refeições e leitos tornam-se cada vez mais necessários, e por vezes, algo singular acontece: que algum irmão que está em necessidade, também se torne voluntário, por isso a linha é muito sutil, muito fina. Oremos para que verdadeiramente todos os homens de boa vontade, crentes e não crentes, juntos, possam trazer, como disse o cardeal, uma carícia à alma de todos. E estou convencido de que sairemos desta situação, porque a esperança na fé é certeza. Por isso queremos, e pedimos com o coração ao querido Menino Jesus, esta libertação do vírus.

FONTE
Vatican News

ALEGRAI! > Prepare-se para o Natal a partir dos artigos de Dom Tomé

dez 12, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

“Estai sempre alegres” (1 Ts 5,16).

A alegria é um estado da alma, de contentamento, júbilo, satisfação e plenitude. Ela não é unívoca, mas plural, consequência de muitos e diferenciados fatores. Há alegria e alegrias: pode ser fruto de um empreendimento bem-sucedido na vida pessoal ou de outrem, resultante do uso de drogas, lícitas e ilícitas, de uma vitória esportiva, reação à arte e ao humor ou sequência  natural a episódios exitosos na vida.

A alegria é uma virtude humana e, como tal, pressupõe a ação repetida da pessoa, exige determinação da vontade e constância, está vinculada à experiência da felicidade ou da realização pessoal. Ninguém é alegre por acaso, mas torna-se alegre, ao longo do tempo. Como característica antropológica, todos são chamados a serem alegres, sem exceção. Não ser alegre é, de algum modo, uma “mutilação” da humanidade.

A esperança realizada provoca a alegria, pois o desejo atingido é um bem para si ou para os outros. Foi Deus que, ao criar a pessoa humana, deu-lhe a capacidade de alegrar-se. Ela é um sentimento fundamental humano, ao lado do amor, ódio, esperança, dor e temor. Por isso mesmo, a alegria é objeto da filosofia, de outras ciências humanas e da teologia, com raízes na Sagrada Escritura. Alegrar-se é, de algum modo, participar da vida divina e, por isso, uma meta a ser buscada e usufruída desde já.

A alegria é uma virtude cristã, do fiel que encontra em Deus a fonte e o cume da sua existência. É uma característica do homem espiritual, segundo São Paulo, daquele que renasceu em Deus pela força do Espírito Santo (cf Gl 5, 22-26). A fé em Nosso Senhor Jesus Cristo é causa de alegria (cf GS 45) e leva a uma alegria plena, de natureza ético-espiritual, que nada e ninguém poderá retirar daquele que crê (Jo 16,22).  Não é possível conciliar vida cristã sem a alegria: “Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito, alegrai-vos!”( Fl 4, 4).

A alegria espiritual cristã pode implicar a renúncia a outros bens criados e situações, pode nascer da negação de todas as coisas e de si mesmo por Deu e pelo evangelho. O fiel é chamado a purificar seu coração de qualquer outra alegria que possa ser um empecilho para a alegria que não passa.  Alegria e renúncia evangélica são conciliáveis e complementares (cf Mt 5,11-12; Jo 16, 20-22). Até mesmo a renúncia à própria vida, o martírio, por causa da fé, é motivo de alegria plena para o católico, desejoso da vida glorificada com Cristo no céu.

Neste tempo do advento, são inspiradoras as palavras do Profeta Isaías: “Exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa ou uma noiva com suas joias”(Is 61, 10). Iluminados por Nosso Senhor Jesus Cristo, luz dos povos, somos convocados a irradiar a alegria da fé, mesmo nos encontrando em meio a aflições e sofrimentos em pleno tempo de pandemia. Ser agente provocador da alegria é uma missão: “Dizei aos tímidos: coragem, não temais; eis que chega o nosso Deus, ele mesmo vai salvar-nos” (Is 35,4).

Com e como Nossa Senhora, podemos rezar: “A minha alma engrandece ao Senhor, e se alegrou o meu espírito em Deus, meu salvador …”( Lc 1, 47).

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

PAPA CONVOCA O ANO DE SÃO JOSÉ

dez 8, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Ano de São José começa neste 8 de dezembro de 2020 e se encerrará em 8 de dezembro de 2021

Pai amado, pai na ternura, na obediência e no acolhimento; pai com coragem criativa, trabalhador, sempre na sombra: com estas palavras, o Papa Francisco descreve São José. E o faz na Carta apostólica “Patris corde – Com coração de Pai”, publicada hoje por ocasião dos 150 anos da declaração do Esposo de Maria como Padroeiro da Igreja Católica. Com o decreto Quemadmodum Deus, assinado em 8 de dezembro de 1870, o Beato Pio IX quis dar este título a São José. Para celebrar esta data, o Pontífice convocou um “Ano” especial dedicado ao Pai putativo de Jesus a partir de hoje até 8 de dezembro de 2021.

Protagonismo sem paralelo
A Carta apostólica traz os sinais da pandemia da Covid-19, que – escreve Francisco – nos fez compreender a importância das pessoas comuns, aquelas que, distantes dos holofotes, exercitam todos os dias paciência e infundem esperança, semeando corresponsabilidade. Justamente como São José, “o homem que passa desapercebido, o homem da presença cotidiana discreta e escondida”.

E mesmo assim, o seu é “um protagonismo sem paralelo na história da salvação”. Com efeito, São José expressou concretamente a sua paternidade ao ter convertido a sua vocação humana “na oblação sobre-humana de si mesmo ao serviço do Messias”. E por isto ele “foi sempre muito amado pelo povo cristão” (1).

Nele, “Jesus viu a ternura de Deus”, que “nos faz aceitar a nossa fraqueza”, através da qual se realiza a maior parte dos desígnios divinos. Deus, de fato, “não nos condena, mas nos acolhe, nos abraça, nos ampara e nos perdoa” (2). José é pai também na obediência a Deus: com o seu ‘fiat’, salva Maria e Jesus e ensina a seu Filho a “fazer a vontade do Pai”, cooperando “ao grande mistério da Redenção” (3).

Exemplo para os homens de hoje
Ao mesmo tempo, José é “pai no acolhimento”, porque “acolhe Maria sem colocar condições prévias”, um gesto importante ainda hoje – afirma Francisco – “neste mundo onde é patente a violência psicológica, verbal e física contra a mulher”. Mas o Esposo de Maria é também aquele que, confiante no Senhor, acolhe na sua vida os acontecimentos que não compreende com um protagonismo “corajoso e forte”, que deriva “da fortaleza que nos vem do Espírito Santo”.

Através de São José, é como se Deus nos repetisse: “Não tenhais medo!”, porque “a fé dá significado a todos os acontecimentos, sejam eles felizes ou tristes”. O acolhimento praticado pelo pai de Jesus “convida-nos a receber os outros, sem exclusões, tal como são”, com “uma predileção especial pelos mais frágeis” (4). “Patris corde” evidencia, ainda, “a coragem criativa” de São José, “o qual sabe transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência”. Ele enfrenta os “problemas concretos” da sua Família, exatamente como fazem as outras famílias do mundo, em especial aquelas migrantes. Protetor de Jesus e de Maria, José “não pode deixar de ser o Guardião da Igreja”, da sua maternidade e do Corpo de Cristo: todo necessitado é “o Menino” que José continua a guardar e de quem se pode aprender a “amar a Igreja e os pobres i” (5).

A dignidade do trabalho
Honesto carpinteiro, o Esposo de Maria nos ensina também “o valor, a dignidade e a alegria” de “comer o pão fruto do próprio trabalho”. Esta acepção do pai de Jesus oferece ao Papa a ocasião para lançar um apelo a favor do trabalho, que se tornou uma  “urgente questão social” até mesmo nos países com certo nível de bem-estar. “É necessário tomar renovada consciência do significado do trabalho que dignifica”, escreve Francisco, que “torna-se participação na própria obra da salvação” e “oportunidade de realização” para si mesmos e para a própria família, “núcleo originário da sociedade”. Eis então a exortação que o Pontífice faz a todos para “redescobrir o valor, a importância e a necessidade do trabalho”, para “dar origem a uma nova «normalidade», em que ninguém seja excluído”. Em especial, diante do agravar-se do desemprego por causa da pandemia da Covid-19, o Papa pede a todos que se empenhem para que se possa dizer: ”Nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho!” (6).

“Não se nasce pai, torna-se tal”
“Não se nasce pai, torna-se tal”, afirma ainda Francisco, porque “se cuida responsavelmente” de um filho assumindo a responsabilidade pela sua vida. Infelizmente, na sociedade atual, “muitas vezes os filhos parecem ser órfãos de pai” que sejam capazes de “introduzir o filho na experiência da vida”, sem  prendê-lo “nem subjugá-lo”, mas tornando-o “capaz de opções, de liberdade, de partir”.

Neste sentido, José recebeu o apelativo de “castíssimo”, que é “o contrário da posse”: ele, com efeito, “soube amar de maneira extraordinariamente livre”, “soube descentralizar-se” para colocar no centro da sua vida Jesus e Maria. A sua felicidade está no “dom de si mesmo”: nunca frustrado e sempre confiante, José permanece em silêncio, sem lamentações, mas realizando “gestos concretos de confiança”. A sua figura, portanto, é exemplar, evidencia o Papa, num mundo que “precisa de pais e rejeita os dominadores”, rejeita quem confunde “autoridade com autoritarismo, serviço com servilismo, confronto com opressão, caridade com assistencialismo, força com destruição”.

Na décima nota, “Patris corde” revela também um hábito da vida de Francisco: todos os dias, o Pontífice reza uma oração ao Esposo de Maria “tirada dum livro francês de devoções, do século XIX, da Congregação das Religiosas de Jesus e Maria”. Trata-se de uma oração que “expressa devoção e confiança” a São José, mas também “certo desafio”, explica o Papa, porque se conclui com estas palavras: “Que não se diga que eu Vos invoquei em vão, e dado que tudo podeis junto de Jesus e Maria, mostrai-me que a vossa bondade é tão grande como o vosso poder”. A Carta apostólica “Patris corde” é acompanhada da publicação do Decreto da Penitenciaria Apostólica, que anuncia o “Ano de São José” especial convocado pelo Papa e a relativa concessão do “dom de Indulgências especiais”.

FONTE
Vatican News

IMACULADA CONCEIÇÃO > Papa deixa o Vaticano de surpresa para rezar no centro de Roma

dez 8, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Papa Francisco reza na Praça de Espanha

Na Solenidade da Imaculada Conceição, o Papa Francisco não deixou de fazer seu ato de devoção diante da imagem da Virgem Maria, na Praça de Espanha, centro de Roma. Para evitar aglomerações, o evento, que normalmente se realiza à tarde, havia sido cancelado. Mas o Pontífice, às 7h da manhã, sob chuva, depositou um maço de rosas brancas na base da coluna onde se encontra a imagem de Nossa Senhora.

Sozinho, em oração, pediu à Mãe de Jesus que guarde Roma e seus habitantes, confiando a Ela todos os que na cidade e no mundo sofrem com a doença e o desencorajamento. Segundo uma nota da Sala de Imprensa da Santa Sé, pouco antes das 7h15, o Papa deixou a Praça de Espanha e foi até à Basílica de Santa Maria Maior, onde rezou diante do ícone de Maria Salus Popoli Romani e celebrou a missa na capela do presépio. Logo depois, regressou ao Vaticano.

FONTE
Vatican News

Dom Tomé apresenta um novo artigo: CONVERTEI!

dez 4, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

“Toda carne há de ver a salvação de Deus”(Lc 3,6).

O tempo é um mistério: nós o vivemos, mas não conseguimos compreendê-lo, como dizia Santo Agostinho, “Se ninguém me pergunta, eu o sei; mas se me perguntam, e quero explicar, não sei mais nada”; às vezes parece breve, outras, se apresenta longo; quando nos damos conta, parece fugir, escapar por entre nossas mãos, “um dia é como mil anos e mil anos como um dia” (2Pd 3,8). Contamos nossos anos e nos alegramos por vivê-los, como graça de Deus. O tempo que nos é dado é o tempo da nossa salvação.

Embora não gostemos de pensar no “fim do mundo”, São Pedro nos mostra que aguardamos o “dia do Senhor”, da sua manifestação gloriosa, afirmando: “O dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os céus acabarão com barulho espantoso; os elementos, devorados pelas chamas, se dissolverão, e a terra será consumida com tudo o que nela se fez”(2 Pe 3, 10). A destruição paulatina do meio ambiente e as mudanças climáticas vão nos mostrando o poder destruidor da pessoa humana, que pode levar a terra à exaustão e ou destruição.

Enquanto esperamos novos céus e nova terra, o tempo que nos é dado, até o falecimento, ou até a parusia, é ocasião para a conversão, isto é, de desprezo ao pecado, pois Deus não deseja a nossa perdição: “Ele está usando de paciência para conosco, pois não deseja que alguém se perca. Ao contrário, quer que todos venham a converter-se (…) esforçai-vos para que ele vos encontre numa vida pura e sem mancha e em paz” (2Pd 3, 9.14).

Na expectativa alegre da parusia, Deus não nos abandona: “Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne, com a força dos braços, os cordeiros e carrega-os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas-mães”( Is 40, 11). Cuidados por Deus, a palavra do profeta Isaías nos convoca a trabalhar pela conversão, nossa e dos outros, pois “nosso Deus vem com poder, seu braço tudo domina; eis, com ele, sua conquista, eis à sua frente a vitória” (Is 40, 10).

Devemos desentortar a nossa vida, mudar nossos caminhos, conformando-nos à vontade de Deus: “Cada um de nós estava torcido, digo estava, supondo que não permaneça no erro, e, pela vinda de Cristo, a nossa alma ficou endireitada de tudo o que era torcido. Porque de que te adiantaria que Cristo tenha vindo na carne, se não vier também à tua alma?” (Orígenes).

A voz do profeta Isaías e de São João Batista, “Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas” (Mc 1, 3), é um inclemente apelo para reconhecer nossos pecados, buscar o arrependimento e o perdão, o que encontramos no sacramento da confissão e na prática da caridade. Se assim procedermos, estaremos vivendo bem o advento e nos preparando adequadamente para celebrar o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Preparar os caminhos do Senhor “ não se refere às desigualdades do caminho, mas à pureza da fé. Porque o Senhor não deseja abrir um caminho nas veredas da terra, mas no segredo do coração” (São Máximo de Turim).

A humildade de São João Batista, “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”(Mc 1, 7-8), assinala o reconhecimento de nossa miséria e a necessidade de nos mantermos em “nosso quadrado”, mas abertos à graça redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo, disponíveis a viver profetizando: “Para sermos testemunhas e evangelizadores de Jesus, não se requer necessariamente uma grande teologia e sabermos usar com perfeição a linguagem cristológica; não é necessária uma capacidade de produzir raciocínios complicados (…). Requer-se, no entanto, coragem, convicção, experiência de Cristo e coerência”(Raniero Cantalamessa).

Na segunda semana do advento, a Palavra de Deus, viva e eficaz, nos convoca à conversão. Somente se abre à graça da conversão, aquele que tem consciência e se arrepende de seus pecados. Este é para nós o tempo da graça, amanhã pode ser tarde demais. Diante dos outros, no mundo e na história, sejamos audaciosos como o profeta Isaías e São João Batista.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

VIGIAI > Artigo de dom Tomé Ferreira da Silva

dez 1, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

O verbo vigiar exprime a exigência de observar atentamente, espreitar com acuidade, estar ligado, antenado, concentrado, focado. Ontem e hoje, no mundo bíblico e no nosso, vigiar é uma tarefa empenhativa, exige predisposição física, psicológica e intelectual. Em nome da vigilância, nas suas mais diversas formas, o mundo contemporâneo desenvolve uma ampla gama de tecnologia, uma verdadeira indústria, que movimenta anualmente “bilhões de dólares”.

O profeta Isaías fala da precariedade da vida humana usando estas palavras: “Todos nós nos tornamos imundície , e todas as nossas boas obras são como um pano sujo; murchamos todos como folhas, e nossas maldades empurram-nos como o vento”(Is 64,5). Ao mesmo tempo, o profeta abre uma perspectiva de esperança: “Assim mesmo, Senhor, tu és nosso pai, nós somos barro; tu, nosso oleiro, e nós todos, obra de tuas mãos”(Is 64, 7).

No entanto, mesmo sendo precários, fomos salvos em Nosso Senhor Jesus Cristo, aguardamos a sua manifestação plena: “Assim, não tendes falta de nenhum dom, vós que aguardais a revelação do Senhor nosso, Jesus Cristo” (1Cor 1, 7). Embora aqui e agora, olhamos para o alto e o futuro, a manifestação gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, no fim dos tempos: sabemos com certeza que Ele virá, mas não sabemos quando e nem como. E seremos semelhantes a ele, pois a sua será também a nossa ressurreição.

A exortação à vigilância é feita por Nosso Senhor Jesus Cristo: “Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento. (…) Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. O que vos digo, digo a todos: vigiai”(Mc 13, 33.36-37). Diante da manifestação gloriosa dele, no fim dos tempos, vigiar é uma necessidade. Vigiamos através da oração, que nasce da leitura orante da Sagrada Escritura, da frequência aos sacramentos, sobretudo a confissão e a eucaristia, experimentando a dimensão comunitária da fé e aplicando-nos no exercício contínuo da caridade.

A vivência da vigilância também nos prepara para o ato de falecer, pois também não sabemos quando e como partiremos do mundo e da história. Neste tempo pandêmico, diante da possibilidade real de um óbito iminente, em grande escala, somos confrontados com a finitude. As imagens e as narrativas dos sepultamentos invadiram o nosso cotidiano sem pedir licença, mesmo assim, nem todos foram tomados pelo justo temor, e continuam a viver sem as precauções necessárias, colocando em risco a vida de muitas pessoas.

Diante da beleza e bondade do mundo e da história, dos prazeres mundanos e históricos, apesar de tantas realidades de morte, uma grande parte da humanidade vive como se estivesse inebriada. A insensibilidade diante da morte manifesta-se também na indiferença diante da manifestação gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, fruto do desconhecimento, ateísmo e secularismo que assola as sociedades. Este fenômeno explica porque não conseguimos experimentar a realidade da primeira parte do tempo do advento, que quer elevar nossa vida, olhar e coração, ao mistério da parusia de Nosso Senhor Jesus Cristo. A redução do tempo do advento a uma compreensão hedonista e consumista do Natal, não acessível a todos, tem explicação não só sociológica, mas também antropológica, que solapa a teologia, a pastoral e a liturgia. Mais do que nunca, a exortação de Nosso Senhor Jesus Cristo é necessária, ao menos para nós, uma pequena minoria: VIGIAI!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

COLETA DO BEM > Artigo de Dom Tomé Ferreira da Silva

nov 21, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Caros fiéis da Diocese de São José do Rio Preto,

“DEUS AMA QUEM DÁ COM ALEGRIA” (2Cor 9,7)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, em plena pandemia, provocada pela covid-19, nos convoca a cuidar da evangelização, participando da “Coleta do Bem” nos dias 21 e 22 de novembro, respondendo às necessidades econômicas da Igreja no Brasil. Como batizados e fiéis, somos corresponsáveis pela vida e ação da Igreja Católica, de modo singular neste tempo de crise humanitária, social, política, econômica e religiosa, que atinge boa parte da população brasileira. Para levar adiante a missão que lhe foi confiada por Nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja Católica precisa de sua doação.

Que cada um dê conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento, pois ‘Deus ama quem dá com alegria’. Deus é poderoso para vos cumular de toda sorte de graças, para que, em tudo, tenhais sempre o necessário e ainda tenhais de sobra para empregar em alguma boa obra (…)” (2 Cor 9, 6-8).

Transcrevo as orientações que recebemos da CNBB:
“A Coleta do Bem integra em uma só oferta à Igreja no Brasil, a Coleta da Solidariedade (Campanha da Fraternidade), que seria realizada no Domingo de Ramos, durante a Quaresma, e a Coleta da Campanha para a Evangelização, sempre realizada no terceiro domingo do Advento. Do total arrecadado, 50% serão destinados aos projetos solidários da Igreja e 50% às ações de evangelização, incluindo a manutenção dos regionais e da própria CNBB.”

“Os cristãos católicos poderão doar de duas maneiras para a Coleta do Bem. Em suas comunidades e paróquias nas celebrações do fim de semana que a Igreja celebra a solenidade de Cristo Rei, dias 21 e 22 de novembro. E poderão também fazer a sua oferta por meio da doação em um site https://doe.cnbb.org.br, especialmente criado para a campanha.”

“Caso achem mais simples, os fiéis também poderão fazer a sua oferta por meio de depósito bancário: Banco Bradesco – Agência nº 0484-7 – Conta Corrente nº 4188-2, favorecido Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNPJ 33.685.686/0001-50.”

Caminhando juntos, vamos mais longe, construindo a unidade na solidariedade, respondendo ao apelo dos Bispos que coordenam e presidem as atividades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Façamos a nossa parte, de modo consciente e responsável. “Há mais felicidade em dar do que em receber” (At 20,35).

Com minha saudação, amplexo e todo bem!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP

DIA MUNDIAL DO POBRE > “Enxergar Jesus no rosto do irmão empobrecido”

nov 16, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Francisco na missa especial dedicada aos pobres

O Dia Mundial dos Pobres deste ano foi vivido em contextos desafiadores sobretudo porque a pandemia, segundo dados do Banco Mundial, já fez mais de 100 milhões de novos pobres. No Vaticano, no último domingo, 15 de novembro, Dia da Proclamação a República no Brasil, o tradicional almoço comunitário com o Papa foi cancelado, mas Francisco presidiu uma missa especial pela data na Basílica de São Pedro, respeitando as medidas sanitárias para prevenir a Covid-19. Cem pessoas carentes participaram da celebração ao representar os pobres do mundo inteiro.

A parábola dos talentos
Na homilia, ao comentar a parábola dos talentos (Mt 25, 14-30) do Evangelho do dia, o Pontífice refletiu sobre o início, o centro e o fim da vida. O início, quando o patrão confiou os talentos, ou seja, as riquezas monetárias aos servos, também Deus o fez conosco: “Somos portadores de uma grande riqueza que não depende da quantidade de coisas que temos, mas daquilo que somos: a vida recebida, o bem que há em nós, a beleza intangível com que Deus nos dotou. Feitos à imagem d’Ele, cada um de nós é precioso a seus olhos, é único e insubstituível na história!”

O Papa destacou a importância de sempre lembrar dessa graça recebida, ao invés de olhar para a nossa vida e ceder à tentação que, o próprio Pontífice define como “quem dera…”: quem dera se eu tivesse aquele emprego, aquela casa, dinheiro e sucesso, se não tivesse tal problema, quem dera que eu tivesse pessoas melhores ao meu redor. Essa é a “ilusão do ‘quem dera’”, enalteceu Francisco, que nos impede “de ver o bem e nos faz esquecer os talentos que possuímos”.

A fidelidade a Deus é servir aos pobres
O Pontífice então abordou o centro da parábola: a atividade dos servos, isto é, o serviço, que representa a nossa atividade, que faz frutificar os talentos e dá sentido à vida. Um estilo de serviço identificado pelos servos bons que, no Evangelho, “são aqueles que arriscam”, disse Francisco. Por exemplo, se não se investir e não se fazer o bem, ele acaba se perdendo: “Quantas pessoas passam a vida só a acumular, pensando mais em estar bem do que em fazer bem! Como é vazia, porém, uma vida que se preocupa das próprias necessidades, sem olhar para quem tem necessidade! Se temos dons, é para ser dons.”

Segundo o Evangelho, recordou o Papa, “não há fidelidade sem risco”: “é triste quando um cristão se coloca à defesa, prendendo-se apenas à observância das regras e ao respeito dos mandamentos. Isso não basta!”, disse Francisco, pois são cristãos que sempre têm medo do risco, são “mumificados”. O servo preguiçoso da parábola, por exemplo, escondido atrás de um medo inútil, foi classificado de mau:

“E, contudo, não fez nada de mal… É verdade! Mas, de bom, também não fez nada. Preferiu pecar por omissão do que correr o risco de errar. Não foi fiel a Deus, que gosta de Se dar; e fez-Lhe a ofensa pior: devolver-Lhe o dom recebido. Ao contrário, o Senhor convida a envolver-nos generosamente e a vencer o temor com a coragem do amor, a superar a passividade que se torna cumplicidade. Nestes tempos de incerteza e fragilidade que correm, não desperdicemos a vida pensando só em nós mesmos, com aquela postura da indiferença.”

A fidelidade a Deus é servir aos pobres, que estão ao centro do Evangelho, que nos enriquecem no amor, salientou o Papa, sobretudo se pensamos a quem devemos servir durante o Natal: “A maior pobreza que devemos combater é a nossa pobreza de amor. O livro dos Provérbios elogia uma mulher diligente e caritativa, cujo valor é superior ao das pérolas: devemos imitar esta mulher que, como diz o texto, ‘abre a mão ao indigente’ (Prv 31, 20). Em vez de exigir o que te falta, estende a mão a quem passa necessidade: assim multiplicarás os talentos que recebeste.”

A graça de ver Jesus nos pobres
Ao final da parábola ou no fim da vida e “do espetáculo”, como disse o Papa citando São João Crisóstomo, será retirada “a máscara da riqueza e da pobreza”, será desvendada a realidade do poder e do dinheiro ou das obras do amor e da doação. “Se não queremos viver pobremente, peçamos a graça de ver Jesus nos pobres, servi-Lo nos pobres”, comentou Francisco, que finalizou a homilia trazendo o exemplo de servos fiéis de Deus que não se falam, como no Padre Roberto Malgesini, assassinado em 15 de setembro deste ano por um dos pobres que servia:

“Este padre não fazia teorias; simplesmente, via Jesus no pobre; e o sentido da vida, em servir. Enxugava lágrimas com mansidão, em nome de Deus que consola. O início do seu dia era a oração, para acolher o dom de Deus; o centro do dia, a caridade para fazer frutificar o amor recebido; o final, um claro testemunho do Evangelho. Esse homem compreendera que devia estender a sua mão aos inúmeros pobres que encontrava diariamente, porque em cada um deles via Jesus. Irmãos e irmãs, peçamos a graça de ser cristãos não em palavras, mas em obras… para dar fruto, como Jesus deseja.”

FONTE
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
Com informações do Vatican News

ELEIÇÕES 2020 > Mensagem da Conferência dos Bispos do Brasil

nov 12, 2020   //   por admin   //   Notícias  //  Nenhum comentário

Mensagem CNBB Eleições Municipais 2020

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), após reunião virtual de seu Conselho Permanente, realizada na quarta-feira, 28 de outubro, divulgou uma mensagem sobre as Eleições municipais deste ano. No documento, a entidade expressou, à luz da Doutrina Social da Igreja Católica e do magistério do Papa Francisco, a compreensão sobre a política como um conjunto de ações pelas quais se busca uma forma de convivência entre indivíduos, grupos e nações que ofereçam condições para a realização do bem comum.

O Conselho Permanente da CNBB é o órgão de orientação e acompanhamento da atuação da Conferência e dos organismos a ela vinculados, bem como órgão eletivo e deliberativo, nos limites do Estatuto da entidade. É constituído pela presidência da CNBB, pelos presidentes das Comissões Episcopais Pastorais (CONSEP) e os membros eleitos dos Conselhos Episcopais Regionais (CONSER), os 18 regionais da entidade.

A CNBB entende que os cristãos, leigos e leigas, não podem “abdicar da participação na política” (Christifideles Laici, 42). “Esse protagonismo é próprio do laicato. Cabe a ele, de maneira singular, a exigência do Evangelho de construir no mundo o bem comum na perspectiva do Reino de Deus. O clero, guiado pela Doutrina Social da Igreja e atendo-se às normas da igreja quanto à sua participação na vida político-partidária, assume o que lhe é específico nas suas responsabilidades políticas quando cuida da formação, incentiva e acompanha o laicato”, diz um trecho.

Papel e perfil de prefeitos e vereadores

Em um trecho do documento, a Conferência aponta o dever dos prefeitos e vereadores eleitos: “contribuir com ações  eficazes, nos campos da saúde, educação, segurança, transporte, assistência social, moradia, direito à alimentação e proteção da família, entre outros. Darão bons frutos os  políticos que priorizarem o bem comum e a vida plena, desde a concepção até a morte natural, de todos dos cidadãos, sem quaisquer discriminações, nunca buscando seus próprios interesses pessoais e corporativos”.

A CNBB chama a atenção dos cristãos católicos a estarem atentos quanto ao histórico e ao perfil dos candidatos, alertando que “não pode produzir bons resultados o político que atenta contra a vida, trabalhando por políticas públicas que favoreçam o aborto, fazendo campanha eleitoral com discursos de ódio, defendendo o uso da violência, o recurso às armas e se atrelando ao tráfico de drogas e às milícias. Quem não se compromete com os excluídos e se mostra indiferente diante da morte de pessoas e das graves feridas do meio ambiente não merece o voto de quem deseja uma sociedade justa e democrática”. Confira, abaixo, a íntegra da mensagem.

MENSAGEM POR OCASIÃO DAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2020

1. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio do Conselho Permanente, reunido na modalidade virtual, dirige ao povo brasileiro, uma mensagem de esperança, coragem e chamamento à participação responsável no processo eleitoral de 2020. Os cristãos são convidados a testemunharem a razão de sua esperança (cf. 1Pd 3,15) nesse tempo de profunda crise social, econômica, política e ética que atravessa o Brasil.

2. As eleições que se aproximam serão realizadas em meio a uma grave crise sanitária, com números estarrecedores de mortes e adoecimentos. Portanto, a primeira palavra dos bispos do Brasil é dirigida aos que sofrem as consequências da COVID-19 e às famílias que perderam seus entes queridos. É tempo de erguer aos céus o nosso olhar esperançoso. (Cf. Is 1,11-18).

3. A política, do ponto de vista ético, é o conjunto de ações pelas quais se busca uma forma de convivência entre indivíduos, grupos e nações que ofereçam condições para a realização do bem comum. Do ponto de vista da organização, a política é o exercício do poder e o esforço por conquistá-lo, a fim de que seja exercido na perspectiva do serviço. (Cf. CNBB, Doc. 40, 184). Por isso, os cristãos, leigos e leigas, não podem “abdicar da participação na política” (Christifideles Laici, 42). Esse protagonismo é próprio do laicato. Cabe a ele, de maneira singular, a exigência do Evangelho de construir no mundo o bem comum na perspectiva do Reino de Deus. O clero, guiado pela Doutrina Social da Igreja e atendo-se às normas da igreja quanto à sua participação na vida político-partidária, assume o que lhe é específico nas suas responsabilidades políticas quando cuida da formação, incentiva e acompanha o laicato.

4. Para os católicos que disputam as eleições, é importante recordar que “a política não é mera busca de eficácia, estratégia e ação organizada. A política é vocação de serviço” (Papa Francisco, Discurso a jovens líderes da América Latina, 4 de março de 2019). A Igreja louva e aprecia o trabalho de quantos se dedicam ao bem da nação e tomam sobre si o peso de tal cargo, em serviço de todas as pessoas (cf. Gaudium et Spes, 75).

5. Os prefeitos e vereadores que serão eleitos têm o dever de contribuir com ações eficazes, nos campos da saúde, educação, segurança, transporte, assistência social, moradia, direito à alimentação e proteção da família, entre outros. Darão bons frutos os políticos que priorizarem o bem comum e a vida plena, desde a concepção até a morte natural, de todos dos cidadãos, sem quaisquer discriminações, nunca buscando seus próprios interesses pessoais e corporativos.

6. Não pode produzir bons resultados o político que atenta contra a vida, trabalhando por políticas públicas que favoreçam o aborto, fazendo campanha eleitoral com discursos de ódio, defendendo o uso da violência, o recurso às armas e se atrelando ao tráfico de drogas e às milícias. Quem não se compromete com os excluídos e se mostra indiferente diante da morte de pessoas e das graves feridas do meio ambiente não merece o voto de quem deseja uma sociedade justa e democrática.

7. Muito preocupa na disputa eleitoral o uso de notícias falsas. Elas contaminam o debate, desviam a atenção dos eleitores de temas importantes e desvirtuam o resultado do pleito. Pessoas comprometidas com a verdade, a ética, a paz e a justiça não podem compartilhar notícias espetaculosas e de fontes desconhecidas, notadamente as que ajudam na difusão da mentira e do ódio.

8. O uso interesseiro da religião e de discursos religiosos oportunistas tem se tornado um elemento mobilizador nas eleições. Esse tipo de prática perverte o sentido e o autêntico valor das tradições religiosas. Serve apenas a interesses particulares e de grupos políticos.

9. A aplicação das Leis da Ficha Limpa e da Compra de Votos, conquistadas com a efetiva participação da Igreja, é condição necessária para que a eleição seja justa e legítima. O abuso do poder econômico corrompe o processo eleitoral. A compra e venda de votos e o uso da máquina administrativa nas campanhas constituem crimes eleitorais que atentam contra a honra do eleitor e a cidadania. Os eleitores são chamados a fiscalizarem os candidatos e, constatando esses atos de corrupção, denunciarem os envolvidos ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral.

10. A vigilância das eleições democráticas e transparentes é tarefa de todos, porém, têm especial responsabilidade as instituições públicas, como a Justiça Eleitoral, nos níveis federal, estadual e municipal, bem como o Ministério Público. Destas instâncias espera-se a plena aplicação das leis que combatem a corrupção eleitoral, o uso indevido do dinheiro e a utilização de fake news como estratégia eleitoral.

11. Após as eleições, é de fundamental importância que a comunidade eclesial se organize para acompanhar os mandatos dos eleitos e eleitas. Concretamente, dentre tantas iniciativas possíveis, promovam-se encontros que, valorizando a democracia participativa, aproximem vereadores e prefeitos das comunidades. As experiências para formação de Fé e Política e das Comissões Justiça e Paz são práticas que merecem ser incentivadas nos contextos diocesano e paroquial.

12. Os cristãos leigos e leigas, inspirados na fé que vem do Evangelho e é explicitada na Doutrina Social da Igreja, devem se preparar para assumir, de acordo com sua vocação, competência e capacitação, serviços nos conselhos de participação popular, como o da Educação, Criança e Adolescente, Saúde, Juventude e Assistência Social. Devem, igualmente, acompanhar as reuniões das Câmaras Municipais, onde se votam projetos e leis para os municípios, permanecendo atentos à elaboração e implementação de políticas públicas que atendam especialmente às populações mais vulneráveis como crianças, jovens, idosos, migrantes, indígenas, quilombolas e, particularmente, os pobres.

13. Em tempos de crescente desvalorização da política, o povo brasileiro precisa fazer das Eleições 2020 uma verdadeira festa da democracia, de forma que se concretize “a política melhor, a política colocada ao serviço do verdadeiro bem comum” (Fratelli Tutti, 154). Que Nossa Senhora Aparecida interceda pelo povo brasileiro!

Brasília-DF, 28 de outubro de 2020.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima (RR)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB

Páginas:«12345»

Facebook

Twitter